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'Oportunismo', '1º teste': Flávio e Lula iniciam disputa do 2º turno em embate sobre fim da 6x1

Proposta, bandeira eleitoral do petista, enfrenta resistência da oposição, que tenta barrar a discussão para esvaziar o ativo do candidato à reeleição

6 out 2026 - 21h14
(atualizado às 21h16)
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Resumo
Na disputa pelo segundo turno presidencial, Lula e Flávio Bolsonaro entraram em embate sobre a PEC que extingue a escala 6x1 e reduz a jornada para 40 horas semanais sem corte de salário. Em debate no Senado, o petista cobra apoio da oposição e trata a votação como um teste para o PL. Já Flávio acusa o rival de oportunismo eleitoral e defende liberdade para o trabalhador escolher sua carga horária. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, prevê votar a proposta na próxima semana.

BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), que disputarão o segundo turno da eleição à Presidência da República, entraram em embate nesta terça-feira, 6, sobre o fim da escala 6x1. A proposta, bandeira eleitoral do petista, enfrenta resistência da oposição, que tenta barrar a discussão para esvaziar o ativo do candidato à reeleição.

O Senado iniciou nesta terça-feira, 6, a primeira sessão de debate da PEC em plenário. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), afirmou que o primeiro turno da votação da proposta pode ocorrer na semana que vem, antes do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro.

Flávio e Lula iniciam disputa do 2º turno em embate sobre fim da 6x1
Flávio e Lula iniciam disputa do 2º turno em embate sobre fim da 6x1
Foto: Arte/Estadão / Estadão

'Oportunista'

Mais cedo, Flávio afirmou que tem uma proposta "infinitamente melhor" do que a PEC em discussão no Senado.

"Eu tenho uma proposta infinitamente melhor do que essa proposta que está na mesa, que é dar liberdade para o trabalhador escolher a sua própria carga horária", disse Flávio em entrevista à imprensa em Brasília.

O senador afirmou, por exemplo, que existem mães que precisam cuidar dos filhos e, por isso, não podem trabalhar em uma jornada diária de oito horas. "E eu vou resolver dois problemas de uma vez só em situações como essa. Não apenas eu vou garantir a creche para essa mãe, porque ela vai ter um voucher que garanta uma vaga na creche privada, caso ela não consiga a vaga na creche pública, e ela possa montar a sua jornada de trabalho diária. Por exemplo, trabalhar quatro horas por dia", detalhou.

O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro reforçou que o cerne de sua proposta é dar liberdade aos empregados. "Quem quer trabalhar mais, vai trabalhar mais. Quem quer trabalhar menos, quem não consegue trabalhar mais, vai ter o direito de priorizar outras coisas na sua vida", disse.

O senador também chamou a atual proposta de oportunista e criticou o timing da votação, próximo das eleições. "O governo Lula, em quatro anos de governo, não faz. Agora, no meio do segundo turno, ele vem de uma forma oportunista querer fazer um movimento, achando que isso vai dar voto para ele", declarou.

'Primeiro teste para o PL'

Já o presidente Lula tentou colar em seu adversário a pecha de que ele é contra a redução da jornada de trabalho.

"Meu adversário vai ter de tomar uma decisão, se ele vai mandar a bancada do partido dele votar favorável ao fim da jornada de trabalho 6x1 ou vai aprovar a nova escala, para descansar dois dias em casa. Na hora que o Senado começar a votar, as máscaras vão cair. Vamos ver quem quer que o povo tenha um povo mais digna", disse o presidente em seu QG de campanha nesta terça.

"O fim da escala 6x1 é o primeiro teste para que o PL diga o que quer desse País", declarou. Lula disse que a proposta "é um desejo muito grande da sociedade" e que "é preciso dar civilidade ao mundo do trabalho".

"Estou confiante de que o presidente Alcolumbre vai colocar em votação. Estou confiando que o Senado vai repetir a decisão que já foi tomada pela Câmara. E estou confiante que o PL vai demonstrar se tem coragem ou não de votar a favor do fim dessa escala que faz as pessoas trabalharem seis dias. Quem mentiu até agora e não falou a verdade, chegou o dia D. Vai ter que dizer se vai ou não votar", declarou.

Lula disse que "estão tentando atrapalhar a votação [da PEC do fim da 6x1] para que ela não aconteça e a sociedade está de olho". Está todo mundo na expectativa de que o [Davi] Alcolumbre está cumprindo com o que prometeu: depois do primeiro turno, ele ia colocar em votação na primeira semana a mudança na jornada de trabalho sem a mudança de salário".

"Espero que aconteça hoje ou amanhã", afirmou o presidente sobre a votação. "A partir da votação de hoje, a sociedade vai começar a conhecer quem é quem na política desse País."

Tramitação

A PEC foi aprovada na Câmara dos Deputados no final de maio, mas Alcolumbre só destravou a tramitação no Senado em agosto, depois de se reaproximar de Lula. Ambos estavam rompidos desde abril, quando o Senado rejeitou a indicação do ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, para ocupar uma cadeira no STF.

A PEC reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, com limite de oito horas diárias, e assegura dois dias de repouso semanal remunerado, um dos quais preferencialmente aos domingos. A proposta também estabelece que a implementação da medida nos contratos ocorrerá sem redução salarial.

A proposta permite que uma lei complementar institua medidas transitórias de mitigação de impactos em favor dos microempreendedores individuais, das micro empresas, e das empresas de pequeno porte, condicionadas à manutenção dos níveis de emprego.

Segundo a PEC, após dois meses da publicação da emenda, a duração do trabalho normal não poderá exceder 42 horas. Após um ano, a jornada cai para 40 horas./Gabriel Hirabahasi, Gabriel de Sousa, Daniel Tozzi, Mariana Ribas, Mateus Maia e Danielle Brant

Estadão
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