Petróleo volta a subir e supera US$ 100 antes de bloqueio naval dos EUA ao Irã
O mercado global de energia abriu a semana em forte alta após anúncio de bloqueio do Estreito de Ormuz
Os preços internacionais do petróleo voltaram a operar em forte alta, na manhã desta segunda-feira, 13, refletindo o fracasso na negociação de paz entre Estados Unidos e Irã. Enquanto a Marinha americana se preparava para bloquear a passagem de navios para o Irã pelo Estreito de Ormuz, o petróleo já estava sendo negociado acima de US$ 100 por barril.
Receba as principais notícias direto no WhatsApp! Inscreva-se no canal do Terra
Na abertura do pregão, por volta das 8h30, o barril do tipo Brent, referência mundial, registrou uma alta de quase 8%, sendo negociado a US$ 102,39. Já o petróleo West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, avançava US$7,50, ou 7,8%, para US$104,07, após uma perda de 1,33% na sessão anterior após o cessar-fogo temporário.
No domingo, 12, os Estados Unidos anunciaram que às 11h (horário de Brasília) desta segunda-feira, 13, faria um bloqueio direcionado a portos iranianos no Estreito de Ormuz, depois que as negociações do fim de semana não conseguiram chegar a um acordo para encerrar o conflito de seis semanas com o Irã.
Em comunicado, o Comando Central dos EUA informou que o bloqueio será aplicado a embarcações que entrem ou saiam de portos e áreas costeiras iranianas, incluindo instalações no Golfo Pérsico e no Golfo de Omã.
Antes do anúncio militar dos EUA, a Guarda Revolucionária do Irã havia afirmado ter controle total sobre o tráfego na região e ameaçado reagir a qualquer tentativa de intervenção.
No domingo, em publicação nas redes sociais, o presidente Donald Trump disse que seu objetivo era limpar o estreito de minas e reabri-lo para toda a navegação, mas que o Irã não deveria ter permissão para lucrar com o controle da hidrovia.
"Com efeito imediato, a Marinha dos Estados Unidos, a melhor do mundo, iniciará o processo de BLOQUEIO de todos os navios que tentarem entrar ou sair do Estreito de Ormuz", disse Trump. "Qualquer iraniano que atirar contra nós ou contra embarcações pacíficas será EXPLODIDO!"
Autoridades iranianas reagiram à ameaça de Trump com firmeza. O presidente do parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que o país não cederá a pressões, enquanto o comandante da Marinha, Shahram Irani, classificou as ameaças americanas como infundadas.
Como pode funcionar o bloqueio?
Um bloqueio dos EUA aos portos iranianos provavelmente significaria que os navios iranianos, que conseguiram transitar pelo Estreito de Ormuz em meio à guerra, não poderiam mais fazê-lo, e que outros navios que ficaram retidos em portos ou no mar poderiam começar a transportar suprimentos por essa rota.
Isso representaria uma inversão da abordagem dos EUA até o momento. Mesmo enquanto os Estados Unidos atacavam o Irã, autoridades americanas tomaram medidas que permitiram o fluxo de petróleo iraniano para limitar a pressão sobre os preços da energia em todo o mundo.
No mês passado, Scott Bessent, secretário do Tesouro, afirmou que os Estados Unidos estavam permitindo que petroleiros iranianos atravessassem o estreito para manter o abastecimento global. Os Estados Unidos também suspenderam temporariamente as sanções ao petróleo iraniano no mar, permitindo sua venda para a maioria dos países, incluindo os Estados Unidos, por um mês.
Alguns analistas econômicos defenderam que os Estados Unidos bloqueiem o fluxo de petróleo iraniano como forma de acabar com seu controle efetivo sobre o estreito.
Robin J. Brooks, pesquisador sênior da Brookings Institution, argumentou que a dependência do Irã das exportações de petróleo significa que o país não poderá se dar ao luxo de continuar atacando navios quando sua própria economia sofrer um impacto. No domingo, ele afirmou em uma publicação nas redes sociais que um bloqueio "coloca em colapso o modelo de negócios do Irã".
Mas as autoridades iranianas, que estão bem cientes da pressão sobre o Sr. Trump em decorrência da alta dos preços da energia, parecem despreocupadas. Em uma publicação nas redes sociais no domingo, o presidente do Parlamento iraniano e principal negociador do país, Mohammad Bagher Ghalibaf, escreveu: "Aproveitem os preços atuais da gasolina. Com o tal 'bloqueio', logo vocês sentirão falta da gasolina a US$ 4 ou US$ 5. (*Com informações da Reuters e Estadão)