Saiba quais são os melhores e os piores países para trabalhar em 2026
Consultora internacional ajuda a escolher o local ideal conforme a área de atuação; EUA estão entre os destinos que perderam atratividade
Quase 5 milhões de brasileiros vivem atualmente fora do País, segundo dados do Ministério das Relações Exteriores. As razões que envolvem a mudança são inúmeras. Alguns migram em busca de qualidade de vida, segurança, estabilidade financeira ou simplesmente para viver novas experiências. Em muitas histórias de quem decide trocar o endereço, o fator oportunidade de trabalho é determinante.
A consultora em carreira internacional, Rachel Alvarez, de 40 anos, faz parte do grupo de brasileiros que deixou o País em busca de uma nova vida. Ela morou por uma década em Londres, onde atuou no setor de RH, retornou ao Brasil e desde 2016 ajuda profissionais que pretendem morar — ou já residem — no exterior.
Para quem planeja trabalhar fora, o primeiro passo é realizar uma pesquisa mercadológica da área atuação no país escolhido. Vale entender as exigências da função, comprovar as próprias competências e mapear se há demanda por mão de obra qualificada no setor. Em seguida, a recomendação é avaliar o atual contexto de condições migratórias do país.
Durante essa fase, não é necessário se preocupar com o visto. "Primeiro tem que conseguir o trabalho, depois cuida disso", recomenda Alvarez. A elaboração do currículo é outro elemento indispensável no processo. Diferente do Brasil, certificados e diplomas têm peso menor no exterior. "Resultados e experiências importam muito mais", afirma a especialista.
Os países mais atrativos para trabalhar em 2026
Não existe um país ideal, pondera Alvarez. A decisão depende de fatores como área de atuação, se a mudança será individual ou em família, o momento da carreira e o que pesa mais na decisão, qualidade de vida, retorno financeiro ou outros aspectos.
Alemanha lidera o ranking elaborado pela especialista. Economia estável (ainda que enfrente uma das maiores crises econômicas), qualidade de vida, infraestrutura e políticas de imigração mais afrouxadas para estrangeiros, incluindo brasileiros, são as razões que colocam o país no topo da lista.
Profissionais ouvidos pelo Estadão elogiam o País pela cultura de trabalho, sensação de segurança e estabilidade financeira para quem é mais qualificado. Desde o ano passado, o governo alemão lançou um sistema permitindo que o imigrante viva no país durante o período de um ano enquanto busca emprego. Em setembro, o diplomata Philipp Ackermann publicou um vídeo nas redes sociais em que convida trabalhadores indianos qualificados para trocar os EUA pela Alemanha.
- Áreas com maior demanda: Engenharias, setor de saúde e tecnologia
- Contraponto: Exigência do idioma alemão em algumas vagas
Canadá
O Canadá também aparece entre os destinos mais atrativos, principalmente devido às políticas migratórias vigentes atualmente. O país abriga mais de 130 mil brasileiros, segundo o Itamaraty. Um dos principais benefícios tem a ver com a modalidade de visto que contemplam casais, permitindo que uma pessoa trabalhe enquanto a outra estuda.
Apesar disso, comunicados oficiais indicam que as regras devem se tornar mais rígidas nos próximos anos, alerta Alvarez, acrescentando que a possível mudança faz de 2026 uma janela estratégica para quem pretende se mudar.
Em junho, o governo canadense anunciou que vai modificar o sistema de asilo para os pedidos de refúgio, além da promessa de reduzir a concessão de vistos de trabalho e de residência temporária.
- Áreas com maior demanda: Engenharias e tecnologia
- Contraponto: Distância geográfica dificulta viagens curtas a outros países
Irlanda
A Irlanda segue o mesmo caminho que os outros dois países e conta com uma comunidade brasileira estimada em 80 mil pessoas. A localização privilegiada facilita viagens pela Europa a baixo custo. Além disso, as estruturas de visto ampliam as possibilidades de imigração, que hoje disponibiliza três tipos de vistos de trabalho.
