Script = https://s1.trrsf.com/update-1779108912/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE
Publicidade

Economia alemã segue sem sinais de recuperação

29 mai 2026 - 17h36
Compartilhar
Exibir comentários

Relatório do Conselho Alemão de Especialistas Econômicos reduz previsões de crescimento, aponta alta da inflação e expõe pressões estruturais, energéticas e fiscais que dificultam a retomada prometida pelo governo Merz.O relatório mais recente do Conselho Alemão de Especialistas Econômicos, um órgão consultivo independente, não trouxe notícias animadoras para o chanceler federal da Alemanha, Friedrich Merz. Na quarta-feira (27/05), ele ouviu de cinco economistas que compõem o grupo uma avaliação negativa do cenário econômico.

Loja fechada em Bonn, na Alemanha. Economia do país segue estagnada
Loja fechada em Bonn, na Alemanha. Economia do país segue estagnada
Foto: DW / Deutsche Welle

"Infelizmente, tivemos de reduzir a previsão de crescimento apresentada neste relatório", disse a presidente do Conselho, Monika Schnitzer, antes da reunião. "Agora esperamos que o Produto Interno Bruto (PIB) cresça apenas 0,5% neste ano e 0,8% no próximo."

O PIB mede o valor total de todos os bens e serviços produzidos e é o indicador da força econômica de um país. Já a taxa de inflação — ou seja, a alta dos preços — deve subir para 3% em 2026.

Os números entram em choque com o que Merz prometeu como sua principal prioridade ao assumir o governo em maio de 2025: recolocar a economia nos trilhos.

Frustração entre empresas alemãs

Líderes empresariais vêm expressando um descontentamento crescente com o governo. As principais associações industriais afirmam que, desde o fim da Segunda Guerra Mundial, a posição competitiva da Alemanha na economia global nunca foi tão precária.

Um em cada quatro empregos no país está ligado ao setor industrial. Durante décadas, as exportações alemãs de automóveis, máquinas, produtos químicos e farmacêuticos prosperaram, e o país colheu os frutos disso. Desde a prolongada desaceleração econômica iniciada em 2019, porém, as empresas alemãs vêm perdendo competitividade global, e exportadores questionam abertamente se ainda é possível reverter o quadro.

Preços da energia dispararam

Ao final do ano passado, havia alguma esperança de que a economia finalmente começasse a reagir em 2026. Mas a guerra no Irã atrapalhou esses planos. Os preços do óleo de aquecimento subiram 40%, e gás e eletricidade também devem continuar ficando mais caros.

Antes da guerra no Irã, 20% do consumo global de petróleo e gás natural liquefeito passava pelo Estreito de Ormuz, ao largo da costa iraniana. Mas, assim como a política tarifária do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o bloqueio tem afetado o mundo inteiro.

"Tarifas e a crise energética estão atingindo a economia alemã de forma particularmente dura, porque o país é ao mesmo tempo exportador de bens e importador de combustíveis fósseis", explicou o economista austríaco Gabriel Felbermayr, recentemente nomeado para o Conselho Alemão de Especialistas Econômicos.

Ao mesmo tempo, cresce a pressão competitiva nos mercados globais, especialmente da China. Em 2025, o país asiático voltou a aumentar o volume de bens exportados para a Europa, ampliando a concorrência com a Alemanha, que tem no continente europeu seu principal mercado de exportação, afirmou Felbermayr. "Isso impõe uma enorme pressão sobre as indústrias alemãs tanto no mercado interno quanto em terceiros mercados."

Menos crianças e mais aposentados

A falta de crescimento econômico também evidencia os problemas estruturais enfrentados pela Alemanha, como o rápido envelhecimento da população. Nos próximos anos, os baby boomers alcançarão a idade de aposentadoria.

Ao mesmo tempo, a expectativa de vida aumenta, a taxa de natalidade continua caindo e a imigração para a Alemanha está em declínio. Além disso, à medida que a população envelhece, também sobem os custos com cuidados de saúde e assistência de longo prazo.

No país, os fundos de seguridade social são financiados por contribuições de empregados e empregadores. Atualmente, essas contribuições representam pouco mais de 42% dos custos da folha de pagamento. "Sem reformas, a taxa combinada de contribuições para todos os programas de seguro social vai ultrapassar 50% até 2040", estima a presidente do Conselho, Schnitzer.

Será necessário conter gastos e estabilizar receitas. O Conselho recomenda que a geração mais velha contribua mais para os custos. De modo geral, afirmou Schnitzer, é preciso "fazer reformas que também resultem em encargos financeiros reais". Seu colega Achim Truger, no entanto, discorda, por temer que isso gere dificuldades para a população.

É justamente por isso que a coalizão governista formada pelas conservadoras União Democrata Cristã (CDU)/União Social Cristã (CSU) e pelos social-democratas (SPD) encontra tantas dificuldades para implementar reformas. Ainda não está claro quais dos bilhões em cortes planejados serão efetivamente adotados. Uma proposta para exigir contribuições mais altas ao seguro de cuidados de longo prazo de pessoas sem filhos também gerou críticas.

Preocupações com o orçamento

Especialistas também têm manifestado preocupação com a política fiscal do governo federal. Eles afirmam que os elevados gastos financiados por dívida com o fortalecimento militar e a reforma da infraestrutura deteriorada da Alemanha não virão sem custos. O déficit orçamentário deve chegar a 3,7% do PIB neste ano e a 4,3% em 2027 — bem acima dos 3% permitidos pelos critérios de estabilidade da União Europeia.

Apenas uma retomada econômica poderia ajudar, e os especialistas têm algumas sugestões. Eles consideram importante apostar no progresso tecnológico como motor da força econômica.

Mas reconhecem que startups, sozinhas, não serão suficientes e que a indústria alemã precisa de uma mudança fundamental de mentalidade. Segundo eles, as empresas devem redirecionar seus investimentos do setor automotivo para áreas de alta tecnologia e saúde, onde há grandes volumes de pesquisa e desenvolvimento.

Deutsche Welle A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
Compartilhar
TAGS

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra