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Venezuela negocia transferência de US$ 4 bi em ouro para banco dos EUA, diz jornal

Reservas atualmente mantidas pelo Banco da Inglaterra poderiam ser usadas como garantia para empréstimos do governo interino de Delcy Rodríguez

18 set 2026 - 11h49
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Resumo
O governo interino da Venezuela e a oposição negociam transferir US$ 4 bilhões em ouro, retidos no Banco da Inglaterra desde 2019 por disputas de legitimidade política, para o Federal Reserve de Nova York. Pelo acordo, a gestão de Delcy Rodríguez assumiria o controle legal dos ativos para usá-los como garantia de empréstimos, sem permissão de venda imediata. Contudo, o banco britânico declarou que a liberação ainda depende de uma nova decisão judicial que resolva o impasse em definitivo.

O governo interino da Venezuela e a oposição estão próximos de um acordo para transferir cerca de US$ 4 bilhões em reservas de ouro do país, atualmente mantidas no Banco da Inglaterra, para o Federal Reserve Bank de Nova York, a informação foi divulgada pelo Financial Times nesta sexta-feira, 18.

Pelo acordo em discussão, o governo interino de Delcy Rodríguez passaria a ter controle legal sobre o ouro, mas não poderia vender imediatamente as reservas. Segundo o Financial Times, os ativos poderiam ser usados como garantia para empréstimos destinados ao governo, inclusive para financiar a reconstrução após os dois terremotos que atingiram a Venezuela em junho.

Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Reino Unido afirmou que o governo britânico "não é parte no processo judicial para determinar quem deve ter o controle" do ouro venezuelano mantido no Banco da Inglaterra. Segundo ele, os tribunais britânicos e o Banco da Inglaterra são independentes do governo.

Em resposta à agência Reuters sobre a negociação, o Banco da Inglaterra afirmou que não pode tomar medidas até que uma nova decisão judicial determine quem tem autoridade legal sobre a conta. "Isso exige que as partes envolvidas no processo recorram ao tribunal britânico para resolver a disputa", disse a instituição.

Ouro e inflação

No mês passado, o presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Jorge Rodríguez, afirmou que o país trabalhava para recuperar as reservas de ouro mantidas nos cofres subterrâneos do Banco da Inglaterra. Segundo ele, a medida seria parte dos esforços para conter a aceleração da inflação.

O Banco da Inglaterra mantém cerca de 31 toneladas de ouro venezuelano sob sua custódia há anos. A instituição se recusou a liberar as reservas após o governo britânico deixar de reconhecer a legitimidade do governo de Nicolás Maduro.

A disputa remonta a 2019, quando o Reino Unido se juntou a dezenas de países no apoio ao então líder opositor Juan Guaidó, após contestar a legitimidade da reeleição de Maduro no ano anterior. O ouro passou a ser objeto de uma longa disputa judicial nos tribunais britânicos.

As reservas não foram liberadas mesmo após a captura de Maduro pelos Estados Unidos, em janeiro, nem após um pedido de Delcy Rodríguez ao rei Charles para que o ouro fosse devolvido.

"O Reino Unido mantém sua posição de longa data de apoio a uma transição democrática de poder na Venezuela que reflita a vontade do povo venezuelano", afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores britânico.

Estadão
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