Vendas no varejo do Brasil têm alta inesperada de 0,4% em janeiro
As vendas no varejo brasileiro iniciaram o ano com uma força inesperada em janeiro depois de indicarem perda de fôlego no final de 2025.
Em janeiro, as vendas aumentaram 0,4% em relação a dezembro, quando houve queda de 0,4%, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira.
Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, as vendas tiveram alta de 2,8%.
Os resultados foram bem melhores do que as expectativas em pesquisa da Reuters de queda mensal de 0,1% e de alta de 1,65% na base anual.
"Apesar da variação baixa, até interpretada mais como estabilidade na passagem de dezembro para janeiro, a taxa positiva faz janeiro atingir o ponto mais alto da série da margem, igualando-se, em volume, a novembro de 2025. É bom lembrar que renovações do pico não são tão comuns assim", disse Cristiano Santos, gerente da pesquisa do IBGE.
"O crédito livre para pessoas físicas continua crescendo e a inflação está mais baixa. Isso ajuda a estimular o comércio a se manter num patamar alto", completou.
A demanda brasileira vem enfrentando um cenário desafiador, com taxa de juros elevada em contraste com um mercado de trabalho forte.
O Banco Central volta a se reunir na próxima semana para decidir sobre a taxa básica de juros Selic, atualmente em 15%. A autarquia indicou o início de um ciclo de cortes na reunião de março, mas o cenário ganhou um novo personagem com a guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, que começou no final de fevereiro.
"O resultado de janeiro sugere alguma resiliência do consumo no início do ano ... A leitura, contudo, não altera substancialmente o diagnóstico de moderação do ciclo, com expectativa de moderação do crescimento, e a trajetória do consumo ainda tende a refletir os efeitos defasados do aperto monetário ao longo dos próximos meses", avaliou Leonardo Costa, economista do ASA.
A economia brasileira ficou quase estagnada no quarto trimestre com avanço de 0,1% e fechou o ano passado com crescimento de 2,3%, de acordo com dados do Produto Interno Bruto.
Entre as oito atividades pesquisadas na pesquisa do varejo do IBGE, quatro tiveram resultados positivos no volume de vendas na comparação com dezembro, na série com ajuste sazonal -- Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (2,6%), Tecidos, vestuário e calçados (1,8%), Outros artigos de uso pessoal e doméstico (1,3%) e Hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (0,4%).
Quedas foram registradas em Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-9,3%), Livros, jornais, revistas e papelaria (-1,8%) e Combustíveis e lubrificantes (-1,3%). As vendas de Móveis e eletrodomésticos ficaram estagnadas.
"Esse setor (de eletrônicos) é especialmente afetado pela variação do dólar e em épocas de alta volatilidade as empresas aproveitam para repor seus estoques em momentos de valorização do real para depois decidir o melhor momento de fazer promoções. Além disso, o setor vem de uma Black Friday e também um Natal mais forte em vendas", disse Santos.
No comércio varejista ampliado, que inclui as atividades de veículos, motos, partes e peças; material de construção e atacado de produtos alimentícios, bebidas e fumo, houve alta de 0,9% em janeiro sobre dezembro e expansão de 1,1% na comparação com o mesmo mês do ano anterior.