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Rússia busca ajuda do Brasil para evitar expulsão do FMI e Banco Mundial

14 abr 2022 - 13h55
(atualizado às 14h22)
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A Rússia encaminhou um pedido de apoio do governo brasileiro no Fundo Monetário Internacional (FMI), no Banco Mundial e no G20 após sofrer sanções por nações ocidentais diante da invasão à Ucrânia, segundo carta obtida pela Reuters.

Anton Siluanov, ministro das Finanças da Rússia
14/03/2019
REUTERS/Maxim Shemetov
Anton Siluanov, ministro das Finanças da Rússia 14/03/2019 REUTERS/Maxim Shemetov
Foto: Reuters

O ministro das Finanças da Rússia, Anton Siluanov, escreveu ao ministro da Economia, Paulo Guedes, pedindo o "apoio do Brasil para evitar acusações políticas e tentativas de discriminação em instituições financeiras internacionais e fóruns multilaterais".

"Nos bastidores, há um trabalho em andamento no FMI e no Banco Mundial para limitar ou até expulsar a Rússia do processo de tomada de decisão", escreveu Siluanov.

A carta, que não faz menção à guerra na Ucrânia, é datada de 30 de março e foi transmitida a Guedes pelo embaixador da Rússia em Brasília na quarta-feira.

"Como você sabe, a Rússia está passando por um período desafiador de turbulência econômica e financeira causada por sanções impostas pelos Estados Unidos e seus aliados", disse o ministro russo.

A secretária do Tesouro dos Estados Unidos, Janet Yellen, disse na semana passada, que os EUA não participariam de nenhuma reunião do G20 se a Rússia estivesse presente, citando a invasão.

Quase metade das reservas internacionais da Rússia foram congeladas e as transações de comércio exterior estão sendo bloqueadas, incluindo aquelas com parceiros econômicos de mercados emergentes, afirmou Siluanov.

"Os Estados Unidos e seus aliados estão promovendo uma política de isolamento da Rússia da comunidade internacional", acrescentou.

Siluanov disse ainda que as sanções violam os princípios do acordo de Bretton-Woods, que criou o FMI e o Banco Mundial.

"Consideramos que a atual crise causada por sanções econômicas sem precedentes adotadas pelos países do G7 pode ter consequências duradouras, a menos que tomemos uma ação conjunta para resolvê-la", escreveu ele a Guedes.

O presidente Jair Bolsonaro, que visitou Moscou poucos dias antes da invasão da Ucrânia, manteve o Brasil neutro na crise e não condenou a invasão, gerando críticas do governo dos Estados Unidos.

Bolsonaro expressou solidariedade à Rússia ao visitar o presidente Vladimir Putin no Kremlin em 16 de fevereiro, cerca de uma semana antes do início da invasão.

O chanceler brasileiro, Carlos França, disse em março que o Brasil se opõe à expulsão da Rússia do G20, conforme solicitado pelos Estados Unidos.

"O mais importante seria, neste momento, que todos esses fóruns --o G20, a OMC, a FAO-- possam ter o funcionamento pleno. E para ter o funcionamento pleno, seria preciso que tivesse todos os países, inclusive a Rússia", disse França em audiência no Senado em 25 de março.

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