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Seca no Norte pode elevar custo de transporte de contêineres na região em até 150%, diz estudo

Consultoria alerta para o fato de Manaus ter poucas alternativas logísticas e ficar 'à mercê' das hidrovias, que caminham para situação ainda mais severa de estiagem em 2027 por causa do El Niño

18 set 2026 - 09h03
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Resumo
A seca provocada pelo El Niño no Norte pode encarecer o transporte de contêineres para Manaus em até 150%, segundo a A&M Infra e a Abac. A redução do calado dos rios limita a capacidade dos navios em até 55%, gerando atrasos e sobretaxas operacionais. Sem alternativas logísticas viáveis além das hidrovias, a região já sofreu quedas históricas na movimentação entre 2023 e 2024. O setor alerta para cenários piores em 2027 e defende a concessão hidroviária e dragagens regulares como solução definitiva.

BRASÍLIA - A seca causada pelos impactos do El Niño na região Norte do Brasil pode elevar o custo do transporte de contêineres para Manaus em até 150%, segundo estudo realizado pela A&M Infra, da Alvarez & Marsal, para a Associação Brasileira dos Armadores de Cabotagem (Abac).

Em um cenário de restrição de dois metros no calado, a capacidade é reduzida em 35% e o custo unitário aumenta 63%, mostra o material. Num cenário ainda mais severo, com redução de 3,2 metros no calado disponível para os navios, a capacidade de transporte cai 55%.

"O efeito ocorre porque, mesmo transportando menos carga devido às limitações de calado, grande parte dos custos da viagem permanece. Além disso, a estiagem provoca atrasos, omissões de escalas, armazenagem adicional e pode exigir soluções logísticas alternativas", afirma o estudo.

A expectativa se baseia no cenário da seca que afetou a região em 2023 e 2024. Em outubro de 2023, a baixa profundidade chegou a inviabilizar a passagem de navios por semanas e a movimentação de contêineres em Manaus caiu 85% em relação a agosto daquele ano, mês de pico. Em 2024, mesmo com a utilização de píeres flutuantes em Itacoatiara para evitar uma nova paralisação, a movimentação caiu 55% em outubro e 41% em novembro, na comparação com julho.

A consultoria alerta para o fato de Manaus ter poucas alternativas logísticas e ficar "à mercê" das hidrovias, que caminham para situação ainda mais severa de estiagem em 2027 por causa do El Niño.

O estudo também analisa a sobretaxa de seca, utilizada para compensar os custos extraordinários da operação em períodos de baixa navegabilidade e contribuir para a continuidade do serviço. Mecanismos semelhantes são adotados em rotas sujeitas a restrições hídricas no Rio Reno, no Canadá e no Canal do Panamá.

Sobre a questão, o diretor-executivo da Abac, Luis Resano, afirma ser necessário "atacar" a origem do problema e não "apenas adotar medidas paliativas".

"Mesmo com a adoção de medidas paliativas para manter as operações, há aumento relevante dos custos e impactos sobre a eficiência logística. Ele é fundamental para manter a operação sustentável (...). A concessão das hidrovias pode ser um caminho importante para garantir maior previsibilidade e eficiência na execução das dragagens, evitando atrasos ou intervenções realizadas fora do momento adequado", afirma Resano em nota.

Estadão
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