Um mês após inaugurar ponte com a Rússia, Coreia do Norte abre nova ligação terrestre com a China
China e Coreia do Norte inauguraram uma nova ponte sobre o rio Yalu para impulsionar o comércio bilateral e desafogar a antiga rota Dandong-Sinuiju. A infraestrutura facilitará a circulação de mercadorias e insumos, apesar das sanções da ONU. A abertura ocorre um mês após Pyongyang estreitar laços com uma ligação similar com a Rússia, em um momento no qual Pequim busca reafirmar sua influência econômica preponderante sobre o regime norte-coreano.
Construção sobre o rio Yalu visa impulsionar comércio bilateral, após anos de tensões e restrições. A infraestrutura facilitará o transporte de mercadorias e matérias-primas.A China e a Coreia do Norte inauguraram oficialmente nesta quinta-feira (15/10) a ponte sobre o rio Yalu, sua principal conexão terrestre. O objetivo é reativar o comércio após anos de tensões e restrições.
Embora a infraestrutura tenha sido concluída em 2014, sua abertura foi adiada devido à falta de vias de acesso no lado norte-coreano e à pandemia de covid-19.
Espera-se que ela reduza a sobrecarga de uma ponte antiga na rota Dandong-Sinuiju, responsável por mais de 70% do comércio oficial entre os dois países. Essa ponte, construída há décadas, transporta uma linha ferroviária, além de carros e caminhões, mas o tráfego de veículos só pode seguir em uma direção por vez.
"A nova ponte pode facilitar o comércio que viola as sanções da ONU, mas o tráfego por ela poderá ser mais transparente e estar mais sujeito à fiscalização aduaneira do que o contrabando transfronteiriço", afirmou Leif-Eric Easley, professor da Universidade Ewha, em Seul, à agência de notícias AFP.
Durante a cerimônia, o primeiro-ministro chinês, Li Qiang, afirmou que as relações bilaterais entram em uma nova etapa e destacou que a ponte impulsionará a cooperação econômica e os intercâmbios entre os dois povos.
Especialistas avaliam que a infraestrutura facilitará a entrada de mercadorias, matérias-primas e maquinário chinês na Coreia do Norte, o que poderia contribuir para o desenvolvimento econômico do país. No entanto, não se espera uma recuperação imediata do comércio em grande escala, nos moldes anteriores às sanções internacionais.
A China continua sendo, de longe, a principal parceira comercial da Coreia do Norte, apesar das restrições impostas pelas Nações Unidas devido aos seus programas nuclear e de mísseis.
Ponte vem um mês após Pyongyang inaugurar ligação terrestre com a Rússia
A inauguração da nova ponte ocorreu cerca de um mês depois de Coreia do Norte e Rússia inaugurarem uma ligação rodoviária como parte de seus esforços para estreitar relações.
Especialistas afirmam que autoridades chinesas provavelmente receberam essa inauguração com certa preocupação.
A China há muito tempo é a principal tábua de sustentação econômica de Pyongyang. Nos últimos anos, porém, o líder norte-coreano Kim Jong-un passou a priorizar Moscou, enviando milhares de soldados e armamentos convencionais para apoiar a guerra do presidente russo Vladimir Putin na Ucrânia, aparentemente em troca de assistência militar e econômica.
Recentemente, Kim também se aproximou da China, ao que tudo indica com o objetivo de melhorar a economia de seu país e construir uma frente comum contra os Estados Unidos. Já a China busca restaurar sua influência singular sobre a Coreia do Norte.
Cerca de 98% do comércio exterior da Coreia do Norte foi realizado com a China em 2025. O governo sul-coreano informou no ano passado que existiam pelo menos 17 ligações rodoviárias e ferroviárias ativas ao longo da porosa fronteira entre China e Coreia do Norte, que se estende por mais de 1.400 quilômetros.
md/ra (AP, AFP, Reuters)
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