Prêmio 'Lugares Incríveis para Trabalhar' será entregue na terça-feira, 27
Iniciativa da FIA Business School, em parceria com o 'Estadão', avalia clima organizacional, liderança e políticas de recursos humanos
A FIA Business School e o Estadão realizam nesta terça-feira, 27, a entrega do prêmio Lugares Incríveis para Trabalhar. A iniciativa avaliou 489 empresas e ouviu mais de 210 mil profissionais sobre clima organizacional e gestão de pessoas. O levantamento revelou que as companhias reconhecidas apresentam menor taxa de rotatividade, índices inferiores de estresse e esgotamento mental, além de maior transparência em planos de carreira e incentivo ao equilíbrio entre trabalho e vida pessoal.
Será realizada na terça-feira, 27, a cerimônia de premiação da nova edição do prêmio Lugares Incríveis para Trabalhar, uma iniciativa da FIA Business School em parceria com o Estadão. O prêmio reconhece as empresas que se destacaram pelas práticas de gestão de pessoas e pela qualidade no ambiente de trabalho. A seleção é baseada na percepção dos trabalhadores e na avaliação das políticas adotadas pelas organizações para desenvolver e reter talentos. Ao todo, 489 empresas participaram da pesquisa, que ouviu mais de 210 mil profissionais sobre as experiências no ambiente de trabalho.
A pesquisa considera tanto a experiência da equipe no dia a dia quanto as iniciativas estruturadas pelas áreas de Recursos Humanos. O objetivo é avaliar como as empresas constroem o clima e a cultura, desde as oportunidades de desenvolvimento de carreira até a atuação de líderes, a comunicação interna e a qualidade de vida no trabalho.
As organizações são divididas em três categorias, de acordo com o número de empregados: empresas com até 300, de 301 a 1,5 mil e com mais de 1,5 mil. Também podem ser reconhecidas companhias que se destacam em temas específicos de gestão de pessoas.
Em comparação com 2025, houve aumento de 8% no número de empresas participantes, de acordo com Lina Nakata, pesquisadora da FIA e uma das coordenadoras da iniciativa. A edição também reconheceu dez empresas a mais do que no ano anterior.
"Ano a ano, as empresas têm percebido que receber um diagnóstico sobre a jornada dos colaboradores é fundamental para planejar e implementar melhorias voltadas à gestão de pessoas. Sem escuta e sem dados, não é possível ser efetivo com o capital humano, que demanda esforços, desenvolvimento e direcionamento", afirma Lina.
Como os empregados avaliam o ambiente de trabalho
A metodologia do prêmio disponibiliza dois questionários. Um deles é respondido pelos trabalhadores, que avaliam aspectos da experiência profissional na organização. O outro é preenchido pelo responsável pela área de RH, que apresenta as práticas de gestão de pessoas adotadas pela empresa.
O levantamento contempla temas como aprendizagem, carreira, comunicação, diversidade e questões ambientais e de governança, inovação e autonomia, liderança, qualidade de vida no trabalho, reconhecimento e recompensa e relações interpessoais.
A avaliação da equipe tem o maior peso no resultado final. O índice de Clima Organizacional representa 60% da nota geral. O índice de Gestão de Pessoas, baseado nas práticas informadas pela empresa e submetidas à avaliação técnica, corresponde a 25%. Os outros 15% são distribuídos entre conexão dos profissionais com a organização, liderança e avaliação do principal executivo.
A participação na pesquisa não garante a premiação. Após uma etapa inicial de análise dos questionários e das pontuações, as empresas pré-classificadas avançam para uma auditoria conduzida por especialistas da FIA Business School.
Nessa fase, são verificadas as práticas de gestão de pessoas declaradas pelo RH, considerando aspectos como consistência, abrangência, tempo de implementação e resultados. As informações apresentadas pelas organizações precisam corresponder às iniciativas efetivamente adotadas.
Inconsistências entre as respostas e as práticas verificadas podem reduzir a pontuação e até levar à desclassificação da empresa. A análise também considera denúncias consistentes feitas por participantes da pesquisa.
