Regras de transição do Bolsa Família precisam ser mais graduais, avaliam especialistas
Laura Muller Machado e Fernando de Holanda Barbosa Filho afirmam que Brasil foi eficiente em diminuir a pobreza, mas falha na inserção desse público no mercado de trabalho
Especialistas apontam que a transição do Bolsa Família para o mercado de trabalho precisa ser mais gradual. Segundo os economistas Laura Muller Machado e Fernando Barbosa Filho, o corte abrupto do auxílio gera insegurança financeira e desestimula a busca por emprego. Eles propõem um modelo de saída progressiva e proporcional, inspirado no sistema norte-americano, para garantir maior proteção e incentivo aos beneficiários que conquistam uma vaga.
As regras de transição do Bolsa Família para o mercado de trabalho precisam ser repensadas para garantir uma política de proteção social eficiente para os trabalhadores. Essa é a avaliação de Laura Muller Machado, professora do Insper e ex-secretária de Desenvolvimento Social do Estado de São Paulo, e Fernando de Holanda Barbosa Filho, pesquisador do FGV/Ibre e ex-secretário de Políticas Públicas de Emprego do Ministério da Economia.
Os economistas participaram de um debate sobre o futuro dos programa sociais no Brasil promovido pelo Estadão nesta quinta-feira, 22.
"Em termos de alívio de pobreza, o Brasil foi muito feliz e é cientificamente comprovado que o Bolsa Família tem resultados impressionantes. No entanto, a regra atual de transição é inadequada e não é tão amigável assim ao trabalho. Poderíamos ter regras que facilitem mais essa transição", afirmou Machado.
Segundo ela, as inseguranças entre transitar de uma situação de assistência para uma situação de autonomia, ainda que com uma renda maior, gera uma sensação de insegurança financeira e psicológica. "Esse modelo de transição existe, mas acontece de forma muito abrupta", explicou.
Os economistas defendem a adoção de um modelo de saída mais gradual, semelhante ao sistema norte-americano, em que a redução dos benefícios acontece de forma proporcional e progressiva. "Se você não dá essa segurança de uma saída gradual, você desincentiva essa pessoa a tentar dar esse passo adiante", disse Barbosa.
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.