Ele ‘abrasileirou’ o clássico frango frito americano e hoje fatura mais de R$ 115 mi, com mais de 100 lojas em todo país
Carlos Júnior trocou sonho de morar nos EUA para transformar negócio da família em rede milionária
O frango frito é um dos fast foods mais populares dos Estados Unidos. A paixão pela iguaria ganhou força em 1930, com a criação do Kentucky Fried Chicken (KFC), rede fundada no estado do Kentucky, no sudeste americano. Décadas depois, o modelo atravessou fronteiras e encontrou espaço também no Brasil, mas com adaptações ao paladar nacional. É nessa aposta que o Grupo Frango no Pote (FNP) construiu um negócio que hoje fatura mais de R$ 115 milhões por ano.
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Com presença em 15 estados e 115 pontos de venda entre lojas físicas e operações digitais, a rede nasceu em Brasília e virou uma das principais marcas brasileiras especializadas em frango frito. Agora, a empresa projeta chegar a 400 lojas nos próximos anos e alcançar faturamento de R$ 1 bilhão.
À frente da operação está o CEO Carlos Jr., de 27 anos, que assumiu o comando da empresa ainda jovem e ajudou a transformar o negócio familiar em uma rede nacional. “A gente quer cada vez mais estar posicionando a marca como uma top player do mercado de frango frito, que é uma tendência mundial de consumo”, afirma.
A história começou em 2011, durante uma viagem da família aos Estados Unidos. O pai de Carlos Jr., conhecido como Carlão, trabalhava na área da educação, era formado em pedagogia e pós-graduado em administração escolar, mas sempre teve perfil empreendedor. Durante uma visita ao país, ele conheceu o tradicional frango frito americano e enxergou uma oportunidade de negócio.
“A concepção da ideia nasceu no Réveillon de 2011. Meu pai viu que não existia nada parecido em Brasília e pensou: ‘Por que não montar uma marca de delivery dentro de casa, com um frango frito abrasileirado?’”, relembra o CEO.
Na volta ao Brasil, a família investiu cerca de R$ 5 mil em três fritadeiras e um freezer. A operação começou improvisada na churrasqueira da casa da família, em Arniqueiras, no Distrito Federal. Os baldes usados para servir o frango eram potes de paçoca adesivados com a marca da empresa. A divulgação era feita pelo Orkut.
“No primeiro dia tivemos cinco pedidos e aquilo já foi uma felicidade enorme”, conta Carlos Jr. O negócio cresceu rapidamente. Em poucos meses, o movimento de motoboys no condomínio ficou intenso demais e a família decidiu abrir a primeira loja física, com delivery e salão.
A unidade faturava cerca de R$ 90 mil por mês e marcou o início da expansão. Pouco depois, a segunda loja foi aberta em Águas Claras, região conhecida pela concentração de prédios residenciais e forte demanda por delivery.
Foi também nesse momento que surgiu a ideia de transformar o negócio em franquia. Segundo Carlos Jr., um cliente chegou à loja com uma apresentação em PowerPoint explicando por que o Frango no Pote tinha potencial para franquear.
“Meu pai não acreditava muito no modelo de franquia. Mas esse cliente insistiu tanto que acabou virando sócio da empresa”, diz. A partir dali, a rede estruturou o modelo de expansão e abriu sua terceira unidade já no formato de franquia.
Carlos Jr. começou a atuar mais diretamente no negócio aos 15 anos. Apaixonado por gastronomia, ele vendia cookies e pão de mel na escola para ter renda própria. “Eu sempre quis minha independência financeira”, afirma.
Ao perceber a falta de padronização entre as lojas, decidiu ajudar na operação da marca. “Todo lugar que a gente ia tinha uma experiência diferente. Eu pensava: o Big Mac é igual aqui e no Japão, então a gente precisava criar consistência”, relembra.
Ele entrou oficialmente na empresa aos 16 anos, depois de antecipar o fim do ensino médio e iniciar a faculdade de gastronomia. Carlos passou a estruturar processos operacionais, fichas técnicas, fluxo de cozinha e desenvolvimento de produtos.
Mesmo trabalhando no Frango no Pote, ele ainda sonhava em morar fora do Brasil. Aos 18 anos, após se formar em gastronomia, mudou-se para os Estados Unidos. Lá, trabalhou como jardineiro, pintor, cozinheiro e motorista de aplicativo.
“Eu não queria pedir ajuda para o meu pai. Queria construir minha independência”, conta.
A virada aconteceu em 2018, quando recebeu uma ligação do pai informando que os sócios estavam deixando a empresa em meio a um cenário econômico difícil. Na época, a rede tinha 16 unidades e enfrentava dificuldades para crescer.
“Eu sentei na escada da casa onde morava e pensei: vou seguir meu sonho ou o sonho do meu pai? Aí tive um estalo. Pensei que, se eu ajudasse o Frango no Pote a crescer, poderia morar onde eu quisesse depois”, afirma.
Carlos voltou ao Brasil e assumiu a diretoria de operações da empresa. Com base nas experiências que teve nos Estados Unidos, implementou mudanças no delivery, na padronização e na gestão operacional da marca.
O resultado veio rápido. Em 2019, a empresa registrou crescimento de 93% no faturamento em relação ao ano anterior. No fim daquele ano, Carlos Jr. foi nomeado CEO.
“Meu maior desafio era mostrar que eu não estava ali apenas por ser filho do dono, mas pelos meus resultados profissionais”, afirma.
Pouco depois, veio a pandemia da Covid-19. Enquanto grande parte do setor de alimentação enfrentava incertezas, o Frango no Pote acelerou sua expansão impulsionado pelo delivery.
“A gente já estava preparado para esse movimento. Fizemos uma parceria muito forte com o iFood e crescemos muito durante a pandemia”, conta.
Segundo Carlos Jr., o principal diferencial do negócio está justamente na adaptação do produto ao gosto brasileiro. “Nosso propósito é nutrir o orgulho do sabor brasileiro”, afirma.
“O brasileiro pode até reclamar do país, mas quando fala da comida brasileira fala com orgulho. O nosso produto tem essa identidade: é um frango frito brasileiro, com muito sabor e pensado para o nosso público.”
Além do posicionamento de marca, o CEO destaca que o custo de implantação das lojas é mais acessível do que o de multinacionais do setor. Atualmente, o investimento inicial varia entre R$ 499 mil e R$ 599 mil, dependendo do modelo da unidade.
A empresa também aposta na expansão para cidades do interior, onde grandes redes internacionais têm menor presença. “O Brasil é muito maior no interior do que nos grandes centros. A gente consegue entrar em mercados onde multinacionais não chegam”, diz.
Agora, o grupo prepara uma nova fase de crescimento. Além da abertura de novas unidades, a companhia também trabalha no fortalecimento da marca FNP, sigla que passou a ganhar mais destaque recentemente.
“Quando a gente fala FNP, conseguimos construir uma marca mais moderna e até mais internacional”, afirma o CEO.
O objetivo de longo prazo é transformar o Frango no Pote em uma marca global de origem brasileira.
“Queremos criar experiências que inspirem orgulho em ser brasileiro. Nosso sonho é liderar o segmento de fast food no Brasil e construir um legado que celebre a cultura brasileira em cada refeição”, conclui.
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