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Taxas dos DIs perdem força após pressão gerada por ataque dos EUA à Venezuela

5 jan 2026 - 16h47
(atualizado às 16h57)
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As taxas dos DIs fecharam a segunda-feira com baixas entre os contratos de curto prazo e ganhos entre os longos, demonstrando acomodação no fim do dia após alguns picos vistos pela manhã em meio aos desdobramentos da prisão nos EUA do líder venezuelano Nicolás ‌Maduro.

No fim da tarde a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 12,99%, em baixa de 5 pontos-base ante o ajuste de ‌13,043% da sessão anterior. A taxa para janeiro de 2035 marcava 13,485%, com avanço de 6 pontos-base ante o ajuste de 13,426%.

Na madrugada de sábado, forças norte-americanas atacaram a Venezuela e capturaram Maduro, que foi levado aos EUA para julgamento. A ação, que teve larga repercussão internacional, lançou dúvidas sobre a dinâmica global de produção e venda de petróleo, já que o país sul-americano possui a maior reserva comprovada ‍de óleo do mundo.

Além disso, o ataque acendeu o alerta na América Latina como um todo, em meio às ameaças do presidente dos EUA, Donald Trump, de ações contra outros países, como a Colômbia e o México.

No campo político, o ataque norte-americano foi interpretado como um possível fator de fortalecimento da direita na América do Sul, em um ano em que ‌haverá eleições no Peru, Colômbia e Brasil.

Sem que houvesse ainda uma visão clara sobre os efeitos da ‌saída de Maduro do poder na Venezuela, os agentes demonstraram certa cautela na abertura dos negócios no Brasil, que se traduziu em picos para o dólar ante o real e para as taxas dos DIs.

Às 10h18, a taxa do DI para janeiro de 2028 atingiu o maior valor da sessão, de 13,090% (+5 pontos-base), enquanto perto deste horário a taxa do DI para janeiro de 2035 marcou a máxima de 13,505% (+8 pontos-base).

Ao longo da sessão, no entanto, a curva perdeu força e algumas taxas de curto prazo migraram para o território negativo.

"Houve um susto com a Venezuela, mas agora temos uma diluição", comentou durante a tarde o analista Matheus Spiess, da Empiricus Research, ao justificar a perda de força das taxas futuras e do dólar.

"Em um primeiro momento, tem-se a percepção de que o mundo se tornou um lugar mais instável e incerto, mas o mais importante é o que virá a acontecer agora com a Venezuela", acrescentou.

Neste cenário, a taxa do DI para janeiro de 2028 marcou a mínima de 12,965% (-8 pontos-base) às 15h, enquanto o DI para janeiro de 2035 chegou a zerar os ganhos, para depois retomar parte do fôlego.

No exterior, os rendimentos dos Treasuries cediam, com os investidores à espera da divulgação de novos dados do mercado de trabalho norte-americano ao longo da semana. Às 16h34, o retorno do Treasury de dez anos -- referência global para decisões de investimento -- estava em 4,1593%, ante 4,189% da sessão anterior.

No Brasil, o boletim ‌Focus do Banco Central mostrou pela manhã que os economistas do mercado pouco alteraram suas projeções para a inflação nos próximos anos. O IPCA projetado para 2026 foi de 4,05% para 4,06% e para 2028 seguiu em 3,80% -- em ambos os casos ainda acima do centro da meta contínua de 3%.

Já a Selic esperada para o fim de 2026 permaneceu em 12,25%, sendo que atualmente a taxa básica está em 15,00%.

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