Empresas reconhecidas pelo prêmio relatam menor estresse
As empresas reconhecidas pelo prêmio têm uma proporção menor de empregados que relatam estresse e esgotamento mental. Juntos, os dois indicadores atingem 13% dos profissionais das organizações premiadas, ante 18% nas demais empresas participantes da pesquisa. O levantamento também identificou diferenças em práticas como dimensionamento de equipes, atualização de equipamentos e ações para equilibrar trabalho e vida pessoal.
Uma das diferenças identificadas pela pesquisa está na organização do trabalho. Entre as empresas reconhecidas como "Lugares Mais Incríveis", 58% adotam estudos para dimensionar as equipes de acordo com o volume de trabalho, ante 22% das demais participantes.
As ações voltadas ao equilíbrio entre trabalho e vida pessoal também são mais frequentes entre as premiadas com 64%, ante 26% das outras empresas participantes.
Para Lina, a saúde física, o sono, a alimentação e o equilíbrio financeiro também influenciam a percepção dos profissionais sobre a experiência de trabalho. "O bom ambiente de trabalho ganha sustentação quando as práticas chegam à rotina das pessoas e as responsabilidades são compartilhadas. E nesse processo, o papel da liderança é fundamental", diz Lina.
Remuneração, inovação e liderança na linha de frente dos critérios da pesquisa
A pesquisa também aponta diferenças nas políticas de carreira e remuneração. A divulgação formal dos planos de carreira e dos requisitos para avançar profissionalmente é adotada por 55% das empresas reconhecidas, ante 15% das demais. A transparência sobre oportunidades internas também se destaca. A divulgação de vagas para integrantes da própria equipe antes da busca por candidatos externos ocorre em 87% das empresas reconhecidas, ante 64% das demais.
Outro indicador é a participação nos lucros ou resultados, presente em 63% das organizações premiadas e em 29% das outras participantes. As diferenças aparecem também na rotatividade. As empresas premiadas apresentam uma taxa de turnover quatro pontos porcentuais menor do que as demais participantes, segundo os dados da FIA.
Para Lina, um ambiente de trabalho favorável depende de escolhas concretas de gestão. "Critérios claros para remuneração e carreira, recursos para trabalhar e gestores preparados ajudam a sustentar essa relação", afirma.
A pesquisa ainda mostra que 79% das empresas premiadas cobram formalmente dos gestores a responsabilidade de oferecer feedback aos profissionais, contra 53% das demais. A orientação para que líderes tolerem erros não intencionais durante iniciativas de inovação também é mais comum entre as reconhecidas: 48%, contra 20%.
"Quando os gestores delegam essa função para a área de RH, as políticas e práticas da organização perdem força e não acontecem", afirma.
A identificação dos empregados com os valores da organização é outro indicador favorável às empresas premiadas. Segundo a pesquisa, 73% dos profissionais dessas empresas dizem estar totalmente adaptados à cultura organizacional, em comparação com 63% nas demais. Nas companhias com 50 a 300 profissionais, o índice chega a 79%.
A corrida digital acrescenta um novo desafio à gestão de pessoas. Metade da equipe das empresas reconhecidas declara utilizar inteligência artificial no trabalho, enquanto 27% do total de profissionais ouvidos na pesquisa percebem algum risco de substituição de seus empregos por novas tecnologias.
Pesquisa também oferece indicadores às empresas participantes
Além de concorrer ao prêmio de reconhecimento, as organizações que completam as etapas previstas na pesquisa têm acesso básico à plataforma desenvolvida pela FIA para apresentar indicadores e permitir comparações com empresas de referência.
A ferramenta permite que as áreas de RH acompanhem os resultados gerais da organização e identifiquem pontos de atenção na experiência dos empregados. As empresas que participaram de edições anteriores também podem consultar dados históricos para avaliar a evolução do clima organizacional.
As inscrições para a edição começaram em agosto de 2025 e terminaram em 31 de maio de 2026. As empresas tiveram até 30 de junho para concluir as etapas de coleta de dados. As auditorias foram previstas para julho, com a comunicação dos resultados entre agosto e setembro, de acordo com o cronograma da pesquisa.
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