Durigan defende regra fiscal reforçada e maior flexibilidade para despesas sociais
O ministro Dario Durigan defendeu aprimorar o atual arcabouço fiscal e propôs flexibilizar despesas sociais sob a lógica de controle de fluxo, visando otimizar recursos e conter gastos obrigatórios. A medida busca dar maior margem de manobra ao Executivo. Durigan também destacou que a revisão de benefícios tributários, o uso de gatilhos fiscais e o corte de juros são cruciais para assegurar superávits primários recorrentes a partir de 2027.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, defendeu nesta segunda-feira que a atual regra fiscal do país seja reforçada, e não substituída, e disse que algumas políticas sociais podem deixar de ser "obrigatórias" no Brasil, entrando na classificação de "controle de fluxo", que dá maior flexibilidade na execução.
A ideia foi apresentada durante participação no evento Macro Day 2026, do BTG Pactual, onde Durigan tratou da medida como uma das "ideias inovadoras de gestão pública" que o atual governo tem estudado.
"Se você tem uma lógica de controle de fluxo, não com direito adquirido duro, você vai estimulando o gestor (...) a buscar otimizar o recurso que ele tem", afirmou.
O ministro disse que o Benefício de Prestação Continuada (BPC), pago a pessoas com deficiência e idosas de baixa renda, "chama muita atenção e nos incomoda" porque tem 25% das concessões determinadas pela Justiça. Ele ponderou que a lógica do controle de fluxo poderia ser adotada não especificamente para o BPC, mas para políticas sociais em geral.
As despesas obrigatórias, como previdência, folha de pagamento e parte dos benefícios sociais, precisam ser aplicadas independentemente da situação. Há ainda os gastos discricionários, que dão ao governo liberdade para manejo e contenção, e os chamados obrigatórios com controle de fluxo, que precisam ser pagos, mas o Executivo tem liberdade para manejar os desembolsos ao longo do ano.
Durigan defendeu que a manutenção do arcabouço fiscal em vigor é importante para gerar credibilidade, após mudanças de regras nos últimos anos.
"Defendo que a gente não troque a regra fiscal, que a gente reforce e aprimore a regra", pontuou o ministro.
No evento, o ministro citou como passos para melhorar o quadro fiscal a redução dos juros, o aumento do controle de gastos obrigatórios, a revisão dos benefícios tributários e a maior eficiência dos gastos sociais.
Ele acrescentou que gosta da ideia de gatilhos fiscais, citando que o governo já contará com a ajuda do gatilho que vai limitar o crescimento das despesas de pessoal em 2027 após o registro de déficit fiscal no ano passado.
Durigan prometeu ainda que a partir de 2027 o governo terá superávits primários "crescentes e recorrentes" e disse que é preciso avançar na agenda para levar a taxa de juros brasileira a um patamar civilizado.
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