Taxas de DIs curtas caem e longas sobem após BC reiterar que mira inflação na meta no 1º tri de 2028
As taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) de curto prazo operam com baixas nesta manhã de terça-feira, enquanto as longas têm leves altas, com investidores reagindo à ata do último encontro do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que reforçou sua intenção de atingir a meta de inflação apenas no primeiro trimestre de 2028.
Às 9h58, a taxa do DI para janeiro de 2027 estava em 14,185%, em baixa de 3 pontos-base ante o ajuste de 14,217% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 14,55%, com alta de 3 pontos-base ante o ajuste de 14,52%.
No mesmo horário, o rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- caía 1 ponto-base, a 4,493%.
Na segunda-feira, as taxas futuras haviam caído após o Tesouro Nacional cancelar o leilão regular de Notas do Tesouro Nacional - Série B (NTN-B) previsto para esta terça-feira. O cancelamento foi visto pelo mercado como uma tentativa do órgão de reduzir a pressão de alta recente das taxas futuras, em especial entre os vencimentos mais longos.
Nesta manhã, porém, as taxas longas dos DIs voltaram a operar em alta, na esteira da ata do encontro do Copom, que na semana passada cortou a Selic em 25 pontos-base, para 14,25%.
No documento, o colegiado reiterou que sua atual projeção de inflação para o quarto trimestre de 2027 -- atual horizonte relevante -- está em 3,7%, acima do centro da meta de inflação, de 3%.
O BC voltou a defender que atingir os 3% no quarto trimestre de 2027 demandaria ajustes agressivos da Selic e faria, na sequência, a inflação ficar abaixo desse nível por diversos trimestres seguidos.
Em função disso, o Copom julgou como mais adequadas trajetórias de Selic "menos discrepantes", com combinações de "momentos de pausa" e "retomada do ciclo de calibração" da taxa básica, com a inflação "convergindo para a meta no primeiro trimestre de 2028".
A reação dos agentes ao documento até o momento é cautelosa.
Para o economista-chefe da BGC Liquidez, Felipe Tavares, a ata confirmou o cenário adverso para a política monetária, mas o BC "justificou o injustificável, confirmando que está confortável em não cumprir o seu mandato no horizonte habitual".
"Entendo que o BC até quis ser hawk (duro com a inflação) na ata, mas acabou confirmando que segue dove (brando) e confortável em não entregar o seu mandato", acrescentou, referindo-se à meta de inflação.
Já o analista de inteligência de mercados da StoneX, Leonel Oliveira Mattos, afirmou que é possível que o comunicado da semana passada não tenha sido suficientemente claro quanto à estratégia do BC de retorno da inflação à meta um trimestre depois.
"Agora, resta saber se a ata será capaz de reduzir parte do mal-estar observado nos mercados."
Neste cenário, a curva brasileira exibia nesta manhã movimento semelhante ao visto na semana passada, após o comunicado do Copom, com as taxas curtas caindo e as longas subindo -- ainda que as variações sejam bem menores. Por trás do movimento está a percepção de que o BC poderá, de fato, promover mais cortes da Selic no curto prazo, o que demandaria juros mais altos no longo prazo para conter a inflação.
Na última sexta-feira -- atualização mais recente -- a precificação das opções de Copom negociadas na B3 indicava 68,50% de chance de manutenção da Selic em agosto, contra 26% de chance de corte de 25 pontos-base. Na terça-feira passada, antes da decisão do Copom, havia 58% de probabilidade de manutenção, contra 38% de chance de corte de 25 pontos-base.
No exterior, os agentes seguem atentos nesta terça-feira às negociações de paz entre EUA e Irã e operando sob a perspectiva de que o Federal Reserve poderá elevar os juros ainda este ano.
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