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'O mercado vai continuar atrativo para os produtos da Vale', diz executivo da mineradora

Gustavo Pimenta, vice-presidente executivo de Finanças e Relações com Investidores, afirma que companhia é otimista sobre o futuro do aço por ser um material fundamental para a transição energética

11 jun 2024 - 14h49
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RIO - O vice-presidente executivo de Finanças e Relações com Investidores da Vale, Gustavo Pimenta, disse nesta terça-feira, 11, que o mercado vai continuar atrativo para os produtos da companhia, mesmo com as incertezas no cenário da China. Também afirmou que, em linha com outras companhias do setor, viu seu custo de produção, para a mercadoria no porto, aumentar em 50% nos últimos anos. O executivo participou do programa Live Cenários com Sonia Racy, na TV Estadão.

"Somos otimistas sobre o futuro do aço porque é fundamental para a transição energética", afirmou, citando a aplicação do produto em equipamentos relacionados à energia renovável, como parques eólicos. O mundo vai seguir demandando aço, disse, e há regiões em diferentes fases de desenvolvimento do setor. "Há mercados que quase não foram tocados ainda, como a África", citou, lembrando ainda que o setor vem crescendo bastante no Oriente Médio.

Sobre o futuro da transição energética, o executivo frisou que ainda não está claro de onde sairão os recursos para custear o processo. "A conta para transição não é pequena, os produtos vão ficar mais caros", apontou. "A questão é quem vai pagar a conta."

No bojo da discussão sobre combustíveis, Pimenta afirmou que o desenvolvimento do hidrogênio passa pela elaboração de uma regulação adequada. "A regulação correta, que estimula investimentos, é importante. É preciso fechar essas regulamentações", disse, lembrando ainda que a regulação de hidrogênio e carbono são novas e estão em discussão em todos os países.

Ainda sobre o hidrogênio, o executivo apontou as vantagens do combustível produzido a partir de fontes renováveis 100% verdes. Porém, disse, o produto ainda não é o mais econômico. "Só vai ganhar escala quando for econômico", disse, citando que as pessoas passaram a adotar a geração solar e eólica quando as modalidades ficaram mais baratas. Ainda assim, Pimenta se mostrou otimista. "Tem uma série de oportunidades para acelerar o hidrogênio, estamos confiantes que vai ganhar escala."

Segundo Gustavo Pimenta, custos de produção das mineradoras, para mercadoria no porto, aumentaram 50% nos últimos anos
Segundo Gustavo Pimenta, custos de produção das mineradoras, para mercadoria no porto, aumentaram 50% nos últimos anos
Foto: Reprodução/TV Estadão / Estadão

Gustavo Pimenta explicou que a descarbonização da cadeia produtiva tem a missão de reduzir as emissões do setor de aço, que responde por 8% do volume global. Para isso, a Vale aposta em seu minério de ferro de alta qualidade e em minerais como cobre e níquel.

"A mineração pode ser grande indutora da transição energética, facilitar desenvolvimento de fontes energéticas", disse, citando que o Brasil é, se não o mais, um dos mais competitivos do mundo em energia renovável. "O Brasil tem oportunidade de criar cadeia de produção 100% verde", afirmou, observando, porém, que outros países também observam a oportunidade de negócio e estão nessa corrida.

Indagado sobre a competição com os EUA, onde subsídios apoiam o processo de transição energética, Pimenta lembrou que o Brasil não tem a capacidade fiscal dos EUA, mas tem condições de geração de energia limpa e econômica e viabilizar projetos tão competitivos quanto os dos EUA, mas com menor subsídio.

O CFO da Vale afirmou ainda que os custos de produção das mineradoras, para mercadoria no porto, aumentaram 50% nos últimos anos, inclusive para a gigante brasileira. Também afirmou que os competidores têm mais vantagem logística, por estarem mais perto dos clientes. Disse ainda que eles cresceram bastante, então estão com grau de escala maior, mas a Vale tem a vantagem da alta qualidade de sua produção. "Ainda temos os melhores minerais da indústria. Isso tem valor enorme na transição energética."

Os produtos com menor pegada de carbono, avaliou Pimenta, vão obter prêmios ainda melhores, favorecendo a Vale. "Estamos muito bem posicionados no jogo de transição energética", concluiu.

Eventos climáticos adversos

Pimenta disse ainda que os eventos climáticos adversos são cada vez mais frequentes e têm impacto direto na estabilidade operacional da companhia, que vem investindo nos pontos mais vulneráveis para se proteger.

"Temos observado volatilidade maior dos eventos climáticos. Têm ficado mais adversos e com mais frequência", disse, citando impactos em operações em portos, ferrovias e minas.

"Procuramos ter a cada dia mais proteção contra eventos climáticos adversos", disse, pontuando que a Vale busca soluções de engenharia para garantir a estabilidade das operações mesmo em condições adversas. "A gente aloca capital para se proteger onde está mais vulnerável a eventos climáticos".

A Vale, ainda segundo Pimenta, fez um compromisso de investir de R$ 20 bilhões a R$ 30 bilhões no processo de descarbonização e já aplicou R$ 5 bilhões desse total. O executivo apontou que a transição energética enfrenta desafios diferentes em veículos de rua e equipamentos de mineração, como caminhões fora de estrada.

"A gente não acredita numa transição energética da noite para o dia", disse, citando que a companhia vai testar diferentes soluções, como biodiesel e amônia.

Indagado sobre eventual interesse da Vale em nióbio, o executivo disse que vê potencial para o material no processo de transição energética, mas que o produto não está no escopo da Vale. A mineradora, frisou, se foca em cobre e níquel no Brasil, dentre os metais de transição energética. "A gente tem apostado muito em minerais para transição energética, como cobre e níquel."

Estadão
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