Mercado Livre tem queda no lucro trimestral, apesar de salto na receita
O Mercado Livre registrou nesta quinta-feira um lucro líquido de US$417 milhões no primeiro trimestre, uma queda de 15,6% em comparação com o ano anterior e abaixo das expectativas dos analistas, devido aos investimentos em logística, expansão de crédito e frete grátis.
A empresa, que opera a plataforma de comércio eletrônico de mesmo nome e a fintech Mercado Pago, registrou um aumento de 49% na receita, atingindo US$8,8 bilhões no trimestre de janeiro a março, superando as projeções dos analistas de US$8,3 bilhões.
A empresa afirmou que a queda nos lucros -- o segundo trimestre consecutivo de declínio -- refletiu sua decisão de prosseguir com investimentos estratégicos visando ganhos de participação de mercado no longo prazo.
Os investidores têm acompanhado de perto o Mercado Pago e sua carteira de crédito em rápida expansão, após as ações terem caído no início deste ano devido a preocupações com o risco de crédito e o aumento dos custos de investimento.
"Estamos dispostos a sacrificar esses lucros de curto prazo porque acreditamos que a oportunidade vale a pena", disse Leandro Cuccioli, vice-presidente sênior de relações com investidores do Mercado Livre, em entrevista.
Apesar dos lucros abaixo do esperado, a receita do Mercado Livre refletiu o ritmo de crescimento mais acelerado da empresa desde o segundo trimestre de 2022, segundo a companhia.
O aumento foi impulsionado pelo Brasil, o principal mercado do Mercado Livre, onde uma decisão tomada no ano passado de reduzir o valor mínimo para frete grátis elevou os resultados acima das expectativas, afirmou a empresa em seu relatório de resultados. A medida "veio para ficar", acrescentou Cuccioli.
O número de compradores únicos no Brasil aumentou 32% em relação ao ano anterior, o ritmo mais acelerado em cinco anos, enquanto o número de itens vendidos subiu 56% em comparação com o ano anterior.
FORTE CRESCIMENTO DE CARTÕES DE CRÉDITO
Além da redução do valor mínimo para frete grátis, Cuccioli elogiou o investimento da empresa em seu braço de fintech, o Mercado Pago, e a rápida expansão de seus cartões de crédito como fatores de crescimento.
O Mercado Pago alcançou 83 milhões de usuários ativos mensais, um aumento de 29% em relação ao ano anterior, e a receita líquida do Mercado Pago atingiu US$4 bilhões no primeiro trimestre, um aumento de 51% em comparação com o ano anterior.
Os ativos sob gestão do Mercado Pago cresceram 77%, chegando a quase US$20 bilhões.
A carteira de crédito da empresa cresceu 87% em relação ao ano anterior, atingindo US$4,6 bilhões no trimestre, o maior aumento trimestral em termos nominais.
A carteira de cartões de crédito, por si só , mais que dobrou, atingindo US$6,6 bilhões em relação ao ano anterior, com o Mercado Livre emitindo 2,7 milhões de novos cartões.
O CEO Ariel Szarfsztejn, que assumiu o cargo em janeiro do cofundador Marcos Galperin, disse recentemente à Reuters que a venda de parte da carteira de empréstimos do Mercado Livre poderia permitir que a empresa apoiasse o crescimento regional do Mercado Pago.
Cuccioli disse que se sentia confiante em relação ao espaço para expandir o negócio, embora mantivesse a cautela.
"Se virmos que existe a oportunidade de expandir para mais cartões, faremos", disse ele. "Do ponto de vista do potencial do nosso negócio de cartões de crédito, ele pode ser 30, 40, 50 vezes maior."
A empresa não está considerando realizar uma oferta pública inicial (IPO) para o Mercado Pago, disse Cuccioli.
No geral, o Valor Bruto de Mercadorias (GMV) do Mercado Livre, ou seja, o valor total das mercadorias vendidas na plataforma, atingiu US$19 bilhões, um aumento de 42%.
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