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Lidar com a mudança climática na América Latina exige US$ 1,3 tri por ano, diz presidente do BID

Ilan Goldfajn defendeu a participação do setor privado e a necessidade de inovação para combater o aquecimento global na região

28 fev 2024 - 20h02
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O presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Ilan Goldfajn, defendeu nesta quarta-feira, 28, que é preciso escalar os investimentos e atrair o setor privado para ajudar a combater as mudanças climáticas.

Só na América Latina, cálculos indicam ser preciso investir US$ 1,3 trilhão por ano para enfrentar essas mudanças, o equivalente a 12% do Produto Interno Bruto (PIB) da região por ano. Se tudo o que vem sendo repassado à região pelos diversos organismos multilaterais entrar na conta, o montante chega a 3%, ou seja, menos do que é necessário.

"Com os desafios que enfrentamos com as mudanças climáticas, quanto mais eu vejo, mais me convenço de que precisamos fazer a diferença", disse.

Apenas escalar os investimentos não é suficiente, argumentou o presidente do BID, mas é importante para lidar com o problema. "Precisamos escalar, trazer o setor privado com a gente. Precisamos inovar", afirmou Goldfajn.

O presidente do BID mencionou os direitos especiais de saque (SDR, na sigla em inglês), a moeda do Fundo Monetário Internacional (FMI). "Cada SDR alocado no balanço do BID, significa que podemos emprestar até sete a oito vezes mais."

Se o BID conseguir, em recursos, o que planeja, pode ter mais US$ 112 bilhões em capacidade de empréstimo do que tem agora. "Isso significa que podemos triplicar nossas finanças para o clima", disse ele, falando que podem saltar de US$ 50 bilhões para US$ 150 bilhões nos próximos dez anos. "Isso significa que podemos fazer muito mais."

Reunião anual

Na próxima semana, na República Dominicana, o BID fará sua reunião anual. Pela primeira vez, o banco multilateral discutirá três questões transformacionais ao mesmo tempo, disse Goldfajn. Será um encontro para definir a nova estratégia institucional até 2030; a reunião também vai definir a nova capitalização do BID, e os recursos para o BID Lab, o braço para investimentos em inovação e tecnologia.

O BID tem aumentado a participação em emissões de dívida sustentáveis, como fez com o Uruguai recentemente, disse Goldfajn.

Ele contou que a instituição tem se empenhado também no "debt swap", troca de dívidas de países mais pobres, uma das medidas que o governo brasileiro tem defendido no G-20. No ano passado, o BID participou do processo de conversão de dívida do Equador, que vai investir metade da poupança com a conversão nas ilhas Galápagos.

O ex-presidente do Banco Central participou de um evento do BID, paralelo à reunião ministerial do G-20, que tem o Brasil como presidente, em uma mesa que teve, entre outros convidados, a diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva.

Estadão
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