'Imagine se risco País subir por essa decisão artificial, diz Durigan sobre imputação de terrorismo
Ministro da Fazenda afirmou que sistema financeiro se preocupa com a designação de PCC e CV como organizações terroristas pelos EUA, que ele chamou de 'deplorável'
BRASÍLIA - O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o sistema financeiro se preocupa com a designação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos Estados Unidos, num momento em que o chamado risco Brasil tem caído sistematicamente, segundo ele.
"Imagine se esse risco Brasil começar a subir por conta de uma decisão artificial como essa, em que se gere uma preocupação no investidor de que o Brasil é uma área de risco", citou em entrevista à GloboNews na noite desta sexta-feira, 29.
"Pode ter, sim, aumento de risco País, o investimento direto - que em 2024 o Brasil foi o primeiro país e, em 2025, o segundo a receber mais investimento direto - pode ficar comprometido. O investidor que não acompanha o dia a dia pode ter uma avaliação", prosseguiu.
Segundo ele, pode haver um impacto macroeconômico em várias frentes. "A gente tem também falado com as agências de risco para proteger a economia brasileira contra esse tipo de medida lamentável", completou.
Na sequência, ele garantiu que o governo brasileiro fará "todo o esforço", e não haverá prejuízo ao uso do Pix pela população brasileira. Ele disse trabalhar para garantir que não haja diminuição de nota do Brasil por agências e não haja impacto para os bancos e fintechs.
"Têm aparecido dúvidas, questões como na 301 (investigação dos EUA sobre o Brasil) sobre o Pix, e a gente vê claramente quem coloca o Pix em dúvida, quem fragiliza, quem põe o Pix em perigo. É esse tipo de questionamento que tem sido amplamente comentado pela família Bolsonaro, o que é muito ruim para o País", afirmou. "Mostra que quem está defendendo o Pix somos nós, que estamos aqui de todas as formas, fazendo um esforço grande para abrir diálogo, manter a institucionalidade do país, a democracia e esse tipo de infraestrutura fundamental."
O ministro ainda disse que a avaliação da decisão dos EUA é multifacetada e que a Polícia Federal (PF) estuda impactos nos protocolos a serem seguidos, uma vez que o Brasil é signatário de tratados contra o terrorismo. Disse também haver preocupação da Receita Federal para manter a cooperação com os EUA em operações.
Ele afirmou que as instituições financeiras brasileiras irão fortalecer regras e colaboração internacional para rechaçar a imputação. "Vamos fortalecer a colaboração internacional rechaçando e dizendo que é deplorável essa medida que atrapalha a economia e empresas brasileiras", disse Durigan, durante rápida entrevista ao Jornal Nacional nesta noite.
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