Rumo reduz preços no 1º tri e já tem 1º semestre praticamente contratado
A transportadora ferroviária Rumo está trabalhando no primeiro trimestre com preços de frete cerca de 10% menores que um ano antes, depois que a companhia controlada pela Cosan concluiu um reposicionamento para deixar seus fretes competitivos ante outras alternativas de transporte no Mato Grosso, afirmaram executivos nesta quinta-feira.
"Acabamos ficando muito caros em relação a outras alternativas logísticas no primeiro trimestre do ano passado...Estou confiante de que estamos agora em patamares adequados de preços", disse o presidente-executivo da Rumo, Pedro Palma, em conferência com analistas após a publicação dos resultados da companhia na noite da véspera.
"Neste primeiro trimestre de 2026 será uma redução de preço versus primeiro trimestre de 2025 um pouco acima de 10%", disse o executivo, acrescentando que, para o segundo trimestre, os preços ficarão estáveis.
A pretensão da Rumo neste ano é transportar um volume de mais de 90 bilhões de TKUs, após 84,2 bilhões no ano passado.
O vice-presidente financeiro, Guilherme Machado, afirmou que o investimento da Rumo neste ano deve ser menor que 2025, mas ficará em patamar superior ao desembolsado em 2024, mas não deu detalhes. O executivo comentou ainda que a Rumo começou o ano com o primeiro semestre com sua capacidade de transporte praticamente contratada.
Questionado sobre possíveis impactos da guerra no Oriente Médio, o presidente da Rumo afirmou que o Irã é um cliente relevante das exportações de milho do Brasil no segundo semestre, tendo comprado cerca de 9 milhões de toneladas em 2025.
"Vamos ter que acompanhar para entender qual a duração e o impacto do conflito. A princípio, olhando os dados históricos, não seria uma ruptura relevante, mas certamente vai ser um tema importante de acompanhamento por nós e por todo o mercado", disse o executivo.
Sobre o custo do combustível, o gerente executivo de relações com investidores da Rumo, Felipe Saraiva, afirmou que os volumes já contratados pela companhia têm mecanismos de proteção em que a empresa pode repassar flutuações dos preços do combustível.
Além disso, segundo Saraiva, como a ferrovia é um modal mais eficiente para transporte de carga que rodoviário, ela tende a ganhar vantagem em momentos de alta nos preços dos combustíveis. O executivo citou ainda que a prioridade para a Rumo é "garantir ocupação eficiente da capacidade" de transporte da companhia.