Ceron diz que discussões sobre socorro da Caixa ao BRB e federalização do banco do DF são prematuras
Segundo secretário do Tesouro, Caixa olha para a possibilidade de comprar carteiras do BRB objetivamente, como oportunidades de negócio
BRASÍLIA - O secretário do Tesouro Nacional e presidente do conselho de administração da Caixa, Rogério Ceron, disse nesta quarta-feira, 25, que é cedo para discutir qualquer socorro ao Banco de Brasília (BRB) por meio de um apoio do banco público federal, sem descartar que as discussões evoluam nesse sentido.
"Está cedo. Acho que ainda não está em uma discussão concreta como essa. A instituição BRB e o ente federativo controlador têm buscado mecanismos de garantir a liquidez e continuar as operações da instituição sem qualquer tipo de venda do controle acionário", disse o secretário, durante entrevista à imprensa.
Como mostrou o Estadão/Broadcast, a Caixa vem negociando a compra de carteiras de crédito do BRB. A cúpula do banco público não descarta debater outras soluções, mas uma federalização do BRB — pela qual a Caixa assumiria o controle acionário do banco — ainda é vista como uma discussão "prematura."
Ceron afirmou que a Caixa tem resultados sólidos e olha para a possibilidade de comprar carteiras do BRB objetivamente, de olho em oportunidades de negócio. Ele argumentou que qualquer socorro ao banco distrital tem de partir não de outras instituições financeiras, mas de outras alternativas.
"Se o BRB tiver que ter algum tipo de apoio, não é exatamente por meio de uma instituição financeira que isso tem que acontecer. Isso tem que acontecer com uma instituição mais ampla, com os mecanismos disponíveis, seja FGC (Fundo Garantidor de Créditos), ou outras alternativas que possam vir a ser cogitadas", disse.
Ações de socorro
O secretário do Tesouro negou que a Caixa tenha discutido ações concretas para socorrer o BRB. "No momento, não há nada efetivamente tramitando, ou se tem alguma deliberação que tenha sido colocada pelo Conselho de Administração, muito menos submetida ao Ministério da Fazenda", afirmou.
Ceron afirmou que o que ocorreu na reunião do Conselho de Administração da Caixa foi uma exposição do presidente do banco sobre as notícias que saíram sobre a situação do BRB. "Efetivamente, não tem nenhuma ação concreta da Caixa sendo conduzida neste momento para aquisição, participação, compra de carteira e qualquer outra coisa."
Ele explicou, entretanto, que há um olhar para o caso visando oportunidade de negócios: "Claro que, como qualquer outra instituição financeira, há um acompanhamento da situação, uma preocupação com o que está acontecendo e até um olhar sobre uma eventual oportunidade de negócio, uma oportunidade comercial que eventualmente possa surgir".
O secretário afirmou ainda que tem recebido pedidos para o Tesouro dar aval à venda de carteiras do BRB com garantias da União.
Ele descartou que o Distrito Federal consiga empréstimos com garantias da União para fazer aportes no BRB por conta da falta de capacidade de pagamento do ente subnacional.
"O ente tem algumas questões fiscais delicadas que, de fato, colocam ali algum desafio relevante para conseguir obter uma operação de crédito sem aval da União", disse.