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IPCA tem deflação de 0,32% em agosto e fica dentro do teto da meta

11 set 2026 - 12h04
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Resumo
O IPCA registrou deflação de 0,32% em agosto de 2026, a queda mais intensa em quatro anos, puxada principalmente pela energia elétrica residencial e pelos combustíveis. Com o resultado, o acumulado em 12 meses desacelerou para 4,22%, mantendo-se dentro do teto da meta contínua de inflação. O cenário reforça as apostas do mercado em um corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic pelo Banco Central, apesar de analistas alertarem para riscos como a persistente pressão no setor de serviços.
IPCA
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Foto: Suno

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou deflação de 0,32% em agosto de 2026, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (11). O resultado é a primeira queda do índice desde agosto de 2025 (-0,11%) e a mais intensa em quatro anos, vindo abaixo da expectativa do mercado, que projetava recuo de -0,29%.

O acumulado em 12 meses o IPCA ficou em 4,22%, desacelerando frente aos 4,44% registrados até julho e representando o menor nível desde fevereiro, quando a marca estava em 3,81%. A leitura permanece dentro do intervalo de tolerância da meta de inflação pelo segundo mês consecutivo.

O sistema de metas contínuas, em vigor desde janeiro de 2025, define objetivo de 3,0% para o IPCA, com banda entre 1,5% e 4,5%.

Quais grupos puxaram a deflação do IPCA?

Quatro grupos registraram deflação em agosto: Habitação (-1,87%), Transportes (-0,86%), Alimentação e bebidas (-0,34%) e Comunicação (-0,09%). Juntos, retiraram -0,51 ponto percentual do índice.

A energia elétrica residencial foi o item de maior impacto negativo, com queda de -4,55% e contribuição de -0,21 ponto percentual. A variação reflete a mudança da bandeira tarifária amarela, vigente em julho, para a bandeira verde em agosto. A gasolina recuou -1,60%, com impacto de -0,10 ponto percentual; o etanol caiu -2,11% e o óleo diesel, -1,05%.

Dentro do grupo Alimentação e bebidas, puxaram para baixo as hortaliças e verduras (-4,01%), o leite e derivados (-3,12%), as frutas (-2,87%) e as carnes (-2,03%). A alimentação fora do domicílio, por outro lado, subiu 0,44%, com alta de 0,52% em lanches e 0,40% em refeições.

Do lado das altas, os destaques foram Saúde e cuidados pessoais (+0,47%), Educação (+0,26%), Despesas pessoais (+0,22%) e Vestuário (+0,21%).

Cenário do Banco Central e debate sobre a Selic

Para Gustavo Sung, economista-chefe da Suno, o resultado de agosto "contribui positivamente para o cenário do Banco Central, principalmente nas métricas mensais de alguns segmentos". Segundo ele, a média dos núcleos de inflação registrou alta de 0,23% no mês, menor do que em julho, e ficou abaixo de 4% no acumulado. Nas médias móveis de três meses com ajuste sazonal, os núcleos desaceleraram e, na grande maioria, estão abaixo do limite superior da meta.

O economista destaca, porém, um ponto de atenção. "Os serviços subjacentes rodam agora em 4,85%, ante 4,58% em julho, e os serviços intensivos em mão de obra em 7,30%, ante 7,08% em julho". O cenário, segundo ele, indica aceleração nesses segmentos.

Para Sung, o dado de agosto "corrobora os dados anteriores de inflação e, somado à desaceleração da atividade econômica, dá ao Banco Central mais certeza para um corte de juros de 0,25 ponto percentual" na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) da semana que vem.

O economista aponta, no entanto, que o balanço de riscos "segue assimétrico e altista". Entre os fatores de preocupação, ele cita a resiliência dos serviços, o calendário eleitoral com possível pressão cambial, e a possibilidade de um El Niño forte no fim do ano, que pode impactar os preços de alimentos no fim de 2026 e no início de 2027. Sung acrescenta que as expectativas de inflação para os prazos mais longos "seguem desancoradas, o que reduz a margem do Banco Central para cortes futuros".

O próximo dado do IPCA, referente a setembro de 2026, será divulgado pelo IBGE em outubro de 2026.

Suno
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