Muito além dos EUA: ETFs de mercados emergentes são opção?
Durante anos, investir no exterior praticamente significava investir nos Estados Unidos. O domínio das big techs, a força do dólar e o desempenho consistente dos índices de Nova York levaram muitos investidores aos ativos americanos. No entanto, o cenário vem mudando, e os ETFs de mercados emergentes surgem como opção para surfar o bom desempenho de países que chamavam pouca atenção em outros contextos.
Com um dólar mais fraco, tensões geopolíticas e valuations elevados nas bolsas americanas, os mercados emergentes voltaram a ganhar espaço nas carteiras globais, inclusive superando o desempenho dos EUA.
Segundo Danilo Moreno, analista da Investo, o movimento favorável aos emergentes começou antes mesmo das recentes instabilidades internacionais.
"O ciclo favorável à classe de emergentes começou a se materializar ao longo de 2025, bem antes dos recentes eventos de instabilidade. O motor central desse movimento é o enfraquecimento do dólar americano", afirma.
O que explica a força dos emergentes?
De acordo com Moreno, a queda do dólar tem sido um dos principais vetores para a recuperação dos mercados emergentes.
Em 2025, o índice DXY, Que mede a força da moeda americana frente a uma cesta de divisas globais, acumulou queda de cerca de 9,4%, no pior desempenho desde os anos 1970.
Segundo o analista, a combinação entre expectativa de cortes de juros pelo Federal Reserve, preocupações fiscais nos Estados Unidos e mudanças na percepção de risco dos investidores ajudou a enfraquecer o dólar e redirecionar fluxos globais de capital.
"Quando o dólar perde força, o capital flui para ativos em outras moedas, e os mercados emergentes historicamente capturam essa rotação", explica.
Além da questão cambial, os emergentes também passaram a atrair atenção por negociarem com múltiplos inferiores aos das bolsas americanas e por apresentarem perspectivas de crescimento de lucros mais fortes nos próximos anos.
Segundo Moreno, os mercados emergentes entregaram retorno de aproximadamente 34% em dólar em 2025, contra cerca de 18% do S&P 500, na maior diferença favorável aos emergentes em 17 anos.
Por que investidores estão buscando mais diversificação?
Para o analista da Investo, o movimento também reflete uma mudança na forma como investidores enxergam a diversificação global.
"A concentração da bolsa americana atingiu níveis historicamente elevados, com poucas empresas respondendo por uma parcela desproporcional dos retornos", afirma.
Nos últimos anos, o peso crescente das gigantes de tecnologia americanas fez com que muitos portfólios internacionais ficassem excessivamente concentrados em um pequeno grupo de empresas.
Ao mesmo tempo, a cadeia global ligada à inteligência artificial passou a beneficiar não apenas companhias americanas, mas também mercados emergentes fortemente ligados à produção de semicondutores, hardware e infraestrutura tecnológica.
É o caso de países como Taiwan, Coreia do Sul e China, que ganharam relevância dentro da nova dinâmica tecnológica global.
Quais emergentes estão mais bem posicionados?
Segundo Moreno, existem hoje duas grandes frentes de destaque dentro do universo emergente.
A primeira é a Ásia, especialmente China, Índia e Taiwan.
"A China carrega o peso da exposição em inteligência artificial dentro do universo emergente, com avanços relevantes em modelos próprios e em hardware", afirma.
Segundo ele, a Índia continua sendo uma das principais histórias de crescimento estrutural do mundo, impulsionada por expansão demográfica, crescimento da classe média e reformas econômicas.
Já Taiwan permanece como peça-chave da cadeia global de semicondutores, setor considerado estratégico para o avanço da inteligência artificial.
A segunda frente apontada pela Investo é a América Latina.
América Latina ganha força em meio ao ciclo de commodities
Na avaliação de Moreno, a América Latina reúne fatores que raramente aparecem ao mesmo tempo: dólar mais fraco, valuations descontados e um ciclo favorável para commodities.
"A região é altamente exposta à exportação de matérias-primas e se beneficia diretamente da demanda crescente por metais e insumos ligados à infraestrutura de inteligência artificial", diz.
Países como Brasil, Chile e Peru aparecem entre os destaques desse movimento, especialmente pela exposição a petróleo, minério de ferro, cobre e lítio.
Além disso, segundo o analista, as moedas latino-americanas ainda negociam abaixo de suas médias históricas em termos reais frente ao dólar, o que poderia abrir espaço adicional para valorização cambial caso a moeda americana continue enfraquecendo.
Em 2025, o índice MSCI EM Latin America subiu cerca de 55%, enquanto em 2026 já acumulava alta próxima de 20% até maio, segundo dados citados pela gestora.
Como investir em mercados emergentes pela bolsa brasileira?
O avanço dos ETFs internacionais na B3 facilitou o acesso dos investidores brasileiros aos mercados emergentes.
Segundo Moreno, o principal produto da Investo voltado para essa estratégia é o IVWO11, ETF que replica o VWO, da Vanguard, um dos maiores ETFs de emergentes do mundo.
O fundo oferece exposição a centenas de empresas espalhadas por China, Índia, Taiwan, Brasil, México, Arábia Saudita, África do Sul e outros países emergentes em uma única cota negociada em reais na bolsa brasileira.
"É a forma mais direta de capturar o movimento estrutural a favor dos emergentes sem ter que escolher um país ou setor específico", afirma Moreno.
Para investidores que buscam posições mais específicas, a Investo também oferece o ARGE11, voltado para ações argentinas e ligado à tese de reformas econômicas no país.
Já o WRLD11 busca uma exposição mais ampla ao mercado global, combinando ações de países desenvolvidos e emergentes em uma única carteira.
Segundo Moreno, os produtos cumprem papéis diferentes dentro da estratégia internacional do investidor.
"O IVWO11 funciona como uma alocação estrutural em emergentes. Já o ARGE11 é uma posição mais tática e ligada a uma tese específica", complementa sobre os ETFs de mercados emergentes no portfólio da gestora.
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