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Dinheiro segue caro na tentativa de contenção de preços; a conta mais pesada vai para as famílias

Além dos conflitos externos, a condução das contas públicas contribui para a deterioração das expectativas; e não há sinais de austeridade na administração das finanças federais

5 mai 2026 - 14h38
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Dinheiro caro, um entrave ao crescimento da economia e do emprego, vem sendo mantido no Brasil graças a uma cooperação informal — e provavelmente involuntária — entre o presidente americano, Donald Trump, e seu colega brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva.

Ao explicar a lenta redução dos juros básicos, cortados na semana passada para 14,50%, o Comitê de Política Monetária do Banco Central, o Copom, menciona tanto a insegurança internacional quanto as incertezas sobre as contas públicas brasileiras. A crescente dívida federal, sem sinais de estabilização, é mais uma vez citada com destaque na ata da última reunião do Comitê, divulgada nesta terça-feira, 5.

Bons sinais da economia brasileira, como o desemprego em "patamares historicamente baixos", são apontados como fatores de preocupação, num cenário de elevação de rendimentos acima do aumento de produtividade do trabalho. Mas a análise avança, como tem ocorrido em outros informes do Copom, para o exame da política fiscal, isto é, da gestão das contas públicas, e de seus efeitos na evolução dos preços no mercado interno.

A curto prazo, a política fiscal pode afetar a demanda interna, estimulando ou contendo a procura de bens e serviços. No caso brasileiro, obviamente, a expansão do gasto governamental faz a demanda crescer mais velozmente do que a oferta de produtos, facilitando a alta de preços.

Em prazo mais longo, e numa "dimensão mais estrutural", a gastança federal pode criar insegurança quanto à sustentabilidade da dívida pública e favorecer a elevação dos juros. Em outras palavras: se o governo se torna mais dependente de empréstimos para fechar suas contas, o custo do crédito tende a subir.

No Brasil, esse fenômeno tem sido rotineiro. O governo tem um papel direto e destacado na elevação dos juros, e isso é mais uma vez lembrado no informe do Copom.

Desta vez, a instabilidade internacional vem tendo especal importância na deterioração das percepções, segundo observam os autores do comunicado. As expectativas de inflação, até recentemente em "trajetória de declínio", voltaram a subir com os novos conflitos no Oriente Médio. Essas expectativas, observam os dirigentes do BC, têm permanecido acima da meta de inflação "!em todos os horizontes".

Qualquer leitor pode conferir essa observação examinando os números da pesquisa Focus: as expectativas de inflação subiram seguidamente nas últimas seis semanas. A mediana das projeções indica inflação de 4,89% no final deste ano, de 4% no fim do próximo e de 3,84% no encerramento de 2028. Todas essas taxas superam amplamente o centro da meta oficial, fixado em 3%.

Além dos conflitos externos, também a condução das contas públicas tem contribuído, claramente, para a deterioração das expectativas. Não há sinais, no entanto, de um compromisso de austeridade na administração das finanças federais. O efeito inflacionário desses desajustes aparece nos preços cobrados na feira, nos mercados, nas lojas e nos serviços. A conta mais pesada vai para as famílias, principalmente para as menos abonadas.

Estadão
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