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Lucro do C6 cresce 20% com receita recorde, mas inadimplência sobe e ROE recua

18 ago 2026 - 15h33
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O C6 Bank reportou nesta ‌terça-feira lucro líquido de R$1,257 bilhão no primeiro semestre de 2026, alta de 20% em relação ao mesmo período do ano anterior, com receita recorde e expansão robusta na carteira de crédito, mas também aumento de inadimplência e piora na rentabilidade.

A carteira de crédito expandida do banco, que tem como sócio o norte-americano JPMorgan Chase, somou R$99,8 bilhões, aumento de 38% ano ⁠a ano e 12% ante o final de 2025, com os empréstimos consignados -- públicos e privados -- ‌respondendo por 45% do portfólio atual, enquanto a parcela de financiamento de veículos alcançou 30% e a fatia de pessoa física atingiu 13%. 

O índice de inadimplência ficou em 3,6%, de 3,2% ‌um ano antes e 2,9% no final de dezembro. ‌Excluindo o impacto da Resolução CMN 4.966, que atualizou as regras contábeis para bancos, ⁠esse índice teria alcançado 2,6%, de 2,1% no mesmo intervalo de 2025 e 2% no final do ano passado. De acordo com o banco, o aumento ocorreu em razão principalmente do crescimento da carteira de crédito de consignado privado.

A expansão nessa linha de empréstimos também influenciou as provisões, que alcançaram R$2,372 bilhões na primeira metade do ano. Um ano antes, essa métrica mostrava R$996 ‌milhões. No segundo semestre de 2025, registrava R$1,521 bilhão. 

De acordo com o presidente-executivo do C6, Marcelo ‌Kalim, o aumento na inadimplência ⁠ficou um pouco acima ⁠do que o banco esperava no começo do ano.

"O primeiro semestre foi realmente mais desafiador em basicamente todas ⁠as linhas de pessoa física e também na linha ‌de pessoa jurídica", afirmou o ‌executivo à Reuters, ressaltando que o banco observou um arrefecimento nos últimos meses. 

"Em junho, julho e já em agosto nós estamos vendo uma melhora nesses indicadores (de inadimplência). Ainda estão em um patamar acima de 2025, mas mais em linha com o que o ⁠banco esperava que fosse", ressaltou. 

Ainda assim, Kalim reforçou que a instituição permanece com uma política de crédito conservadora. "Não dá para ficar otimista ainda, pelo contrário. O cenário é bastante desafiador. A renda das famílias está bastante comprometida. Empresas, nem se fala... os juros estão realmente muito altos."

De acordo com o executivo, a inadimplência um ‌pouco maior também respingou no retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE), que recuou a 38% na primeira metade do ano, de 43% um ano antes e 51% no segundo semestre de ⁠2025. "Foi um pouquinho abaixo do que gostaríamos... Mas ainda estamos bastante convencidos, não só pra esse ano, mas como para os próximos anos, de ter um ROE acima de 40%."

Mesmo com o tom cauteloso, a instituição registrou receita líquida recorde de R$6,268 bilhões de janeiro a junho, aumento de 47,9% em relação ao mesmo intervalo do ano passado, enquanto a linha de despesas operacionais passou a R$2,611 bilhões, incremento de 32,6%. O índice de eficiência atingiu 42% em junho de 2026, de 46% um ano antes.

O total de captações do banco cresceu 34% ano a ano, para R$125,6 bilhões, com os depósitos à vista aumentando cerca de 24% no mesmo período, enquanto as captações a prazo subiram 36%.

No primeiro semestre, com um total de ativos de R$170 bilhões, o C6 Bank passou a ser classificado como um banco S2 segundo a segmentação do Banco Central.   

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