Tesouro deve mirar fatia maior de títulos ligados à Selic na dívida pública, diz coordenador
O Tesouro Nacional deve ajustar seu Plano Anual de Financiamento (PAF) para mirar uma participação maior de títulos atrelados à Selic na dívida pública, disse nesta quarta-feira o coordenador-geral de Operações da Dívida Pública no órgão, Helano Dias.
Em entrevista coletiva, Dias afirmou que a guerra no Oriente Médio é um fator que provocou maiores emissões desses títulos, mais procurados pelo mercado em momentos de incerteza e volatilidade alta. O ajuste no plano deve ser elaborado em agosto e anunciado em setembro, disse ele.
A participação na dívida pública federal desses títulos continuou em alta em junho, atingindo 49,3% do total, contra 49,0% em maio. O atual plano de financiamento do Tesouro prevê que esses papéis responderão por 46% a 50% do estoque neste ano.
Dados do Tesouro mostram que as emissões recentes seguem atraindo maior interesse dos investidores por títulos ligados à Selic. O papel correspondeu por 71% do total emitido em junho e 68% das emissões de julho até o dia 28.
"Em ambiente de incerteza, os agentes tendem a demandar principalmente títulos flutuantes (ligados à Selic), não incorporando o risco às carteiras", disse.
Ele ressaltou que o Tesouro não forçará o mercado, que apresentou dificuldades recentemente, e estará pronto para atuar de forma extraordinária em caso de necessidade, embora tenha sido observada uma melhora gradativa no ambiente.
EMISSÕES EXTERNAS
Na entrevista, Dias também destacou pedido feito pelo governo ao Senado para alterar o limite de emissões de títulos brasileiros no mercado internacional. O plano prevê substituir o limite global de US$100 bilhões em emissões externas para um teto anual de US$35 bilhões.
Segundo ele, a iniciativa não interfere no plano do governo de fazer a esperada emissão dos chamados "panda bonds" no mercado chinês, uma vez que o atual teto ainda comportará esse lançamento.
"A gente tem todos os elementos para fazer essa emissão, e o novo pedido é basicamente uma forma de aumentar a flexibilidade de fazer emissões, de ir atrás do objetivo de alcançar 7% da dívida pública federal em dívida cambial", afirmou.
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