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Parceria entre Suzano e Kimberly-Clark se chamará Arbex e terá Schalka no comando do conselho

CEO da nova empresa, que já nasce como uma das maiores do mundo em papel tissue e produtos de higiene, vem da Kimberly e ficará baseado em Londres; companhia de US$ 3,4 bilhões de receita tem 22 fábricas em 14 países

1 jul 2026 - 09h44
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A Suzano concluiu a aquisição de 51% do capital social da FamPro Tissue Holdings, que futuramente se chamará Arbex. Com isso, ela se torna a controladora da joint venture com a Kimberly-Clark Corporation (K-C), anunciada em junho do ano passado, por US$ 1,7 bilhão. A nova empresa terá o brasileiro Walter Schalka como presidente do conselho.

Em fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a Suzano afirmou que a operação foi liquidada com o pagamento total de US$ 1,3 bilhão (cerca de R$ 6,7 bilhões). O montante considera a estrutura de capital inicial da joint venture, que apresenta dívida líquida total de aproximadamente US$ 1 bilhão, decorrente de financiamento realizado para realizar a transação. O preço ainda poderá passar por ajustes usuais para esse tipo de operação.

Fábrica da Suzano: nova fase após joint venture com Kimberly Clark
Fábrica da Suzano: nova fase após joint venture com Kimberly Clark
Foto: Divulgação/Suzano / Estadão

A Arbex inicia suas operações como uma das maiores empresas de papéis tissue e produtos de higiene do mundo, com presença em mais de 70 mercados em cinco continentes. A joint venture de US$ 3,4 bilhões irá fabricar, vender e distribuir produtos para consumidores e clientes profissionais. Terá 22 fábricas localizadas em 14 países.

A nova empresa assume a propriedade dos ativos anteriormente administrados pela unidade de Family Care Internacional e Professional (IFP) da Kimberly-Clark, incluindo um portfólio com mais de 40 marcas regionais. A empresa também detém uma licença de longo prazo para utilização de marcas globais da Kimberly-Clark.

Ehab Abou-Oaf, que liderava o negócio IFP da Kimberly-Clark, assume o cargo de Chief Executive Officer (CEO) da Arbex. Ele ficará em Londres, ao lado da maior parte da liderança global da companhia.

"Em um cenário global cada vez mais dinâmico e em constante transformação, a Arbex inicia sua trajetória com uma posição sólida, e acreditamos que podemos contribuir para moldar o futuro do setor de papéis tissue e de produtos de higiene", afirmou o executivo, em nota à imprensa. Segundo ele, a prioridade imediata é garantir uma transição tranquila e contínua para os funcionários, clientes e consumidores em todo o mundo.

Com a consumação do negócio, as partes assinaram um contrato de joint venture para definir direitos e obrigações ligados à governança, gestão, controle e operação da sociedade, refletindo a posição da Suzano como sócia controladora.

Também foram celebrados contratos acessórios, incluindo acordos de serviços de transição, pelos quais a Kimberly-Clark prestará determinados serviços por período limitado para assegurar a continuidade operacional, além de contratos de licença e uso de propriedade intelectual e outros instrumentos comerciais e operacionais.

Além de Schalka, que é ex-diretor-presidente da Suzano e atual membro do conselho da companhia, a companhia detalhou sua estrutura de governança. Como conselheiros, foram indicados Carlos Aníbal Fernandes de Almeida Junior (vice-presidente executivo da Europa da Suzano), Fabricio Bloisi Rocha (CEO da Prosus e da Naspers e fundador e presidente do conselho do iFood), Jeffrey Melucci (Chief Strategy, Business Development & Administrative Officer da Kimberly-Clark) e Nelson Urdaneta (CFO da Kimberly-Clark).

Luís Bueno, vice-presidente executivo de Bens de Consumo da Suzano, foi indicado como diretor de Operações. A diretoria financeira ficará com Oscar Mousinho, ex-CFO Global de Pet Nutrition na Mars e ex-CFO da Kimberly-Clark Brasil, América Central e Caribe. Caroline Carpenedo, vice-presidente executiva de Gente & Gestão e Segurança da Suzano, será diretora de Pessoas, Sustentabilidade, Comunicação e Marca Corporativa.

Citi vê busca por fluxo de caixa livre após conclusão do negócio

O Citi afirmou que a conclusão da transação é um marco fundamental para a empresa brasileira, após a significativa saída de caixa associada à aquisição. Em relatório, os analistas Gabriel Barra e Pedro Ferreira De Mello disseram que uma parcela significativa dos volumes da joint venture deve ser consolidada a partir do terceiro trimestre de 2025, ainda que provavelmente não de forma integral. A consolidação completa, na visão do banco, está prevista do quarto trimestre de 2025 em diante.

Agora, eles esperam que a prioridade dos investidores se volte para a capacidade da Suzano de reconstruir a geração de fluxo de caixa livre, apoiada por menores despesas de capital após a conclusão do ciclo de investimentos, alocação de capital disciplinada, políticas de hedge e volumes operacionais.

O banco também atualizou seus preços de celulose, com redução das estimativas para 2027 para US$ 591 por tonelada, mas afirmou que ainda acredita que a Suzano continua sendo uma boa proteção para investidores em real (moeda). O Citi disse não ver a empresa precificando o fluxo de caixa livre de 2027 e avaliou que a falta de catalisadores no curto prazo justifica o desempenho fraco das ações.

O Citi manteve recomendação de compra para as ações da Suzano, com preço-alvo de R$ 65, o que representa um potencial de valorização de 63,5% ante o fechamento do papel no pregão de terça-feira.

Estadão
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