Passagens aéreas devem ficar mais caras no Brasil com conflito no Oriente Médio
A disparada do petróleo encarece combustível da aviação e já pressiona tarifas aéreas no exterior
A a escalada da crise no Oriente Médio tem levado companhias aéreas mundo afora a rever tarifas e sobretaxas. Isso tem ocorrido porque o preço do petróleo disparou, encarecendo o querosene de aviação. Antes dos ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, o querosene de aviação era comercializado na faixa dos US$ 90. Com a crise, os preços dispararam, atingindo patamares próximos a US$ 200.
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No Brasil, o repasse ainda não foi integralmente sentido porque a Petrobras realiza ajustes mensais em sua tabela de preços para as distribuidoras, baseando-se na média do câmbio e das cotações internacionais do mês anterior. Como o ataque dos Estados Unidos e de Israel ao Irã ocorreu em 28 de fevereiro, o reajuste anunciado pela estatal no início de março ainda refletiu os preços praticados antes da escalada do conflito.
No entanto, caso o petróleo se mantenha em alta, um reajuste será inevitável nas próximas semanas, pressionando ainda mais o valor das passagens domésticas. Em 1º de março, o reajuste da estatal a distribuidoras foi de 9,4%. Na prática, isso significou um aumento de R$ 0,31 por litro em relação ao preço do mês anterior. Em abril, o reajuste pode ser bem maior, pois vai refletir a média do câmbio e das cotações internacionais deste mês.
Técnicos do setor afirmam que o combustível é a segunda maior despesa das companhias aéreas, depois da mão de obra, representando, em geral, de um quinto a um quarto das despesas operacionais. Assim, segundo analistas, sem um alívio no preço a curto prazo, as companhias aéreas em todo o mundo poderão ser obrigadas a manter milhares de aeronaves em solo ou aumentar o preço das passagens.
De acordo com a Reuters, os voos diretos de Seul para Londres em 11 de março com a Korean Air Lines, por exemplo, passaram de US$ 564 sete dias antes para US$ 4.359. Nos Estados Unidos, os custos também avançaram rapidamente. Segundo o Financial Times, a disparada do preço do combustível pode acrescentar US$ 11,6 bilhões às despesas das quatro maiores companhias aéreas americanas em 2026.
Na Ásia, as companhias aéreas Korean Air Lines, a Air New Zealand e a Cathay Pacific, de Hong Kong, também aumentaram os preços das passagens. A Air New Zealand informou ter elevado as tarifas de ida na classe econômica em NZ$ 10 (cerca de R$ 30,70) em voos domésticos, NZ$ 20 (R$ 61,37) em rotas internacionais de curta distância e NZ$ 90 (R$ 276) nas de longa distância.