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Embrapa anuncia na Agrishow parceria para oferecer plantio gratuito em troca de crédito de carbono

Serviço será executado por empresa canadense, que importou oito plantadoras de pequeno porte para permitir economia de fertilizantes e combustível

27 abr 2026 - 18h06
(atualizado às 18h30)
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A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) anunciou nesta segunda-feira, 27, durante a Agrishow, em Ribeirão Preto (SP), uma parceria com uma companhia canadense que prevê oferecer plantio gratuito a agricultores paulistas visando à geração de créditos de carbono.

A companhia é a Soil and Sky Aliance, que trouxe para o Brasil oito de suas plantadoras de pequeno porte que prometem economia de fertilizantes e combustível.

Uma dessas máquinas será testada na AgNest, fazenda experimental mantida pela Embrapa em Jaguariúna (SP) para desenvolver, validar e demonstrar novas tecnologias para o agro.

Os outros sete equipamentos serão disponibilizados a custo zero a agricultores paulistas. Será uma relação ganha-ganha, já que os produtores serão habilitados a gerar créditos de carbono, que serão vendidos no Canadá e nos Estados Unidos para grandes empresas, como Amazon, Microsoft e Shell.

Segundo Ailton Schoenberger, diretor de Negócios Internacionais da empresa, cada plantadora, que mede 1,5 metro, terá capacidade para plantar até 200 hectares por safra. Como serão sete máquinas, a área total, de 1,4 mil hectares, deverá beneficiar de 40 a 50 agricultores em um primeiro momento. Se os resultados forem avaliados como positivos, a expectativa é de importar mais máquinas.

Schoenberger afirma, ainda, que este modelo funciona na Índia e no México, mas a proposta brasileira traz uma novidade. Isso porque, nesses países, as máquinas são vendidas aos proprietários de terra, enquanto no Brasil não haverá custos de compra ou aluguel. "Escolhemos o Brasil para experimentar esse formato e a Agrishow para fazer o lançamento oficial", explica o diretor.

Ele diz, ainda, que a plantadora é adaptada para um plantio de vários tipos de cultura. O programa-piloto começa a funcionar na semeadura da safra 2026/27, entre setembro e outubro deste ano.

AgNest

Após a Agrishow, Schoenberger, que é brasileiro e mora no Canadá, pretende passar um mês em Jaguariúna para avaliar os resultados da plantadora que ficará na Agnest, projeto que começou a funcionar em 2024 por meio de uma parceria entre a Embrapa Meio Ambiente e a Impactability.

O objetivo é que a área experimental, de 66 hectares, seja gerenciada como uma fazenda comercial, para que os pesquisadores sintam as dores e percebam as demandas do campo in loco e, com isso, direcionem esforços para desenvolver inovações para o setor.

No início, havia quatro empresas parceiras. Atualmente, são 22, incluindo outras unidades.da Embrapa, Banco do Brasil e entidades como o Sistema Faesp/Senar, que acompanham testes com 18 soluções tecnológicas.

A presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, afirma que a parceria está alinhada ao objetivo da instituição — que durante a Agrishow comemora 53 anos de existência — de inserir a geração de créditos de carbono como ferramenta para agregar valor ao sistema produtivo.

"Nesse contexto, é importante trazer um dado sobre o papel da inovação no agro. Em 2025, avaliamos o impacto de 200 tecnologias desenvolvidas pela Embrapa. E apuramos que, a cada R$ 1 investido, a sociedade brasileira é recompensada com R$ 27. Além disso, essas tecnologias geraram, no ano passado, R$ 124 bilhões em impacto econômico, 17% do PIB Agrícola nacional. A agricultura de baixo carbono contribui para mostrar ao mundo que o Brasil é uma potência agroambiental".

Além da Soil, outra empresa que se tornou parceira da AgNest na Agrishow foi a Bosch.

Mathias Schelp, vice-presidente de Agricultura Inteligente da companhia, vê na parceria uma possibilidade de intercâmbio científico-tecnológico, ainda mais porque a fazenda da Embrapa está próxima de Campinas, onde fica a central de desenvolvimento da Bosch.

"A integração com um projeto experimental, como é a AgNest, vai nos permitir o contato com problemas reais e, com isso, antecipar demandas de mercado".

Milho transgênico

O avanço da AgNest é uma das atrações expostas no estande da Embrapa na feira. Entre outras tecnologias, a instituição apresenta o BTMax, primeiro híbrido transgênico de milho 100% brasileiro. A variedade, que chegou ao mercado em 2022 e agora ganha escala, foi desenvolvida em parceria com a Hélio Sementes.

A planta recebeu uma proteína da bactéria Bacillus thuringiensis, que tem propriedades inseticidas. Com isso, consegue reduzir a infestação da lagarta-do-cartucho, uma das principais pragas da cultura.

Segundo Pablo Arantes, coordenador de serviços técnicos da Biomatrix, uma das empresas que comercializam o híbrido, a praga raspa a folha e ingere a proteína, que assume um efeito tóxico.

Os testes feitos durante o desenvolvimento da variedade apontaram eficiência de até 90% no controle da lagarta. A tecnologia continua em aprimoramento, com a meta de ampliar esse índice.

Estadão
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