Situação dos Correios é muito ruim e impacto fiscal pode ser ainda maior em 2026, diz Durigan
Crise na estatal levou governo a ter de fazer uma compensação de R$ 3 bi no Orçamento de 2025 e ampliar projeção de déficit para o ano
BRASÍLIA - O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, admitiu que os Correios têm "problemas graves e estruturais" e o impacto fiscal pode ser ainda maior em 2026 do que em 2025. Ele lembrou que a nova gestão da empresa está fazendo um plano de reestruturação e deverá apresentá-lo à Fazenda.
"Eu não tenho o número fechado, nós vamos ter que nos debruçar em cima do plano assim que apresentado pelos Correios; mas a gente tem, sim, uma situação grave que demanda atenção", disse Durigan ao comentar o Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas relativo ao 5º bimestre.
"É um resultado muito ruim da empresa que a gente tem acompanhado; é o que, de fato, causa aqui um impacto negativo nesse resultado trimestral. Não fossem os Correios e com a receita administrada em linha, com os desbloqueios frutos da revisão de gastos, a gente poderia estar num cenário um pouco melhor."
"Hoje a gente não está discutindo aporte, nós estamos discutindo uma operação de crédito que tem aval (do Tesouro). Se o plano de estruturação estiver bem feito, estiver em ordem, pode ter um aval do Tesouro Nacional".
Como mostrou o Estadão, o empréstimo de R$ 20 bilhões que o governo Lula busca para os Correios — a ser obtido junto a bancos públicos e privados, com aval do Tesouro Nacional — é maior do que qualquer outra garantia concedida pela União para estatais, Estados e municípios nos últimos 15 anos.
Orçamento de 2025
Em meio à forte crise que atingiu os Correios, o governo ampliou a projeção de déficit nas empresas estatais este ano, de R$ 5,504 bilhões para R$ 9,208 bilhões - o que levou a equipe econômica a ter de compensar o Orçamento de 2025 em R$ 3 bilhões, aumentando a projeção de rombo fiscal para o ano.
"A gente está compensando no Orçamento Fiscal e da Seguridade o resultado negativo, para além, mais negativo do que se previa, uma meta de R$ 6,2 bilhões negativo, resultado de R$ 9,2 bilhões negativo das estatais, muito por conta dos Correios", disse Durigan.
Na visão dele, essa compensação mostra uma prontidão em termos de ter "um resultado central em linha com o que a gente prometeu e espera".
Ele afirmou que tem pedido pessoalmente ao novo presidente da empresa, Emmanoel Schmidt Rondon, que apresente um bom plano de reestruturação. "Está sendo apresentado na governança dos Correios e ele deve ser um plano ousado e, ao mesmo tempo, muito cuidadoso para que a gente tenha aí como uma operação sendo desenhada que se pague e possa melhorar a situação dos Correios".
Revisão de gastos
Sobre a revisão de gastos, Durigan disse que foi feito "algo que não é comum", que é um desbloqueio, que passou de R$ 12,1 bilhões na avaliação do 4º bimestre para R$ 4,4 bilhões na do 5º bimestre. "A gente foi prevendo as despesas no decorrer do ano com alguma pressão de despesa obrigatória e, por dever de ofício, fazendo os bloqueios necessários".
Segundo ele, com a revisão de gastos sendo efetivada com alteração legislativa e monitorada na ponta, foi vista uma diminuição dos gastos obrigatórios que levou a uma redução de bloqueio de R$ 3,9 bilhões.
"Diria que nós estamos aqui com 0 a 0 neste relatório bimestral, não tem abertura de espaço fiscal. Pontos positivos com revisão de gastos acabam anulando pontos negativos com o resultado das estatais. Mas, em suma, caminhamos para cumprir a meta de primário mais uma vez em 2025."