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Para combater o racismo, Grupo Boticário deixa de usar o termo 'Black Friday'

Anúncio foi feito pelo presidente da empresa, Artur Grynbaum, na rede social LinkedIn; semana de promoções vai se chamar 'Beauty Week'

30 set 2020
11h58
atualizado em 30/10/2020 às 19h31
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Com a justificativa de combater o racismo e promover a igualdade racial, o presidente do Grupo Boticário, Artur Grynbaum, anunciou que a marca não vai mais utilizar o termo "Black Friday" como referência ao dia - ou semana - em que o varejo, online e físico, faz promoções em diversos setores. O comunicado foi feito por meio de artigo publicado no LinkedIn, rede social para conexões do mundo profissional.

A decisão, de acordo com o executivo, se deu em respeito "aos movimentos que sentem desconforto com o termo" e considerou que há a possibilidade de haver uma origem racista na expressão. O texto, publicado na terça-feira, 29, explica que não há dados que comprovem que "Black Friday" não se relaciona à "questão da escravatura".

Grynbaum diz que, desde 2013, o Grupo Boticário vem estruturando o tema da inclusão de diversidade na empresa, como equidade de gênero, raça, pessoas com deficiência e grupos de diferentes gerações. "Precisamos de algo maior e essa transformação deve começar por nós. Esse movimento emergiu nas equipes do Grupo Boticário, a discussão ganhou força e esse é o resultado", diz a publicação.

Por meio de nota ao Estadão, o presidente do GB complementou que a diversidade representa a complexa sociedade atual e que não poderia deixar o que foi abordado internamente sobre o assunto de lado. "Refletimos sobre que ações poderíamos tomar para simbolizar nosso compromisso contra o racismo estrutural. Outras empresas continuarão usando o termo "Black Friday", mas temos um compromisso com nossos colaboradores negros que reportaram que a expressão carrega algo ruim. Não poderíamos dar as costas a eles neste momento."

A partir deste ano, a semana de promoções da empresa de cosméticos vai se chamar "Beauty Week" e a hashtag "#BlackisBeauty" será utilizada para divulgar a ação - em tradução literal, a frase significa "Preto é beleza". A ação contempla todas as companhias do grupo: O Boticário, Eudora, quem disse, berenice?, Beautybox, Vult, multi, beleza na web e eu me.

Grynbaum ainda diz no texto que há um risco de perdas para o negócio, considerando que há pouco tempo para a companhia adaptar a estratégia.

Bonde andando

A decisão de deixar de utilizar o termo "Black Friday" foi tomada com o projeto de promoções já em andamento. Com isso, catálogos com propagandas do evento, cartazes e ações em lojas, por exemplo, serão mantidos com a expressão, explica o CEO do GB, Artur Grynbaum. "Como a tomada de decisão aconteceu com a operação já em campo, alguns dos materiais que demandam mais tempo em sua produção e, por isso mesmo, ficam prontos com muita antecedência, infelizmente seguirão com a comunicação anterior à iniciativa da Beauty Week", falou Grynbaum, por meio de nota ao Estadão.

Afinal, o termo 'Black Friday' tem origem racista?

Reportagem do Estadão Verifica explicou as possíveis origens do termo "Black Friday". De acordo com a publicação, "não há evidências" de que a expressão tenha cunho racista. Nos Estados Unidos, onde surgiu, ela serve para denominar a sexta-feira pós-feriado de Ação de Graças, quando é feita uma queima de estoques para que se inicie a temporada de compras para o Natal.

Embora não haja uma única explicação para a origem do nome, "não há ligação comprovada com a escravidão". "A relação entre Black Friday e escravidão virou uma lenda urbana e já foi desmentida sucessivas vezes por veículos como BBC (2014), Washington Examiner (2018), History Channel (2018), AFP (2019) e The Telegraph (2019)."

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Estadão
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