Script = https://s1.trrsf.com/update-1781903735/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE
Oferecimento Logo do patrocinador
Publicidade

Trump volta atrás em taxa de 20% sobre carga de navios que passarem pelo Estreito de Ormuz

Presidente americano diz que vai substituir taxação anunciada na véspera por acordos comerciais e de investimento com diversas nações do Golfo. Medida havia sido criticada pelo presidente Lula, que a comparou com "pirataria".

14 jul 2026 - 13h59
(atualizado às 14h04)
Compartilhar
Exibir comentários
Trump voltou atrás em taxa de 20% sobre transporte de carga, mas diz que bloqueio americano aos portos do Irã em Ormuz segue valendo
Trump voltou atrás em taxa de 20% sobre transporte de carga, mas diz que bloqueio americano aos portos do Irã em Ormuz segue valendo
Foto: Getty Images / BBC News Brasil

O presidente americano, Donald Trump, voltou atrás nesta terça-feira (14/7) na ideia de impor uma taxa de 20% sobre toda a carga transportada pelo Estreito de Ormuz, medida anunciada por ele mesmo na véspera. Segundo ele, no entanto, o bloqueio americano aos portos do Irã em Ormuz segue valendo.

Em postagem na rede social Truth Social, Trump afirmou que decidiu "substituir a taxa de reembolso de 20% dos Estados Unidos por acordos comerciais e de investimento que os diversos países do Golfo farão com os Estados Unidos".

"Esses investimentos serão enormes, mas, ao mesmo tempo, extraordinariamente bons para eles e para o futuro deles", escreveu Trump na plataforma.

Trump afirmou ainda que o Estreito de Ormuz está aberto a todo o tráfego de navios, exceto o do Irã. "E isso se deve à sua liderança mentirosa, violenta e maliciosa, que os conduz pelo caminho da destruição total", afirmou.

Ele acrescentou que haverá um "bloqueio total", mas apenas para navios "que se dirijam a portos iranianos ou venham deles, ou que transportem qualquer coisa relacionada a cargas iranianas".

Não é a primeira vez que Trump impõe um bloqueio à rota de navegação estratégica. Em abril, um bloqueio anterior durou três meses, período durante o qual as forças armadas dos EUA dispararam contra pelo menos nove embarcações que, segundo elas, se recusaram a acatar ordens.

Na segunda-feira (14/7), Lula chegou a comentar as medidas anunciadas por Trump naquele dia, comparando a taxa de 20% com "pirataria".

"Isso antigamente se chamava pirataria. Então, um Estado importante como os EUA, que eu acho que durante muito tempo combatia pirataria, não pode agora virar pirata", disse o presidente brasileiro, durante evento em São Paulo.

Ainda na segunda, os iranianos zombaram do anúncio de Trump, dizendo que concordavam plenamente com a cobrança de uma taxa, mas que ofereceriam um preço mais justo.

"O presidente tem toda a razão. Quem proporciona a passagem segura de embarcações comerciais pelo estreito de Ormuz deve ser recompensado por este serviço", escreveu o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, no X, em publicação irônica.

"O Irão sempre foi o guardião do Estreito e continuará a ser para sempre", escreveu Araghchi. "20% é, obviamente, demais. Seremos justos", acrescentou.

As agências mundiais de navegação também haviam expressado reservas às medidas.

Para Sebastian Usher, correspondente de assuntos globais da BBC, o novo anúncio de Trump nesta terça-feira marca mais uma guinada brusca por parte do presidente americano.

"O anúncio [da taxa de 20%] pode ter sido mais um reflexo de sua crescente frustração do que uma nova estratégia bem elaborada", escreve Usher.

Após a postagem nas redes, Trump afirmou que a decisão de voltar atrás foi tomada após contatos feitos por países do Golfo na sequência do anúncio das taxas.

"Não gosto do conceito de uma taxa", disse ele. "Mas, ao mesmo tempo, não é justo que nós estejamos protegendo o estreito para todo mundo."

A percepção de Trump de que os EUA arcam com o maior peso das questões de segurança global é algo que ele expressa frequentemente, especialmente no que diz respeito ao estreito e à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), observa Bernd Debusmann Jr, correspondente da BBC na Casa Branca.

Dois mortos em ataques

A agência marítima da Organização das Nações Unidas (ONU), a Organização Marítima Internacional (IMO, na sigla em inglês), informa que pelo menos duas pessoas morreram e várias outras ficaram feridas em decorrência dos últimos ataques noturnos a navios-tanque no Estreito de Ormuz.

Anteriormente, os Emirados Árabes Unidos e a Índia haviam relatado a morte de um marinheiro indiano em consequência dos ataques do Irã.

Agora, a IMO afirma que um segundo marinheiro do mesmo navio (Al Bahiyah) também morreu. A embarcação estava a 13 milhas náuticas (24 km ou 14,9 milhas) da costa de Omã.

Outra embarcação, o Mombasa B, também foi danificada por ataques iranianos. Quatorze marinheiros ficaram feridos durante o ataque da noite passada.

Em comunicado à BBC, a agência marítima afirma estar trabalhando com as autoridades para "confirmar todas as circunstâncias" e exige o fim do "ciclo de escalada".

A IMO diz que, desde o início do conflito entre os EUA e o Irã, 17 marinheiros morreram em decorrência das hostilidades no estreito.

Pelo menos duas pessoas morreram e várias outras ficaram feridas em decorrência dos ataques noturnos a navios-tanque no Estreito de Ormuz, diz agência da ONU
Pelo menos duas pessoas morreram e várias outras ficaram feridas em decorrência dos ataques noturnos a navios-tanque no Estreito de Ormuz, diz agência da ONU
Foto: Reuters / BBC News Brasil

A importância de Ormuz

O Estreito de Ormuz é uma das rotas marítimas mais importantes e estratégicas do mundo.

Cerca de um quinto do consumo mundial de petróleo passa pelo esteiro, uma via comercial que conecta os produtores de petróleo do Oriente Médio com os principais mercados da região da Ásia-Pacifico, Europa e América do Norte.

Mapa mostra a localização do Estreito de Ormuz, limitado ao norte pelo Irã e ao sul por Omã e pelos Emirados Árabes Unidos
Mapa mostra a localização do Estreito de Ormuz, limitado ao norte pelo Irã e ao sul por Omã e pelos Emirados Árabes Unidos
Foto: BBC News Brasil

Limitado ao norte pelo Irã e ao sul por Omã e pelos Emirados Árabes Unidos, esse corredor — que tem cerca de 50 km de largura na sua entrada e saída, e aproximadamente 33 km em seu ponto mais estreito — conecta o Golfo ao mar da Arábia.

O canal possui duas rotas marítimas, e cada uma mede 3 km.

Mas, apesar de sua extensão, o estreito é profundo o suficiente para permitir a passagem dos maiores petroleiros do mundo.

Em 2025, cerca de 20 milhões de barris de petróleo e derivados passaram pelo Estreito de Ormuz por dia, segundo estimativas da Administração de Informações sobre Energia dos EUA (EIA). Isso representa um volume de comércio de energia de quase US$ 600 bilhões (R$ 3,1 bilhões) por ano.

Esse volume faz do estreito a passagem mais importante para a produção de petróleo no mundo, incluindo o petróleo da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), formada pela Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Kuwait, além da maior parte do gás natural liquefeito do Catar.

Qualquer interrupção no estreito restringe o comércio e impacta em um aumento dos preços do petróleo a nível mundial.

BBC News Brasil BBC News Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização escrita da BBC News Brasil.
Compartilhar
TAGS

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

Publicidade
Meu Terra