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IA pode oferecer 'atalho' histórico para países em desenvolvimento, diz Banco Mundial

Principal ganho não é substituir trabalhadores, mas aumentar capacidade produtiva e ampliar serviços em áreas carentes de profissionais e capacidade estatal, segundo relatório

4 ago 2026 - 11h21
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A inteligência artificial (IA) pode oferecer um "atalho" histórico para países em desenvolvimento. Com ação rápida, essas nações poderiam alcançar em uma década avanços que levariam um século, segundo o Relatório sobre o Desenvolvimento Mundial 2026 do Banco Mundial.

O estudo aponta que o principal ganho para essas economias não é substituir trabalhadores, mas aumentar sua capacidade produtiva e ampliar serviços em áreas carentes de profissionais e capacidade estatal.

Embora o risco de automação por IA generativa seja bem menor em países de baixa e média renda (4,5% dos empregos) do que nos de alta renda (14,2%), o potencial de aumento de produtividade é relevante e semelhante: 16,2% dos empregos nas economias em desenvolvimento podem ter ganhos significativos, perto dos 18,7% nas economias ricas.

O relatório destaca usos já em curso: apoio a diagnósticos na saúde, melhores decisões agrícolas, aumento de eficiência em empresas e melhoria de políticas públicas (arrecadação, programas sociais, resposta a desastres, educação e saúde).

A IA poderia elevar o desempenho econômico antes do fim dos anos 2020, desde que os países aproveitem ferramentas acessíveis e as ajustem ao contexto local, segundo o estudo.

Países devem adaptar soluções aos contextos locais

O Banco Mundial alerta que a oportunidade oferecida pela IA não é automática para países em desenvolvimento, já que os sistemas mais avançados estão concentrados em poucas nações e empresas.

Esse quadro pode ampliar desigualdades entre nações e internamente, além de concentrar poder de mercado, enfraquecer a confiança pública e criar riscos à segurança, direitos e coesão social.

Para evitar isso, o relatório do Banco Mundial propõe uma estratégia em três etapas. Os países devem adotar ferramentas já disponíveis e adaptar soluções ao contexto local.

As nações também podem avançar, com o tempo, rumo à IA de fronteira, evitando tentativas caras de "copiar" modelos avançados sem bases. O ponto de partida é investir no básico: energia, conectividade, competências e qualidade institucional.

O Banco Mundial cita a África Subsaariana, onde quase 1/3 das escolas rurais não tem eletricidade confiável e mais de 2/3 não têm internet estável, destacando iniciativas produtivas como a Mission 300, que busca levar energia a 300 milhões de pessoas até 2030.

Também são necessários mais capacidade computacional e dados locais (inclusive em línguas locais), além de ambientes que favoreçam testes, investimento e escala para empresas.

Como há muitos projetos-piloto, o desafio é medir o que funciona: evidências, habilidades e regras claras de compras públicas e avaliação.

Para construir confiança, o Banco Mundial recomenda começar com padrões voluntários do setor e cooperação internacional para evitar fragmentação regulatória. Quando insuficiente, aplicar leis existentes para mitigar danos, protegendo privacidade e evitando vieses em decisões governamentais.

Estadão
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