Magazine Luiza faz acordo com Mercado Livre para vender produtos no marketplace
O Magazine Luiza fechou parceria com o Mercado Livre para vender cerca de 27 mil itens de seu estoque próprio, incluindo marcas como KaBuM! e Época Cosméticos, com entregas feitas pela Magalog. A iniciativa busca acelerar as vendas online aproveitando o tráfego do marketplace e pode expandir o uso de lojas físicas como pontos de retirada. Analistas do Citi veem o acordo como positivo para ambas as empresas, preenchendo o espaço da Casas Bahia e elevando as ações do Magalu na bolsa.
O Magazine Luiza anunciou nesta quarta-feira uma parceria comercial com o Mercado Livre para vender seus produtos por meio da plataforma de comércio eletrônico.
A parceria, que envolve produtos das marcas Magazine Luiza, KaBuM! e Época Cosméticos, vem após acordos semelhantes feitos com Amazon, AliExpress, Americanas, Itaú Shopping e Livelo.
"Nossa estratégia é somar a audiência de nossos canais às de outras plataformas relevantes como o Mercado Livre e, assim, acelerar o crescimento das nossas vendas online no curtíssimo prazo e de forma rentável", afirmou o presidente-executivo do Magalu, Frederico Trajano, em nota à imprensa. Os canais digitais do Magalu contam com uma base de cerca de 50 milhões de clientes.
Na plataforma do Mercado Livre, o grupo Magalu oferecerá por volta de 27 mil itens de estoque próprio, de categorias como eletroeletrônicos e móveis, mas também games e produtos de informática, além de cosméticos e perfumaria, entre outros. Os produtos serão entregues pela Magalog, que se apresenta como uma das maiores operadoras logísticas do país, com 100 clientes externos e mais de R$3 bilhões de receita em 2025.
De acordo com o Magazine Luiza, a parceria em envios tem potencial para ampliação futura, com a possibilidade de que as lojas físicas da rede sejam usadas como pontos de retirada e devolução dos produtos vendidos por outros parceiros do Mercado Livre. Além disso, acrescentou, a Magalog poderá, ainda, ampliar as alternativas de entrega de produtos pesados, como geladeiras, fogões e móveis, entre outros itens com peso acima de 30 quilos.
Na visão de analistas do Citi, a parceria como um passo natural para ambas as empresas, especialmente após a o pedido de recuperação judicial da Casas Bahia, que tem uma parceria com a plataforma desde o ano passado.
Para o Mercado Livre, os analistas destacaram que a inclusão do Magazine Luiza deve ajudar a ampliar o sortimento de produtos e provavelmente preencher parte do espaço deixado pela Casas Bahia. Para o Magazine Luiza, apontaram que o acordo oferece acesso adicional à ampla base de tráfego do Mercado Livre e representa mais uma alternativa para monetizar seu estoque com investimento comercial incremental limitado.
"À primeira vista, consideramos a parceria positiva para as duas empresas. No entanto, ainda precisamos de maior visibilidade sobre aspectos econômicos da operação, incluindo comissões, mix de produtos, logística e eventual sobreposição de canais de venda, para avaliar com mais precisão seus impactos", afirmou a equipe do banco norte-americano.
"Mais importante para a Magalu, precisamos entender qual será efetivamente a taxa de comissão ('take rate') paga ao Mercado Livre, como ela pode evoluir ao longo do tempo e se vender por meio da plataforma do Mercado Livre acabará sendo mais vantajoso economicamente do que atrair um volume semelhante de consumidores por meio de canais de marketing pagos.
Na bolsa paulista, por volta de 10h45, as ações do Magazine Luiza disparavam 8%, enquanto, em Nova York, os papéis do Mercado Livre subiam 0,32%. Os papéis da Casas Bahia recuavam 10%.
(Edição Alberto Alerigi Jr.)
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