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Japão planeja administrar melhor recursos destinados à intervenção no iene, mostra esboço

24 jun 2026 - 08h31
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O governo ‌do Japão pretende examinar formas de aprimorar a gestão de suas reservas cambiais de US$1,3 trilhão, um colchão utilizado para futuras intervenções no iene, segundo o esboço de relatório para estratégia de crescimento analisado pela Reuters nesta quarta-feira.

Os planos refletem o desejo do governo de aumentar o retorno sobre as ⁠reservas e ajudar a repor suas finanças, enquanto a primeira-ministra Sanae Takaichi ‌se compromete com gastos proativos para sustentar a quarta maior economia do mundo.

"O governo analisará os méritos de melhorar a gestão e fazer uso ‌mais eficaz dos ativos detidos pelo setor público, ‌incluindo a conta especial do fundo cambial, levando em consideração suas ⁠finalidades", apontou o esboço sobre a estratégia, peça central da agenda política de Takaichi.

Tóquio retomou a intervenção no final de abril, quando a moeda ultrapassou 160 por dólar, com uma operação de compra de ienes no valor de US$73 bilhões, levando a uma queda recorde de 5,6% nas reservas em ‌maio, o que destacou os limites de uma intervenção sustentada e em grande ‌escala.

O esboço da estratégia ⁠não detalha mudanças ⁠específicas na alocação de ativos das reservas, que foram acumuladas durante intervenções anteriores de compra ⁠de dólares e acredita-se que estejam, ‌em grande parte, investidas em ‌títulos dos Estados Unidos.

A maior parte do superávit das reservas, incluindo os rendimentos dos Treasuries, é transferida para a conta geral como fonte de financiamento para o orçamento do Estado.

Takaichi afirmou certa vez que ⁠as reservas eram uma das principais beneficiárias do iene fraco e estavam "tendo um desempenho muito bom", uma observação que algumas autoridades do governo interpretaram como um sinal de que ela esperava usar o superávit para financiar um plano polêmico de suspensão do imposto sobre ‌o consumo de alimentos.

Alguns parlamentares, tanto do partido governista quanto da oposição, estão propondo reunir as reservas internacionais, as participações do banco central em ⁠ETFs e os ativos de previdência em um fundo soberano, em busca de retornos mais elevados.

Autoridades do governo, no entanto, afirmaram que alterar drasticamente a composição da carteira das reservas seria irrealista, uma vez que as reservas são mantidas principalmente como fonte imediata de recursos para intervenção cambial.

"Seria difícil buscar retornos de uma forma que fosse contrária ao objetivo das reservas", disse uma fonte familiarizada com o assunto que não quis se identificar, já que o relatório é confidencial.

"Embora seja compreensível buscar lucros maiores, tais estratégias podem comprometer a segurança das reservas, o que poderia ser visto de forma negativa pelos mercados", disse Akira Moroga, estrategista-chefe de mercado do Aozora Bank.

O Japão é o maior detentor estrangeiro de Treasuries.

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