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Canetas emagrecedoras já estão em 5% dos lares brasileiros, aponta pesquisa

Ao lado dos gastos com bets, despesas com streaming, sites de internacionais, aplicativos de transporte e academias contribuem para desaceleração nas vendas de produtos do dia a dia

12 mai 2026 - 17h39
(atualizado às 17h51)
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A disputa pelo bolso do consumidor brasileiro nunca foi tão acirrada. As canetas emagrecedoras, por exemplo, estão presentes em 5% dos lares brasileiros e os gastos com o medicamento, ao lado das apostas esportivas (bets), transporte por aplicativos e streaming, por exemplo, já são apontados como um dos fatores que contribuíram para a desaceleração do consumo de produtos básicos ao longo dos últimos meses.

Os dados constam em um levantamento feito pela Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores de Produtos Industrializados (Abad) em parceria com a NielsenIQ, que mostra mudanças no padrão de consumo das famílias e como o setor que vende produtos de primeira necessidade vem sem sendo afetado pela concorrência de outros gastos.

Apesar do ganho de renda obtido pelos trabalhadores ao longo de 2025 e o desemprego na mínima histórica, o consumo desacelerou ao longo dos últimos trimestres afetado pelo alto endividamento e pela elevada taxa de juros. Esses são fatores estruturais para essa perda de fôlego, na análise do diretor de Atendimento ao Varejo da NielsenIQ, Domenico Tremaroli Filho.

Mas ele acrescenta, no entanto, outros gastos estão absorvendo renda do consumidor. No caso das canetas emagrecedoras, que movimentaram R$ 20 bilhões, 26% dos brasileiros pretendem utilizar o medicamento assim que tiverem uma condição melhor de renda. "Hoje no Brasil, oito de dez itens mais vendidos nas farmácias brasileiras são canetas emagrecedoras."

Bets

Pela ótica dos atacadistas de mercadorias, também são gastos concorrentes que "atrapalham" o consumo são as bets. Elas movimentaram R$ 360 bilhões em 2025, com 26% dos lares tendo declarado participação regular nesse tipo de atividade, porcentual equivalente ao dobro do registrado em 2024.

O avanço das apostas já começa a afetar categorias básicas de consumo. Segundo Tremaroli Filho, um em cada dez apostadores reduziu gastos com alimentação para manter despesas com jogos de azar.

Transporte por aplicativos

Despesas com transporte por aplicativos que absorvem R$ 55 bilhões por ano, gastos com academias que movimentam R$ 18 bilhões anuais, despesas com sites internacionais de comércio eletrônico que totalizam R$ 85 bilhões, além assinatura de streaming, que gira R$ 36 bilhões anuais, são fatores apontados pelo especialista como fatores que limitam a renda disponível para a compra de produtos.

O estudo também mostrou que os canais mais dependentes das classes de menor renda foram os mais pressionados no período no ano passado por conta da desaceleração. "Canais mais dependentes de consumidores de menor renda sentem mais esse movimento. Um dos principais fatores é a redução do número de itens no carrinho", diz o diretor da NielsenIQ.

De acordo com o executivo, o consumidor brasileiro leva atualmente cerca de 8% menos produtos no carrinho do supermercado na comparação com um ano atrás

Faturamento

Mesmo com obstáculos do lado da demanda, o setor atacadista distribuidor encerrou 2025 com faturamento de R$ 616,6 bilhões, crescimento real de 11% em relação ao ano anterior, segundo o Ranking ABAD NielsenIQ 2026. Com o avanço, o canal indireto ampliou sua participação no mercado mercearil brasileiro de 53,7% para 55,9%.

O levantamento da entidade em parceria com a NielsenIQ mostra ainda que o mercado brasileiro de bens de consumo de alto giro movimentou R$ 1,1 trilhão em 2025, alta de 33,3% em relação ao ano anterior.

Segundo o presidente da Abad e da Unecs, Leonardo Miguel Severini, parte do avanço registrado no período reflete mudanças na metodologia da pesquisa, que ampliou a cobertura de canais tradicionais, como bares e mercearias. "Os ajuste na metodologia nos leva a resultados ainda mais próximos da realidade do setor", afirmou.

A pesquisa contou com a participação de 768 empresas, sete a mais do que na edição anterior. Juntas, elas somaram faturamento de R$ 302,5 bilhões, equivalente a 49% do total do setor.

Mesmo desconsiderando a ampliação da base de respondentes, o setor teria registrado crescimento de cerca de 7,3% em 2025.

Segundo Tremaroli, os canais mais dependentes das classes de menor renda foram os mais pressionados no período. "Canais mais dependentes de consumidores de menor renda sentem mais esse movimento. Um dos principais fatores é a redução do número de itens no carrinho."

De acordo com o executivo, o consumidor brasileiro leva atualmente cerca de 8% menos produtos no carrinho do supermercado na comparação com um ano atrás.

Estadão
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