Crescimento salarial na zona do euro desacelera no segundo trimestre
O crescimento salarial na zona do euro desacelerou para 3,1% no segundo trimestre, ante 3,3% no anterior, tranquilizando o Banco Central Europeu. Apesar da inflação impulsionada pela energia, os acordos negociados preveem uma alta moderada de até 2,8% no próximo ano, afastando o risco de uma espiral inflacionária entre salários e preços. Como esse ritmo segue abaixo de 3%, patamar alinhado à meta de inflação de 2%, o BCE descarta a necessidade de um aperto monetário agressivo no momento.
O crescimento dos salários na zona do euro continuou a desacelerar no último trimestre mesmo com a alta da inflação, e os acordos salariais negociados apontam para apenas uma leve aceleração no próximo ano, o que tranquiliza as autoridades do Banco Central Europeu sobre o controle do aumento dos preços.
O BCE está acompanhando de perto a evolução dos salários para verificar se o recente aumento da inflação devido à energia está alimentando demandas salariais excessivas, já que isso poderia desencadear uma espiral salário-preços difícil de ser interrompida e que exigiria um aperto monetário mais agressivo.
O BCE já elevou as taxas de juros duas vezes este ano, mas afirma que apenas um aperto moderado da política monetária é necessário uma vez que o atual choque inflacionário é muito mais brando do que em 2022, quando o aumento dos preços ultrapassou 10% e o BCE demorou a reagir.
O aumento anual dos custos trabalhistas desacelerou para 3,1% no segundo trimestre, ante 3,3% nos três meses anteriores, após ter subido mais de 5% no auge da crise de inflação de 2022/23, segundo dados divulgados pelo Eurostat nesta quarta-feira.
Enquanto isso, números separados do BCE apontam para apenas um aumento modesto no crescimento salarial negociado para o primeiro semestre de 2027.
O indicador do BCE sugere um crescimento salarial negociado de 2,6% a 2,7% até o final do primeiro trimestre do próximo ano, seguido de uma aceleração para 2,8%, informou o banco.
O BCE vem afirmando há muito tempo que um crescimento salarial de 3% é amplamente consistente com sua meta de inflação de 2%, e suas projeções neste mês continuam indicando apenas pressões salariais modestas, dada uma certa fraqueza no mercado de trabalho.
A principal preocupação do BCE é que os altos custos da energia acabem por elevar o custo de outros bens e serviços, e que os sindicatos respondam exigindo compensação por esse aumento.
No entanto, nada disso parece estar se refletindo nos dados até o momento, o que tem surpreendido algumas autoridades.
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.