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Moradia compartilhada vira tendência no País com alta do aluguel

Preço elevado dos imóveis empurra brasileiros para convivência em espaços compartilhados

13 jun 2023 - 05h00
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David Silva e Willian Coelho dividem apartamento há três meses
David Silva e Willian Coelho dividem apartamento há três meses
Foto: Divulgação

O estudante David Silva, de 21 anos, decidiu há quatro anos sair de São Paulo para ir estudar e morar em Santa Catarina depois que ganhou uma bolsa integral em uma faculdade para cursar publicidade e propaganda. Longe de casa, ele iniciou morando sozinho em um kitnet alugado em Joinville. No entanto, com a alta do aluguel e a necessidade de reduzir as despesas, o estudante teve que se aventurar em um novo estilo de moradia.

Há três meses, David saiu da kitnet, que segundo ele era bem apertada e ficava distante da faculdade, e passou a dividir um apartamento de 90m² com outra pessoa. O imóvel tem dois quartos –  um único banheiro para os dois –, uma cozinha pequena, uma sala e o aluguel custa R$ 1,5 mil. Segundo o estudante, tirando a alimentação, quase tudo é dividido na residência.

"Moro com um rapaz que conheci na internet. Vi em um anúncio que ele estava procurando apartamento para morar na mesma cidade. Conversamos e resolvemos dividir a moradia. Aqui dividimos quase tudo, só não a alimentação, pois cada um tem sua dieta. Mas gás é dividido, internet, água, luz, material de limpeza e até mesmo a pizza do domingo”, contou ao Terra.

Esta é a primeira experiência em uma moradia compartilhada do David Silva
Esta é a primeira experiência em uma moradia compartilhada do David Silva
Foto: Divulgação

Conforme relata o estudante, quem vive em moradia compartilhada consegue economizar bastante, mas acaba perdendo também um pouco da privacidade. "Vivendo nesse tipo de moradia abrimos mão muito da nossa individualidade. Tem momentos que precisamos de espaço, ficar sozinho. Por isso que era muito importante que a residência tivesse um quarto exclusivo para mim", confessou.

Não muito distante de onde o David mora e com uma trajetória bem parecida, Yeda Teixeira, de 26 anos, também morou em uma residência compartilhada em Santa Catarina em razão dos estudos. Atualmente, ela já está formada e mora sozinha em São Paulo, capital, mas por quatro anos dividiu apartamento em Florianópolis.

“Devido aos custos elevados, tive que conviver ao longo de quatro anos com três meninas. A primeira dividiu comigo a moradia por um ano antes de ir morar com o namorado. A segunda ficou três anos. Já a terceira convivemos por apenas seis meses. Conheci as meninas por meio de anúncios em grupos do Facebook”, disse.

Há dois anos, Yeda Teixeira mora sozinha em São Paulo, mas está buscando outra pessoa para compartilhar novamente a moradia. Segundo ela, a principal razão para optar por essa convivência é o valor dos aluguéis, que tem consumido boa parte de sua renda mensal.

O aluguel aqui em São Paulo acaba consumindo 60% do meu salário. É uma coisa absurda. Eu não consigo mais morar sozinha. Eu pago hoje R$ 2.400 de aluguel. É terrível isso”, revelou Yeda Teixeira.

IGP-M

O Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M) registrou deflação de 1,84% em maio, após queda de 0,95% em abril. Entretanto, a queda no índice, que também é usado como indexador dos preços das locações, não deve impactar nos preços dos aluguéis de imóveis no Brasil.

Especialistas ouvidos pelo Terra avaliam que a queda no índice não vai alterar o preço de imóveis disponíveis para locação, pois os imóveis têm seu preço mais vinculado ao mercado. Como há muita demanda e pouca oferta, a tendência é que os preços continuem altos.

“O mercado de aluguéis tem seu preço determinado pela oferta disponível de imóveis para aluguel e o número de pessoas interessadas em alugar imóveis. Por essa razão, podemos entender que a variação do IGP-M não é determinante para o preço médio dos aluguéis”, diz o economista e sócio-diretor da PPK Consultoria, João Rogério Filho, à reportagem.

Fonte: Redação Terra
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