Dólar fecha em alta, perto dos R$ 5,15, em meio à crise no STF e novas pesquisas mostrarem disputa acirrada entre Lula e Flávio
O dólar à vista encerrou a sessão com alta de 0,49%, a R$5,1490. No ano, a divisa passou a acumular baixa de 6,19%
O dólar fechou em alta de 0,49%, cotado a R$ 5,1490, impulsionado por tensões externas e incertezas políticas locais. No exterior, o conflito entre EUA e Irã aumentou a aversão ao risco. No Brasil, o avanço da moeda refletiu a crise institucional no STF e o cenário eleitoral acirrado entre Lula e Flávio Bolsonaro, com pesquisas em empate técnico gerando cautela no mercado financeiro diante de desconfianças fiscais sobre uma eventual reeleição do atual presidente.
O dólar fechou a segunda-feira em alta ante o real, influenciado tanto pelo avanço da moeda norte-americana no exterior quanto pelo cenário político conturbado no Brasil, em meio à crise no Supremo Tribunal Federal (STF) e a novas pesquisas eleitorais.
O dólar à vista encerrou a sessão com alta de 0,49%, a R$5,1490. No ano, a divisa passou a acumular baixa de 6,19%.
Às 17h02, o dólar futuro para outubro -- atualmente o mais negociado no mercado brasileiro -- subia 0,38% na B3, aos R$5,1680.
A segunda-feira começou com o dólar em alta ante boa parte das demais divisas no exterior, novamente impulsionado pelo conflito entre Estados Unidos e Irã, que alimentava a busca por ativos mais seguros. Preocupações em torno de possíveis riscos da IA também traziam cautela para os negócios.
No Brasil, a busca pelo dólar era reforçada pelo cenário político, após as pesquisas eleitorais mais recentes mostrarem uma disputa acirrada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pelo Planalto.
Na sexta-feira, pesquisa do Datafolha mostrou Lula com 46% e Flávio com 44% em uma simulação de segundo turno. O resultado representa empate técnico, já que a margem de erro é de 2 pontos percentuais.
Na manhã desta segunda-feira, a pesquisa BTG/Nexus mostrou Lula com 47% das intenções de voto, contra 46% de Flávio, também em empate técnico em função da margem de 2 pontos percentuais. Neste caso, porém, Lula voltou a ter a vantagem numérica, que no levantamento anterior era de Flávio.
Já a nova pesquisa Quaest mostrou Flávio com 42% e Lula com 40%, com margem de erro de 2 pontos percentuais.
Lula ainda é visto com desconfiança por boa parte do mercado, que enxerga sua reeleição como um empecilho para o controle das contas públicas e, consequentemente, da inflação. Assim, notícias não tão favoráveis a Flávio -- como a da pesquisa BTG/Nexus -- têm favorecido a elevação do dólar ante o real.
"O dólar foi para acima de R$5,18 na máxima de mais cedo, espelhando a cautela externa com o petróleo subindo mais de 3%", comentou durante a tarde o diretor da assessoria FB Capital, Fernando Bergallo, acrescentando que a disputa política também deu suporte às cotações.
"O mercado segue apostando contra o Lula. Então o front externo foi empurrando (o dólar), mas o doméstico também."
Às 10h54, o dólar à vista marcou a cotação máxima intradia de R$5,1830 (+1,13%).
A crise no STF também trazia cautela para os negócios. No fim de semana o presidente da corte, Edson Fachin, chamou para si a relatoria da petição sobre as mensagens trocadas entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. O caso irá a julgamento no plenário do STF na terça-feira.
Fachin também marcou o julgamento sobre a conduta do ministro André Mendonça como relator do caso do Banco Master para o dia 23.
Durante a tarde o dólar apagou parte dos ganhos ante o real, mas ainda assim se manteve no território positivo. Às 13h55 a moeda à vista marcou a mínima de R$5,1414 (+0,32%), para depois fechar pouco abaixo dos R$5,15.
No exterior, às 17h05 o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- subia 0,41%, a 99,508.
No fim da manhã, o Banco Central vendeu 50.000 contratos de swap cambial tradicional para rolagem do vencimento de 1º de outubro.
(Edição de Isabel Versiani)
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