Brasileiro vê aposentadoria com descrença e 11% consideram que nunca vão se aposentar
Pesquisa da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida mostra que apenas 9% da população têm plano de previdência privada; número cresce para 21% entre classes A e B
Pesquisa da Fenaprevi/Datafolha revela que 11% dos brasileiros creem que nunca vão se aposentar e apenas 28% esperam parar aos 60 anos, embora 59% considerem essa a idade ideal. O estudo aponta forte dependência do INSS — sustento de 92% dos aposentados —, além de falta de planejamento: 65% dos trabalhadores ativos não sabem quanto receberão. Diante da vulnerabilidade, cresce a intenção de buscar proteção financeira, mas só 9% possuem previdência privada, concentrada nas classes mais ricas.
A população brasileira está cada vez mais descrente da possibilidade de se aposentar: apenas 28% dizem que conseguirão se aposentar aos 60 anos. Já 11% acreditam que nunca conseguirão parar de trabalhar, segundo a quarta edição da pesquisa "Percepção dos Brasileiros sobre Proteção e Planejamento", encomendada pela Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi) ao Datafolha e antecipada ao Estadão/Broadcast.
Para 59% dos entrevistados, a idade ideal para se aposentar é até 60 anos. Na edição anterior da pesquisa, realizada em 2024, esse porcentual era de 54%. Pelas regras atuais do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), a idade mínima para as mulheres é de 62 anos, com pelo menos 15 anos de contribuição. Para os homens, a idade mínima é de 65 anos, com pelo menos 15 anos de contribuição para quem já contribuía para o INSS antes da Reforma da Previdência de 2019, ou 20 anos para quem começou a contribuir após a reforma. A pesquisa, entretanto, foi feita com respostas espontâneas, o que levou os entrevistados a falar sobre a idade em que idealizam sair do mercado de trabalho.
Segundo o levantamento, o desejo de parar de trabalhar até os 60 anos é mais frequente entre os mais jovens. Entre os entrevistados de 18 a 24 anos, o porcentual chega a 81%. Já entre aqueles com 60 anos ou mais, 27% afirmam que não pretendem parar.
Outra realidade apontada pelo estudo é a dependência da Previdência Social. Entre os entrevistados já aposentados, 92% afirmam que o INSS é sua principal fonte de sustento. Já entre os que ainda estão na ativa e pretendem contar com o benefício público para se sustentar, 65% dizem não saber quanto receberão.
Segundo a Fenaprevi, isso evidencia dificuldades de planejamento. Apenas 35% afirmam saber quanto deverão receber no futuro, e 53% dos entrevistados estimam que o benefício será, no máximo, equivalente a um salário mínimo, atualmente de R$ 1.621,00.
Ainda entre os que pretendem contar com o INSS no longo prazo, 56% acreditam que terão de cortar gastos para se manter, 25% esperam manter o modo de vida atual e 16% acham que não terão como se sustentar ou passarão por dificuldades.
Brasileiro não se prepara
Apesar de os dados da pesquisa mostrarem que a população teme o que virá pela frente, o levantamento também indica que os brasileiros não têm adotado medidas preventivas para se preparar para essa fase da vida, mesmo diante de um cenário de incertezas.
"De acordo com os entrevistados, existe preocupação com a vulnerabilidade financeira da família, porém não indicaram o preparo efetivo para lidar com os riscos apontados", afirma a Fenaprevi.
A falta de acesso a atendimento médico em caso de doença é a situação mais temida, mencionada por 72% dos entrevistados. Contudo, apenas 28% afirmam ter adotado alguma medida preventiva para enfrentar esse risco. A morte de um familiar também preocupa 70% dos participantes, mas somente 22% dizem estar efetivamente preparados para esse momento.
Outro risco apontado por 63% dos brasileiros consultados é o de contrair uma doença grave. No entanto, apenas 34% afirmam ter tomado alguma medida efetiva para se proteger.
Educação financeira
O estudo também inclui um questionário sobre educação financeira. Cerca de um quinto da amostra, 21%, declara participar de jogos de azar ou fazer apostas online. Entre os entrevistados que não têm seguro de vida e gastam com jogos ou apostas, a maioria não considera esse gasto mais importante do que contratar um seguro (77%), embora quase um quarto atribua maior importância aos jogos e apostas (23%).
A pesquisa ouviu 1.908 pessoas, sendo 52% mulheres e 48% homens, com média de idade de 45 anos. Do total, 39% moram em regiões metropolitanas e 61% no interior do País. As classes A/B representam 23% da amostra, a classe C, 49%, e as classes D/E, 28%. A margem de erro é de 2 pontos porcentuais.
Previdência privada é maior entre população de maior renda e escolaridade
Apenas 9% da população brasileira têm um plano de previdência privada. O porcentual cresce à medida que aumenta o nível de escolaridade e de renda. Entre as classes A/B, do universo total, 21% têm um plano previdenciário. Já nas classes D/E, o porcentual é de 3%.
De acordo com o levantamento da Fenaprevi, a intenção de contratar ao menos um seguro e/ou plano de previdência privada no próximo ano cresceu em 2026, chegando a 64% dos entrevistados, ante 54% apurados em 2024. O avanço aparece em todos os produtos pesquisados, com destaque para o seguro funeral, cuja intenção de contratação passou de 34% para 47%, e o seguro de vida, que subiu de 35% para 43%.
"Os produtos de previdência se tornaram aspiracionais, como são os planos e seguros de saúde", disse Edson Franco, presidente da Fenaprevi.
Também aumentaram as intenções de contratar seguro de invalidez (37%), seguro para doenças graves (36%), previdência privada (33%) e seguro prestamista (30%). No caso da previdência privada, a intenção de contratação subiu de 29% em 2024 para 33% em 2026.
Segundo o estudo, a principal motivação para a contratação de um plano de previdência privada continua sendo a formação de uma reserva financeira para o futuro e a aposentadoria, mencionada por 56% dos entrevistados que possuem o produto. O indicador permanece estável em relação a 2024.
Entre as demais razões estão o benefício de uma previdência privada empresarial (7%), motivos relacionados à maternidade, filhos e família (5%) e a falta de confiança na previdência pública, no governo ou no INSS (3%).
Seguro de vida
Da amostra da pesquisa, 18% têm seguro de vida. Em 2026, a principal motivação para a contratação do produto foi a oferta coletiva pela empresa, mencionada por 29%. Desse grupo, 45% pertencem às classes A/B, e 55%, às classes C/D/E.
"O problema não está nos 18% que possuem um seguro de vida, mas, sim, nos 82% que não têm. Esse é o foco da indústria", disse o executivo.
Entre os segurados, predominam produtos contratados até cinco anos, que representam 60% do total. Desse porcentual, 30% têm o seguro de três a cinco anos. Outros 25% possuem o produto há mais de dez anos.
O seguro de vida temporário, com renovação anual, é o tipo mais contratado, com 63% das respostas. Neste caso específico, a contratação individual predomina sobre a coletiva, com 55% e 34%, respectivamente. A série histórica mostra o crescimento da participação do seguro de vida temporário desde 2023.
A pesquisa ouviu 1.908 pessoas, sendo 52% mulheres e 48% homens, com média de idade de 45 anos. Do total, 39% moram em regiões metropolitanas e 61% no interior do País. As classes A/B representam 23% da amostra, a C 49% e a D/E 28%. A margem de erro é de 2 pontos porcentuais.
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.