"Recomendo Irlanda para quem tem boa qualificação", sugere Rachel Alvarez. Brasileiros que vivem no país disseram que a sensação de segurança e as oportunidades profissionais compensam o inverno rígido, o alto custo de vida e a moradia cara e disputada.
- Áreas com maior demanda: setor financeiro, tecnológico e arquitetura
- Contraponto: crise de moradia com aluguéis altos
Espanha
Embora não figure entre os destinos mais populares, a Espanha pode ganhar atratividade nos próximos dois anos, com a expectativa de flexibilização das políticas migratórias. Em maio, entrou em vigor uma norma que visa legalizar a situação de imigrantes que vivem em situação irregular no país.
A consultora recomenda que seja feita uma pesquisa da demanda de trabalho por província. Acompanhar as informações no site oficial de imigração também pode ser útil durante o processo.
Inclusive, o país está entre um dos 10 melhores destinos do mundo para se aposentar, conforme pesquisa da revista International Living.
- Áreas com maior demanda: Construção civil, saúde, serviços gerais e tecnologia
- Contraponto: Custo de vida
Fora das rotas mais tradicionais, países com menor presença de brasileiros também surgem como boas apostas para 2026. Austrália e Nova Zelândia, ambos países da Oceania, e Malta, na Europa, aparecem entre as sugestões de Alvarez, principalmente para quem domina o inglês e tem qualificação alinhada às demandas locais.
Na Austrália, o clima semelhante ao do Brasil é um atrativo, com temperaturas altas em determinadas épocas do ano. Já a Nova Zelândia enfrenta mais resistência entre brasileiros por ser "mais fria, distante e com maior oferta de vagas em serviços gerais".
A Nova Zelândia também pode ser um destino mais atrativo para quem atua no setor agrícola, que cresceu nos últimos anos. "Antes vinham menos brasileiros, mas o poder aquisitivo é bom", observa Alvarez. Para cargos mais sêniores, China e Japão também entram no radar. No entanto, o caminho mais "simples" para quem está em um nível mais avançado na carreira é tentar uma transferência interna pela empresa em que o profissional atua no Brasil.
Quais são os piores países para trabalhar?
O país mais desfavorável para um profissional pode ser o ideal para outro. Ainda assim, alguns fatores são praticamente consensuais, segundo Alvarez, para quem está escolhendo um destino em 2026.
Mesmo permanecendo atrativo para engenheiros, profissionais de enfermagem e tecnologia, os Estados Unidos deixaram de ser a melhor porta de entrada. As regras mais rígidas de imigração tornam o país menos indicado como primeira opção.
O presidente Donald Trump suspendeu novos pedidos de green card — sob a justificativa de reforçar a checagem de informações e prevenir fraudes —, a exigência de registro obrigatório para estrangeiros com 14 anos ou mais que permaneçam no país por mais de 30 dias e a restrição à entrada de cidadãos de 19 países.
Após o Brexit, o Reino Unido também passou a figurar entre os destinos menos atrativos. "Eles não querem estrangeiros", resume Alvarez. Desde abril, estrangeiros que antes eram isentos de visto para turismo ou curta duração (seis meses), agora precisam obter uma autorização de viagem que pode ser feita de forma online.
Já o visto de trabalho ficou mais restrito e ainda pode ser atrativo para profissionais mais qualificados que estejam nas áreas que demandam mão de obra, como arquitetura, engenharia e saúde, a exemplo de médicos.
Independentemente do destino, o sucesso para conseguir um emprego fora do Brasil depende muito mais da demanda da área do que da carreira em si. Um erro comum, segundo Alvarez, é simplesmente traduzir o currículo. "Currículo não se traduz", pontua.
A recomendação é escolher o país com base em uma pesquisa mercadológica e, só depois, adaptar o currículo às exigências locais antes de iniciar as candidaturas. O uso de inteligência artificial na elaboração do documento também exige cautela. "No exterior os recrutadores farejam de longe uma aplicação feita por IA", afirma.
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