PRÉVIA-Brasil oferta blocos de petróleo, enquanto empresas buscam reservas longe de conflitos
O Brasil realizará dois grandes leilões de petróleo e gás via oferta permanente, incluindo áreas do pré-sal sob partilha e centenas de blocos sob concessão. O certame atrai gigantes globais como Petrobras, Shell e Chevron devido à alta do petróleo e à busca por ativos seguros fora de zonas de tensão geopolítica. Apesar da ausência da promissora Foz do Amazonas, o ambiente político mais favorável a negócios e a necessidade de renovação de portfólios reforçam o forte interesse dos investidores.
O Brasil realizará na quarta-feira dois dos maiores leilões de blocos exploratórios de petróleo e gás dos últimos anos, sendo um deles focado em pré-sal, sob expectativa de forte interesse de investidores, em meio à busca global por novas fontes de suprimento fora do Oriente Médio e ao crescente apetite de grandes petroleiras por ativos brasileiros.
Dezenove empresas, incluindo Petrobras, Chevron, BP, TotalEnergies e Shell, estão aptas a participar do leilão do pré-sal, que licitará um total de 13 blocos sob regime de partilha de produção. Enquanto 46 companhias estão listadas para o outro leilão no mesmo dia, que contará com a oferta de 22 setores exploratórios, englobando mais de 300 blocos, sob o regime de concessão.
As rodadas no Brasil acontecem em um contexto de alta dos preços do petróleo e ampliação da relevância estratégica do Atlântico Sul para o abastecimento global de energia, enquanto petroleiras ampliam esforços para diversificar portfólios e reduzir a dependência de regiões mais sujeitas a tensões geopolíticas.
"O Brasil é naturalmente parte do portfólio das empresas que não querem concentrar seus projetos em países de elevado risco geopolítico ou em áreas de óleo e gás não convencional na América do Norte e, agora, Argentina", afirmou o professor e pesquisador no Instituto de Energia da PUC-RJ Edmar Almeida, à Reuters.
"Além disso, as empresas brasileiras independentes precisam renovar seu portfólio exploratório... Portanto, é esperado este grande interesse das empresas no leilão da ANP."
Os dois leilões, de concessão e de partilha, serão realizados por meio de rodada de oferta permanente, atualmente considerado o principal modelo de licitação de áreas para exploração e produção de petróleo e gás natural no Brasil.
Nesse sistema, os blocos ficam à disposição de agentes que manifestam interesse, o que explica o grande número de áreas que vão a leilão.
"Todas as áreas colocadas em leilão têm algum interessado. O que a gente não sabe ainda é se tem múltiplos interessados em todas essas áreas. Então o nível de disputa sobre elas é uma incógnita que a gente vai descobrir na hora", disse o sócio de Óleo e Gás do Lobo de Rizzo Advogados Thiago Silva.
Silva ressaltou que o ambiente mais atrativo para negócios no petróleo também poderá contribuir para uma retomada de investimentos em ativos em terra, uma vez que há mais agentes dispostos a financiar a indústria.
"Agora você voltou a ter uma conversa com o mercado de capitais, que voltou a olhar para o fóssil, algo que antes era proibitivo", afirmou o especialista.
ÁREAS EM OFERTA
As áreas em oferta no pré-sal estão nas já tradicionais bacias de Campos e Santos, enquanto o leilão de concessão também ofertará áreas em ambas as bacias e em outras, dentre elas Potiguar, Recôncavo, Parnaíba, Ceará, Espírito Santo e Tucano Sul.
A ausência de áreas na Bacia da Foz do Amazonas, considerada a mais promissora para a abertura de nova fronteira exploratória no Brasil, foi apontada como um fator negativo por especialistas. Blocos na região precisam de uma renovação de pré-autorização conjunta dos ministérios de Minas e Energia e Meio Ambiente para serem colocadas em leilão.
O presidente da Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Petróleo e Gás e ex-secretário de petróleo e gás do Ministério de Minas e Energia, Marcio Felix, afirmou que é notório o interesse internacional no Brasil como fornecedor confiável de petróleo e gás.
"O Brasil é um local que tem os nossos paradoxos, mas é um terreno seguro... Os conflitos que estão acontecendo e as necessidades do mundo têm atraído investimentos para o Brasil", afirmou.
IMPACTO DO NOVO CONGRESSO
O ex-diretor da ANP Décio Oddone ressaltou o ambiente atrativo para investimentos no Brasil, citando a questão da segurança energética e as recentes descobertas da Petrobras na Foz do Amazonas.
Ele afirmou também que os resultados das eleições brasileiras até agora também contribuíram para reforçar as perspectivas para o setor.
"O fato novo é a eleição. Primeiro, você já tem um Congresso mais à direita, mais pró-negócios, que dificilmente vai facilitar a aprovação de medidas como imposto de exportação, esse tipo de coisa que a gente tem visto mais recentemente", afirmou.
O comentário faz referência ao resultado do primeiro turno das eleições, que definiu um Congresso no Brasil majoritariamente à direita, enquanto a disputa presidencial segue acirrada para o segundo turno.
"Se o Flávio Bolsonaro ganhar (a disputa presidencial), você vai ter um governo possivelmente nos moldes lá do que era na época do pai dele, numa linha diferente do PT. Então, é um ambiente mais pró-negócio, mais atração de investimento. Acho que tudo isso ajuda, então quando você soma isso: atratividade exploratória, interesse das companhias por exploração, interesse por lugares longe do conflito e um ambiente de negócio mais favorável no Brasil, tem tudo para ajudar."
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