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FMI espera que BCE aumente juros em 0,5 ponto percentual em 2026

17 abr 2026 - 09h18
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O Banco Central Europeu (BCE) ‌deve elevar sua taxa básica de juros duas vezes este ano para combater um aumento da inflação impulsionado pela energia, mas deve reverter esses movimentos em 2027, disse o chefe do Departamento Europeu do Fundo Monetário Internacional (FMI) nesta sexta-feira.

"Em nosso cenário de referência, esperamos que o ⁠BCE aumente as taxas em cerca de 50 pontos-base em 2026 para ‌manter uma postura monetária neutra", disse Alfred Kammer, chefe do Departamento Europeu do FMI, à Reuters.

"Depois, em 2027, as taxas poderão cair novamente. ‌Se quisermos manter as taxas de juros ‌reais constantes, precisaremos aumentar um pouco a taxa de juros ⁠nominal", disse ele à margem das reuniões de primavera do FMI e do Banco Mundial em Washington.

"Isso é o que nossos modelos, e esperamos que os modelos do BCE, recomendariam. Mas estamos tão incertos que eu não enfatizaria que essa é a nossa recomendação para o ‌BCE. Isso não é definitivo. Essa é apenas uma recomendação baseada em ‌modelos, com base no ponto ⁠em que ⁠estamos hoje", disse ele.

A principal taxa de juros do BCE está atualmente fixada em ⁠2%.

Kammer disse que a resposta ‌do BC da zona do ‌euro foi complicada pelo fato de que o problema era uma escassez de oferta, em vez de um aumento na demanda, que teria sido muito mais fácil de lidar.

O fechamento do Estreito ⁠de Ormuz em decorrência da guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã reduziu o fornecimento global de petróleo e gás em 20%, fazendo com que os preços da energia em todo o mundo disparassem e provocando cortes nas ‌previsões de crescimento econômico e projeções de inflação mais altas.

"O choque de preços vai deprimir a demanda, e podemos estar em um cenário ⁠em que o choque de preços deprima a demanda o suficiente para que não seja necessária a ação do banco central", disse Kammer.

"O BCE está em uma posição muito melhor (do que alguns outros bancos centrais) porque as expectativas de inflação estão ancoradas. Elas aumentaram, não em uma base de cinco anos, mas um pouco em uma base de um ano, e é basicamente isso que você tenta compensar com a linha de política nominal, esse aumento de um ano nas expectativas de inflação", disse ele.

"Não esperamos que as expectativas de inflação sejam desancoradas, mas... é preciso estar atento, pois queremos evitar efeitos de segunda ordem", disse Kammer.

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