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Investidores de tecnologia se reposicionam em um mundo com menor liquidez e com maior presença de IA

Centenas de pessoas assistiram a palestras de fundos de diferentes portes no Brazil at Silicon Valley (BSV), evento patrocinado pelo 'Estadão' aberto nesta terça-feira, 22, na Califórnia

22 abr 2025 - 19h30
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ENVIADA ESPECIAL A SUNNYVALE - Em um mercado com menos liquidez e onipresença da inteligência artificial (IA), as várias pontas de financiamento às empresas de tecnologia vivem um momento de inflexão. Ao mesmo tempo que veem um mar de oportunidades em diferentes frentes e regiões, fundos de investimento de porte variados tentam entender e se posicionar em relação à captações e como conseguirão retorno nesse novo cenário. Essa foi a tônica de painéis apresentados na manhã desta terça-feira no Brazil at Silicon Valley (BSV). O Estadão é patrocinador do evento, que se estende até esta quarta-feira, 23.

Na manhã de sol na Califórnia, cerca de 700 pessoas se juntaram no auditório do Google MP7, em Sunnyvale. Entre bicicletas coloridas que permeiam a sede do Google, a comunidade ligada ao empreendedorismo de tecnologia brasileiro ouviu nomes importantes do setor, que deram amplos panoramas de diferentes frentes, como o futuro da mobilidade, perspectivas de venture capital (investimentos em empresas iniciais) e investidores privados.

Movimentação de profissionais do Google em Sunnyvale, cidade da Califórnia onde se realiza o evento
Movimentação de profissionais do Google em Sunnyvale, cidade da Califórnia onde se realiza o evento
Foto: Pedro Kirilos/Estadão / Estadão

Na visão dos palestrantes que falaram sobre formas de financiamento, a IA deixou de ser um tema na escolha das empresas investidas: é uma obrigação. "Há alguns anos, quando a inteligência artificial ainda era algo novo, diferenciávamos empresas que eram AI das que não eram", diz Anna Piñol, sócia do fundo especializado em empresas em estágio inicial NFX. "Hoje em dia, não há mais essa separação."

Para Maria Tereza Azevedo, diretora de investimentos do SoftBank para América Latina, já existe uma linha clara separando as empresas escolhidas para receber aporte e serem bem-sucedidas nessa nova demanda: são aquelas que têm dados proprietários e domínio dessa expertise. "Investidores estão buscando empresas que integrem IA de forma eficaz em suas operações e em sua rede de negócios", disse ela. "Para quem não tem essa clareza ou ainda continua buscando um caminho para a lucratividade, o financiamento continua sendo muito difícil."

'Estamos muito animados com o potencial da América Latina, especialmente Brasil e México, onde as empresas estão fazendo um grande avanço nessa fronteira', diz Maria Tereza Azevedo, do SoftBank
'Estamos muito animados com o potencial da América Latina, especialmente Brasil e México, onde as empresas estão fazendo um grande avanço nessa fronteira', diz Maria Tereza Azevedo, do SoftBank
Foto: Pedro Kirilos/Estadão / Estadão

Esse entrave pode ser facilmente visualizado em números. Entre 2021 e 2024, o capital levantado pelos fundos de venture capital caiu 55% e o valor dos negócios recuou à metade. As saídas dos investidores, por sua vez, diminuíram quase 80%. Por outro lado, os investimentos em IA e aprendizado de máquina também caíram, mas apenas 7% — e já representam metade do valor investido. Além disso, a América Latina atraiu US$ 4,3 bilhões desses fundos no ano passado, quase cinco vezes em relação a uma década anterior.

Isso tem feito com que os fundos busquem empresas que deem retorno mais rapidamente e alcancem o valor de mercado estimado no momento do investimento num período mais curto. "Felizmente, graças à IA, vemos uma nova tendência surgindo de companhias formadas por equipes muito pequenas e que geram retorno", afirma Anna. "Uma nova métrica que temos usado é o rendimento por empregado."

Outra métrica, segundo Mariana Moura, cofundadora da 23S Capital, é a liquidez baseada em investimentos. "É uma forma de permanecer mais tempo nas empresas, sem a necessidade de desinvestir num momento não muito interessante", diz ela.

Evento discute no Vale do Silício os desafios e as oportunidades para as empresas em sua jornada digital
Evento discute no Vale do Silício os desafios e as oportunidades para as empresas em sua jornada digital
Foto: Pedro Kirilos/Estadão / Estadão

O fechamento do mercado para IPOs (oferta inicial de ações, na sigla em inglês) tem feito com que a perspectiva de saída seja mais restrita a investidores privados. Os que tiverem liquidez viverão um momento bastante interessante para aquisições na América Latina. "Os empreendedores da região levam vantagem frente aos demais pelo fato de estarem acostumados à volatilidade e à incerteza", diz Maria Tereza.

Animação com o potencial da América Latina

Por outro lado, na corrida pela IA, os fundos internacionais, após fazer grandes investimentos nos EUA, veem uma febre em espalhar a tecnologia em outras geografias. Foi o que aconteceu com o SoftBank, que liderou uma rodada de investimentos de US$ 40 bilhões na OpenAI.

"Estamos muito animados com o potencial da América Latina, especialmente Brasil e México, onde as empresas estão fazendo um grande avanço nessa fronteira", diz Maria Tereza. "Vemos isso em diferentes companhias que investimos e também na prevenção de fraudes e outras tantas áreas: está em nosso coração e avançamos firmemente."

Segundo os especialistas, os investidores norte-americanos começam a ampliar seu radar sobre o empreendedorismo digital em diferentes países — sobretudo na Índia e no Leste Europeu. "Há muitas oportunidades ao redor do mundo", afirma Chris Douvos, fundador do fundo de investimentos Ahoy Capital. Para os investidores, é uma oportunidade porém também um desafio, já que será preciso sair da zona de conforto ao buscar novas oportunidades.

Para as empresas que almejam conseguir aportes, o conselho dos especialistas é, mesmo com a falta de liquidez, tentar entender se o fundo que fará o investimento combina com seus objetivos. "Tive milhares de primeiras reuniões nos últimos dez anos e é muito mais interessante quando os fundadores compartilham seu ponto de vista e tentam descobrir se estamos alinhados a eles do que quando tentam dizer o que acham que queremos ouvir", afirma Julian Skotheim, diretor da Stanford Management Company, que investe os recursos da universidade e tem US$ 43 bilhões sob gestão. "Investimento é uma relação de décadas, que precisa ser honesta."

Estadão
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