Presidente do PT diz que Lula assumiu compromissos com mercado e nega Alckmin definido na Fazenda
Edinho Silva declarou que o vice-presidente deve ter ainda mais presença na campanha
O presidente do PT, Edinho Silva, afirmou que Lula já cumpriu compromissos com o mercado e defende uma reforma administrativa para qualificar os gastos públicos. Edinho negou que Geraldo Alckmin esteja cotado para a Fazenda, ressaltando que o vice atua para atrair o eleitorado de centro e ampliar alianças no segundo turno. A estratégia petista prevê corrigir rotas, reduzir abstenções e contrapor o projeto social do governo ao de Flávio Bolsonaro, visto por ele como uma ameaça a benefícios.
BRASÍLIA - O presidente nacional do PT e coordenador da campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Edinho Silva, declarou nesta segunda-feira, 6, que Lula cumpriu todos os compromissos feitos com agentes do mercado.
"O presidente Lula já assumiu os compromissos que o mercado quer dele. Ele nunca endividou o Brasil, ao contrário, ele pegou um país endividado e consertou o Brasil", declarou o presidente do PT em entrevista para o SBT News.
Deputado federal eleito, Edinho também disse que Lula defende uma reforma administrativa como forma de melhorar as conta públicas. "Ele tem convicção de que o Estado brasileiro tem que ser reformado, nós precisamos melhorar a qualidade do gasto. Não é possível um Estado desse tamanho gastando como nós gastamos", declarou o presidente do PT.
Como mostrou o Estadão/Broadcast, porém, o governo Lula sustenta que a economia com mudanças no funcionamento do Estado e do serviço público não é significativa.
O presidente do PT também declarou que o vice-presidente Geraldo Alckmin deve ter ainda mais presença na campanha. Edinho disse que ele deve ter "outras funções", sem detalhar quais seriam.
"Ele tem sido uma figura fundamental da campanha e nós queremos que ele amplie ainda mais o seu papel, tenha outras funções, que seriam uma sobrecarga absurda. Ele tem viajado, participado de reuniões, dialogado com lideranças e articulado diálogos no segundo turno", declarou.
Edinho Silva negou, em entrevista à CNN Brasil, que Lula pretende anunciar que Alckmin comandará o Ministério da Fazenda em um eventual quarto mandato. Conforme revelado pela Reuters e confirmado pelo Estadão/Broadcast, a mudança é defendida por uma ala da campanha para atrair o eleitor de centro e agradar o mercado.
"O presidente Lula nunca falou em mudança de ministério, ele não tocou no assunto. Ministério você discute depois que você ganha a eleição. Ganhando a eleição, você começa a recompor o seu governo. Não está no radar do presidente Lula esse posicionamento agora", declarou o presidente do PT.
Ainda sobre Alckmin, Edinho disse que o vice-presidente está atuando para dialogar com lideranças políticas que ainda não estão no guarda-chuva petista para ampliar a aliança em defesa da reeleição de Lula.
"Geraldo Alckmin tem conduzido nossas conversas, ampliando nossas alianças e conversando com outras lideranças políticas do nosso País no sentido de nós ampliarmos nossa capacidade de apoio político à reeleição do presidente Lula", disse Edinho.
Correção de rota
Edinho Silva disse que o "governo precisa fazer correção de rotas" para o segundo turno e precisa "ampliar e buscar setores" que não estiveram com Lula no primeiro turno. Edinho, porém, reforçou o confronto entre dois projetos de País diferentes: um liderado por Lula e pelo PT e outro por Flávio Bolsonaro (PL), que, na opinião dele, representa riscos em benefícios sociais, por exemplo.
"Brasil quer correr o risco de acabar com programas sociais, com o Farmácia Popular, vamos lembrar que o governo Bolsonaro acabou com o Farmácia Popular? Quer acabar com o reajuste do salário mínimo, com o reajuste das aposentadorias?" disse ao SBT News nesta terça-feira.
Edinho afirmou que Lula é quem "tem autoridade para continuar mudando" o País. Citou diversos programas sociais e dados econômicos para justificar seu argumento. Também falou que é preciso buscar outros setores de centro que não estiveram com o PT no primeiro turno.
Questionado sobre as estruturas de palanques regionais neste segundo turno, o presidente do PT disse que o fato de muitos Estados terem definido suas eleições no primeiro turno não significa que esses palanques estejam "desmobilizados".
Edinho afirmou que "Lula tem uma margem imensa de crescimento de votos no Nordeste e no Sudeste" para este segundo turno. Também afirmou que é preciso que a campanha petista se concentre para que eleitores que se abstiveram no primeiro turno se sintam motivados a ir às urnas no segundo turno.
O presidente do PT criticou o senador Flávio Bolsonaro e disse que ele é contra o fim da escala 6x1. Associou o candidato do PL à retirada de benefícios sociais que ficaram muito associados com o PT nos últimos anos.
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