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Economistas apostam em taxa de juros estável em 2016

No Boletim Focus divulgado antes da reunião do Copom, mercado apostava em elevação da Selic em janeiro

21 jan 2016 - 14h09
(atualizado às 14h20)
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Após o Banco Central surpreender parcialmente os mercados ao deixar a taxa básica de juros inalterada em 14,25% ao ano, diversos economistas revisaram as projeções para manutenção da Selic neste patamar em 2016. 

O patamar de juros em 14,25% deve ser mantido por mais tempo do que o mercado previa anteriormente
O patamar de juros em 14,25% deve ser mantido por mais tempo do que o mercado previa anteriormente
Foto: Gustavo Kahil / O Financista

Embora as condições domésticas e internacionais citadas pelo BC já fossem observadas pelos economistas, as sinalizações da autoridade monetária desde a última reunião - em novembro - de que daria início a um novo ciclo de aperto monetário para pressionar a inflação justificavam a expectativa de aumentos dos juros.

No Boletim Focus mais recente, divulgado antes da reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), o mercado apostava em elevação da Selic em 0,50 ponto percentual em janeiro, 0,50 ponto em março e mais 0,25 ponto em abril, subindo para 15,50%, patamar que seria cortado para 15,25% em outubro e mantido até o fim de 2016. 

No entanto, após uma aparente pressão do governo, o BC se mostrou mais preocupado com a deterioração da atividade econômica do que com a meta de inflação.

“É difícil compreender totalmente a mudança rápida do BC, especialmente porque os dados de inflação e expectativas e de atividade econômica não mostraram qualquer mudança surpreendente recentemente. Além disso, mesmo que o estresse nos mercados financeiros tenha sido significativo desde o início do ano, o BC já havia feito comunicação oficial com essa informação disponível”, observam os analistas do Nomura, João Pedro Ribeiro e Mario Robles.

Neste cenário, a decisão reforça a percepção de que o BC “se rendeu à pressão do governo e de que não tem autonomia”, segundo João Paulo de Gracia Corrêa, superintendente da SLW Corretora. 

Mario Mesquita, ex-diretor do BC e economista do banco Brasil Plural, acredita que a ata do Copom, a ser divulgada na próxima quinta-feira (28), provavelmente indicará a intenção de manter a taxa de juros estável “por um período suficientemente longo”, em linha com a estratégia de comunicação adotada pelo BC até novembro do ano passado e que, aparentemente, tinha sido abandonada. 

“Dada a preocupação generalizada com o crescimento, os mercados em breve começarão a ponderar se a próxima decisão de política monetária pode ser de corte em vez de elevação”, pondera Mesquita, em relatório, que prevê Selic estável em 14,25% ao longo de todo este ano. 

Carlos Pedroso, economista-sênior do Banco de Tokyo-Mitsubishi, também avalia que a Selic deve continuar inalterada, pelo menos nos próximos meses. Pedroso explica que até a próxima reunião do Copom, em março, o cenário descrito no comunicado do BC não deve sofrer alteração. 

No documento divulgado na quarta-feira (20), o BC afirma que a decisão de manter a Selic inalterada foi feita "avaliando o cenário macroeconômico, as perspectivas para a inflação e o atual balanço de riscos, e considerando a elevação das incertezas domésticas e, principalmente, externas”. 

Pedroso acredita que as incertezas domésticas mencionadas pelo BC estão relacionadas ao cenário político incerto, com destaque para as expectativas sobre os desdobramentos do pedido de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff.

Dominância fiscal e cena externa

Pode ainda haver avaliação de eventual transição para ambiente de dominância fiscal e/ou piora da recessão, que, via hiato do produto, pode trazer desaceleração maior do que a projetada na inflação deste ano, inclusive nos preços de serviços, segundo o Banco Fator.

As incertezas externas citadas pelo BC, segundo Pedroso, englobam os fatores de risco apontados pelo último relatório do FMI (Fundo Monetário Internacional), como desaceleração da economia chinesa, depreciação do dólar, aversão global ao risco e a escalada das tensões geopolíticas. Nenhum desses fatores devem sofrer alteração até março. 

Na avaliação do Banco Fator, a ênfase dadas também às incertezas externas reverte, em grande medida, a avaliação da conjuntura internacional registrada nas atas do Copom até a reunião de novembro, o que tende a ser melhor explicado na ata da reunião de quarta-feira. 

“Entendemos que, dada a prevalência das incertezas externas, a tendência do Copom é não promover novas altas na taxa Selic”, explicam José Francisco de Lima Gonçalves e Julia Araújo, da equipe pesquisa econômica do Banco Fator. 

“A decisão de manter a taxa Selic inalterada, em contraste com a sinalização recente de alta de juros, sugere que o Copom está crescentemente preocupado com a deterioração da atividade econômica. A nota comentando a mudança na projeção do FMI reforça esta conclusão”, afirma Ilan Goldfajn, economista-chefe do Itaú Unibanco, que também passou a prever permanência da Selic no patamar atual.

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