Taxas DIs renovam mínimas após pesquisa indicar distância numérica menor entre Lula e Flávio Bolsonaro
As taxas dos DIs e o dólar recuaram nesta quarta-feira após pesquisa Quaest apontar empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro na corrida eleitoral, movimento bem recebido pelo mercado. Além do cenário político, dados fracos da produção industrial reforçaram a desaceleração da economia brasileira, sustentando as expectativas de novos cortes na taxa Selic pelo Banco Central.
As taxas dos DIs renovavam as mínimas do dia até o momento nesta quarta-feira, após uma nova pesquisa eleitoral indicar redução numérica da distância entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa pelo Planalto.
Mais cedo, números da indústria já haviam trazido um viés de baixa para as taxas, ao reforçarem a percepção de desaceleração da economia brasileira.
Às 10h45, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 13,66%, em baixa de 9 pontos-base ante o ajuste de 13,751% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 14,34%, com recuo de 17 pontos-base ante 14,51%.
A nova pesquisa Quaest revelou que Lula tem 42% das intenções de voto no segundo turno da disputa pelo Planalto, contra 41% do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), indicando um empate técnico entre os dois, já que a margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. Numericamente a distância entre os dois diminuiu de 3 pontos percentuais na pesquisa anterior para 1 ponto agora.
No primeiro turno, Lula tem 37%, Flávio soma 29% e Augusto Cury (Avante) aparece com 10%.
Logo após a divulgação da pesquisa, as taxas dos DIs renovaram mínimas, assim como o dólar ante o real, enquanto o Ibovespa atingiu máximas, em uma reação positiva dos agentes.
De modo geral, Lula ainda é visto com desconfiança por boa parte do mercado, que vê em sua reeleição um empecilho para o controle das contas públicas e, consequentemente, da inflação. Assim, notícias favoráveis a Flávio -- como a redução numérica da distância para Lula -- têm se refletido positivamente nos ativos.
Antes mesmo da pesquisa, o viés para a curva brasileira era de baixa nesta quarta-feira. Isso porque o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que a produção industrial no país cresceu 0,2% em julho ante o mês anterior e cedeu 0,5% em relação a julho do ano passado. Os resultados foram piores que as projeções dos economistas em pesquisa da Reuters, de crescimento de 0,6% no mês e estabilidade na base anual.
O resultado da indústria em julho soma-se a outros indicadores recentes que reforçam a percepção de desaceleração da economia brasileira, corroborando a expectativa de novos cortes da Selic pelo Banco Central no curto prazo. Na véspera, o IBGE informou que Produto Interno Bruto (PIB) subiu 0,5% no segundo trimestre ante os três meses anteriores, após expansão de 1,1% no primeiro trimestre, com retração do consumo das famílias.
Na última segunda-feira -- atualização mais recente -- a precificação das opções de Copom negociadas na B3 indicava 92,6% de chance de corte de 25 pontos-base da Selic este mês, contra 6,8% de probabilidade de manutenção da taxa básica em 14%. Para o encontro seguinte, em novembro, a precificação indicava 50% de probabilidade de novo corte de 25 pontos-base e 38% de chance de manutenção.
No exterior, após as altas dos últimos dias, o petróleo Brent operava com leve baixa nesta manhã. Os rendimentos dos Treasuries também exibiam leves baixas, ainda que o cenário geopolítico siga conturbado.
As forças norte-americanas atacaram a costa sul do Irã, que revidou disparando contra bases dos Estados Unidos em todo o Oriente Médio, no maior confronto armado entre os dois países desde julho.
Às 10h45, o rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- caía 1 ponto-base, a 4,784%.
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