Script = https://s1.trrsf.com/update-1778180706/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE
Publicidade

CEO da Embraer: 'Não vemos nenhum impacto da guerra'

Francisco Gomes Neto reconhece que 'situação é difícil', mas diz que fabricante de aviões não registrou desistências de compra ou pedidos de adiamento de entrega de jatos por causa da alta dos combustíveis

8 mai 2026 - 13h51
Compartilhar
Exibir comentários

A alta dos combustíveis decorrente da guerra no Oriente Médio e seus impactos no setor aéreo ainda não provocaram consequências para a Embraer, de acordo com o presidente da empresa, Francisco Gomes Neto. "Estamos monitorando de perto a situação da guerra. O aumento dos custos, é claro, pode impactar os planos de expansão e renovação de frota das companhias aéreas. No entanto, neste momento, não há impacto direto sobre a Embraer. Não vemos nenhuma perda de interesse em novas campanhas (de vendas de aeronaves) nem qualquer movimento para adiar entregas", disse nesta sexta-feira, 8.

Em teleconferência com analistas do mercado financeiro e jornalistas, o executivo destacou que, por ora, não houve alterações no ritmo de vendas e de negociações no segmento de aviação comercial nem no de executiva. "A gente não está vendo nenhum impacto, apesar de reconhecer que é uma situação difícil." Segundo ele, a empresa está se preparando para eventuais consequências futuras, aprimorando a gestão de custos e de eficiência.

Empresa aumentou entrega de aeronaves neste começo de 2026
Empresa aumentou entrega de aeronaves neste começo de 2026
Foto: Embraer/Divulgação / Estadão

Na quinta-feira, também em conferência com analistas, o CEO da Azul, John Rodgerson, havia afirmado que "nenhuma companhia aérea quer receber 20, 30 ou 40 aeronaves neste ano". "Não acho que isso seja segredo para ninguém", disse ele.

Cliente da Embraer, a Azul mantém o recebimento de aviões para 2026, apesar de já ter sinalizado a possibilidade de reduzir sua oferta de voos no ano - no primeiro trimestre, a companhia registrou um recuo de 2,7% em sua capacidade. A Azul, porém, já havia diminuído previamente suas encomendas de aeronaves e deverá receber apenas quatro jatos da Embraer até dezembro.

Diante das dificuldades da aviação global por causa da guerra, o presidente da Embraer avaliou que a companhia está bem posicionada. "Temos a aeronave mais eficiente no segmento de pequeno porte e corredor único e observamos cada vez mais interesse nesse produto", acrescentou.

Gomes Neto, no entanto, reconheceu que as vendas de aviões comerciais em 2026 podem ser inferiores às de 2025, dado que o ano passado registrou um desempenho excepcional. "Mas este ano também será bom", disse.

Neste início de 2026, a companhia fechou um pedido de 46 jatos para a Finnair. Por outro lado, sua concorrente Airbus levou um contrato com a AirAsia para a venda de 150 aeronaves.

"Obviamente gostaríamos de adicionar a AirAsia à nossa família global de 24 operadores do E2 (modelos mais novos de aviões da Embraer), mas sabíamos desde o início que nosso concorrente tinha uma presença muito forte naquela companhia aérea e disponibilidade de slots (posições na linha de produção)", disse Gomes Neto.

Também no começo deste ano, a Embraer conseguiu melhorar seu nível de produção, conforme as cadeias de fornecimento avançam em sua regularização. A indústria sofre com falta de peças desde que linhas de produção foram interrompidas durante a pandemia. O progresso permitiu que a empresa entregasse 44 aeronaves entre janeiro e março de 2026, um aumento de 47% em comparação com o mesmo período de 2025.

Dos 44 aviões entregues, porém, 29 foram jatos executivos. Gomes Neto destacou que o segmento comercial ainda está mais prejudicado pelos problemas de fornecimento, mas frisou que isso deve melhorar até 2027.

Resultado do primeiro trimestre

A Embraer registrou lucro líquido de R$ 145,4 milhões no primeiro trimestre de 2026. A cifra representa uma queda de 51,4% na comparação com o mesmo período de 2025.

A receita líquida subiu 18%, para R$ 7,5 bilhões, maior patamar alcançado em um primeiro trimestre, segundo a empresa. O novo recorde foi impulsionado principalmente pelos segmentos de defesa e aviação comercial.

O Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado da fabricante totalizou R$ 749,4 milhões, crescimento de 18,8%. Já o Ebit (lucro operacional antes da dedução de juros e impostos) ajustado atingiu R$ 488,6 milhões, avanço de 36%. A margem Ebit ajustada ficou em 6,4%, ante 5,6% um ano antes.

O resultado da empresa não foi bem recebido pelo mercado financeiro, e as ações da empresa caíam 9% às 11h desta sexta-feira. Analistas do Citi, por exemplo, destacaram em relatório que o Ebit e o lucro líquido foram, respectivamente, 20% e 24% inferiores às projeções do banco.

Um dos segmentos cujo resultado decepcionou foi o da aviação executiva. A receita da área somou R$ 2,2 bilhões no primeiro trimestre, alta de 17% na comparação anual. Ainda assim, a margem bruta recuou de 21,8% para 15,1%, pressionada principalmente pelas tarifas de importação impostas pelos Estados Unidos, pelo perfil dos clientes que receberam as aeronaves no período e por gastos comerciais relacionados ao lançamento de novos modelos de jatos.

A Embraer disse esperar uma normalização das margens da divisão executiva nos próximos trimestres.

Estadão
Compartilhar
TAGS

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra