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Taxas futuras de juros caem no Brasil após decepção com dados da indústria dos EUA

1 mar 2024 - 16h46
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As taxas dos DIs fecharam a sexta-feira em baixa no Brasil, acompanhando o recuo dos rendimentos dos Treasuries, após dados decepcionantes do setor industrial dos EUA darem força à avaliação de que o Federal Reserve poderá iniciar o ciclo de corte de juros já em junho.

Na véspera, as taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) já haviam registrado quedas firmes depois que o Departamento de Comércio dos EUA divulgou um índice PCE em linha com o projetado pelo mercado (+0,3% em janeiro).

No início da sessão desta sexta-feira, as taxas futuras chegaram a oscilar em alta no Brasil, em sintonia com o avanço dos rendimentos do Treasury de dez anos -- referência global de investimentos. Às 11h46, a taxa do contrato para janeiro de 2027, por exemplo, atingiu a máxima de 10,005% (alta de cerca de 3 pontos-base ante o ajuste da véspera).

A divulgação do PMI industrial dos EUA, medido pelo Instituto de Gestão do Fornecimento (ISM, na sigla em inglês), mudou o cenário a partir das 12h. O indicador caiu de 49,1 em janeiro para 47,8 em fevereiro. Foi o 16º mês consecutivo em que o PMI permaneceu abaixo de 50, o que indica contração no setor industrial. Economistas ouvidos pela Reuters esperavam um PMI de 49,5 em fevereiro.

Os dados ruins colocaram os yields no território negativo, pressionando também o dólar em relação a outras moedas. No Brasil, as taxas dos DIs também despencaram após o PMI norte-americano, em meio à avaliação de que a fraqueza da indústria eleva as chances de o Fed iniciar o processo de cortes de juros em junho -- e não em julho ou depois disso.

No mesmo horário do PMI, o Departamento de Comércio dos EUA informou que os gastos com construção caíram 0,2% em janeiro, ante expectativa de alta de 0,2%. Já o índice de confiança do consumidor norte-americano, da Universidade de Michigan, atingiu 76,9 em fevereiro, abaixo dos 79,6 esperados.

"Foram três dados ruins hoje. A produção industrial caiu, os gastos com construção foram menores e a confiança (do consumidor) ficou abaixo (do esperado)", pontuou o diretor da consultoria Wagner Investimentos, José Faria Júnior.

"Os dados ao longo da semana também vieram piores em sua maioria, como os de pedidos de auxílio desemprego ontem, a confiança do consumidor (do Conference Board) na terça-feira e as vendas de novas moradias na segunda", acrescentou.

Nesta sexta, na esteira dos dados mais recentes, o modelo do Federal Reserve de Atlanta para o PIB norte-americano (GDPNow) passou a projetar crescimento de 2,1% no primeiro trimestre deste ano, contra 3,0% estimados na véspera.

Neste cenário, a curva norte-americana fechou, assim como a brasileira. O contrato para janeiro de 2027 marcou a mínima 9,930% (queda de 5 pontos-base) às 12h50.

A influência do exterior deixou em segundo plano os dados do PIB brasileiro no ano de 2023, divulgados no início da sessão. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o país cresceu 2,9% em 2023, após o PIB ter estagnado no quarto trimestre do ano passado.

Profissionais ouvidos pela Reuters afirmaram que os números não fugiram do esperado.

No fim da tarde a taxa do DI para janeiro de 2025 estava em 9,945%, ante 9,962% do ajuste anterior, enquanto a taxa do DI para janeiro de 2026 estava em 9,73%, ante 9,787% do ajuste anterior.

Já a taxa para janeiro de 2027 estava em 10,92%, ante 10,978%, enquanto a taxa para janeiro de 2028 estava em 10,18%, ante 10,233%. O contrato para janeiro de 2031 marcava 10,6%, ante 10,657%.

Perto do fechamento a curva a termo brasileira precificava 84% de chances de o corte da taxa básica Selic em março ser de 50 pontos-base, como vem sinalizando o Banco Central. Atualmente a Selic está em 11,25% ao ano.

Às 16:37 (de Brasília), o rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- caía 7,00 pontos-base, a 4,1817%.

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