Script = https://s1.trrsf.com/update-1790713512/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE
Publicidade

Líderes do G7 concordam em liberar estoques estratégicos de petróleo para conter alta dos preços

Os líderes do G7 reuniram-se virtualmente nesta sexta-feira (2) e concordaram em liberar até 100 milhões de barris de diesel e petróleo bruto nos próximos quatro meses, em meio à tensão no mercado internacional dos combustíveis. Os líderes das sete potências desenvolvidas acertaram não proibir as exportações entre os países-membros - medida que os Estados Unidos haviam ameaçado adotar.

2 out 2026 - 14h19
Compartilhar
Exibir comentários
Resumo
Sob pressão dos EUA, os líderes do G7 decidiram liberar estoques estratégicos de petróleo bruto e diesel para frear a disparada recorde dos preços dos combustíveis e aliviar a inflação global. Coordenada pela Agência Internacional de Energia, a ação busca mitigar os impactos da guerra no Oriente Médio e dos bloqueios no Estreito de Ormuz. Em troca, o governo americano descartou proibir exportações para a Europa, garantindo o abastecimento contínuo e provocando uma queda imediata nas cotações.

Para aliviar o mercado global, o governo americano pressionava a Europa a utilizar seus estoques de diesel e chegou a evocar a possibilidade de vetar as vendas de combustíveis para a União Europeia em caso de recusa. A Comissão Europeia havia alertado que a medida "abalaria nossa confiança nos Estados Unidos como parceiro confiável".

Presidente francês, Emmanuel Macron, comandou reunião do G7 por videoconferência sobre formas de conter o aumento dos combustíveis. (02/10/2026)
Presidente francês, Emmanuel Macron, comandou reunião do G7 por videoconferência sobre formas de conter o aumento dos combustíveis. (02/10/2026)
Foto: via REUTERS - LUDOVIC MARIN / RFI

Estoques "substanciais" de diesel serão colocados no mercado nos próximos 20 dias, segundo uma declaração dos países-membros do grupo, que não descartam "discutir a possibilidade" de liberar estoques "adicionais".

"Decidimos liberar estoques estratégicos de diesel e petróleo bruto sob a coordenação da Agência Internacional de Energia (AIE)", anunciou o presidente francês, Emmanuel Macron. O G7 é presidido por Paris este ano.

Além disso, "estamos todos comprometidos em garantir que não haja nenhuma proibição de exportação. O presidente Trump foi muito claro sobre esse ponto", acrescentou Macron.

Simultaneamente, o líder norte-americano afirmou em sua rede social, Truth Social, que "a Europa acabara de concordar em colocar no mercado uma grande quantidade de seu diesel amplamente estocado". "O processo começará imediatamente", garantiu Trump.

Impactos da guerra e dos bloqueios sobre preços e oferta

Essas decisões "devem reduzir os preços" dos combustíveis, que estão disparando devido à guerra no Oriente Médio, segundo o presidente francês.

Emmanuel Macron também indicou que os países do G7 concordaram em "trabalhar (...) para reduzir as margens das refinarias e os custos de transporte", que aumentaram significativamente com os bloqueios no estratégico Estreito de Ormuz.

A interrupção do abastecimento americano seria uma catástrofe para a UE, visto que 50% do diesel importado pelo bloco provém dos Estados Unidos. O mercado de petróleo já havia antecipado esses anúncios. As cotações do WTI americano caíram 5% por volta do meio-dia em Londres.

Emmanuel Macron conversou por telefone com Donald Trump na noite de quinta para sexta-feira. Ele ressaltou que os países do G7 - Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido - "tinham um interesse comum em agir de forma coordenada, sem restrições às exportações", segundo o Palácio do Eliseu.

O governo alemão, por sua vez, defendeu "soluções coordenadas" para "não perturbar ainda mais" os mercados.

Em março passado, os Estados-membros da AIE, incluindo os europeus, prometeram liberar gradualmente 400 milhões de barris de petróleo de seus estoques estratégicos, mas nem todos foram disponibilizados no mercado.

Recordes de preços

Os ataques ucranianos a infraestruturas energéticas russas e o bloqueio do Estreito de Ormuz pelo Irã prejudicam significativamente a produção mundial de diesel, embora refinarias em outras partes do mundo estejam operando em capacidade máxima para transformar petróleo bruto em combustível. A inflação na zona do euro subiu em setembro para o nível mais alto em três anos (3,8%), impulsionada pela disparada dos preços da energia decorrente do conflito no Oriente Médio.

Na UE, o preço do diesel na bomba acaba de atingir um novo recorde histórico, com uma média semanal de € 2,24 por litro. Nos Estados Unidos, esse combustível alcançou, no final de setembro, o patamar recorde de US$ 6,53 por galão (3,78 litros).

"Agricultores, transportadores rodoviários e empresas americanas não deveriam ter de arcar sozinhos com o peso de uma escassez global de diesel", havia declarado o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, antes desses anúncios, em um momento em que se aproximam as eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos, previstas para o início de novembro.

Na terça-feira, a Comissão Europeia já havia feito um gesto em direção às gigantes do setor de hidrocarbonetos e a Washington, ao propor o adiamento, em um ano, de sua legislação contra as emissões de metano, um gás de efeito estufa altamente poluente.

Com AFP

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
Compartilhar
TAGS

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

Publicidade
Meu Terra