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Black Friday 2020: tudo o que você precisa saber

Maior campanha de vendas promocionais no comércio eletrônico e varejo físico do Brasil será no dia 27 de novembro

9 nov 2020
15h05
atualizado às 15h06
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Um dos principais eventos no calendário do varejo físico e do comércio eletrônico do Brasil, a Black Friday será no próximo dia 27. Ainda que sob impacto da crise provocada pela pandemia de covid-19, a expectativa para a edição deste ano é de aumento nas vendas, principalmente no e-commerce.

Em 2019, a campanha registrou recorde de faturamento para o comércio eletrônico. Segundo levantamento da consultoria Ebit/Nielsen, o varejo online brasileiro faturou R$ 3,2 bilhões entre quinta e sexta, aumento de 23,6% em relação à data de 2018.

Em 2020, o faturamento deve ser ainda maior. Segundo a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm), em parceria com o Neotrust-Compre&Confie, a estimativa para a Black Friday 2020 é de crescimento de 77% nas vendas em relação a 2019, atingindo a marca de R$ 6,9 bilhões. A previsão considera o período que vai da quinta anterior até segunda-feira pós-Black Friday.

Para a Ebit/Nielsen, a alta será 27% nas vendas na comparação com o ano anterior, considerando o período entre quinta e sexta-feira.

Também é esperado aumento na vendas das lojas físicas. A projeção da Federação do Comércio de São Paulo (FecomercioSP) é de alta de até 3% nas vendas em novembro em relação ao mesmo período de 2019, sob o impacto da data. "Poderíamos estar em um cenário muito melhor, mas, olhando para o contexto, podemos considerar uma vitória ter 3% de aumento em um ano extremamente difícil", diz o assessor econômico da FecomercioSP, Guilherme Dietze.

Quais produtos devem ter mais descontos

A plataforma de descontos Promobit fez um levantamento dos produtos mais desejados da Black Friday 2020 e sua projeção de desconto, com base nos descontos médios da Black Friday de 2019.

O produto mais desejado para este ano é o smartphone, que representa 22% das intenções de compra de 1.500 entrevistados. Segundo a pesquisa, os preços dos smartphones podem cair em torno de 27% este ano. Se a intenção for comprar um iPhone, o desconto passa para 20%, em média.

Entre os produtos mais desejados e listados pelo Promobit, o único não eletrônico é a cadeira, que representa a maior projeção de desconto da lista: 52%.

Produtos mais desejados e sua projeção de desconto, segundo o Promobit

  • Smartphone - 27%
  • TV - 20%
  • Notebook - 22%
  • Placa de vídeo - 23%
  • Máquina de lavar - 22%
  • Fone de ouvido - 36%
  • PS4 - 45%
  • Monitor - 32%
  • Geladeira - 20%
  • Cadeira - 52%

Como encontrar os melhores descontos

Apesar de a Black Friday 2020 ocorrer só no dia 27 de novembro, os consumidores podem começar a procurar por descontos e ofertas desde agora. "Logo no início do mês de novembro, vários lojistas começam a antecipar algumas ofertas", diz o diretor do site www.blackfriday.com.br, Ricardo Bove.

Para acompanhar os preços e seus descontos, ele sugere que o consumidor faça uma lista com os produtos que deseja e tenha em mente quanto está disposto a pagar para ajudar na busca pelas promoções.

O diretor da ConQuist Consultoria, Roberto Madruga, ressalta que há consumidores que podem fazer o caminho inverso: verificar o orçamento disponível e, a partir dele, traçar suas intenções de compra.

Mas com tantas ofertas antecipadas, quando comprar o produto desejado? Madruga aconselha a determinar a urgência com a qual você precisa daquele item. "Se você tiver um benefício imediato ao usar aquele produto, não vale a pena esperar, porque pode ser que o estoque acabe antes do dia da Black Friday", aconselha. Porém, Bove lembra que a maior parte dos descontos ocorre mesmo entre a noite da quinta-feira anterior à Black Friday e o domingo posterior. "Apesar de os lojistas já lançarem boas ofertas agora, a maior parte delas é guardada para o momento da ação", afirma.

Os especialistas também recomendam que o consumidor identifique as grandes ofertas de acordo com a categoria do produto. "Você nunca vai encontrar uma lavadora com um desconto de 70%, porque esse é um produto de valor alto", afirma Bove.

Para identificar as melhores ofertas, Bove e Madruga aconselham o consumidor a acompanhar os sites e as redes sociais das lojas de preferência, e a ativar as notificações dos e-mails e aplicativos para ser informado sobre as promoções do dia. "O usuário pode se cadastrar antecipadamente nos sites ou nos aplicativos das lojas onde ele está acostumado a comprar, porque muitas dessas ofertas são exclusivas ou antecipadas para quem já é cliente", diz Bove.

Como evitar golpes

Você já deve ter ouvido falar no termo "Black Fraude", utilizado de forma irônica na internet por consumidores que encontram propaganda enganosa em vez de descontos reais. Apesar de a confiança do consumidor em relação à data ter aumentado nos últimos anos, é importante conferir a reputação das lojas.

Bove orienta que o cuidado deve ser redobrado se a compra for feita em uma loja desconhecida. "Se o consumidor vir um desconto que está muito abaixo dos outros, ele tem que desconfiar e procurar a reputação da loja na internet para identificar se não é um desconto falso." A pesquisa antecipada dos preços ajuda o consumidor a identificar os descontos reais.

Uma das possibilidades é consultar a reputação da marca em sites como o Reclame Aqui, em que é possível filtrar as reclamações dos consumidores por empresa e checar a resposta dela. Procure informações cadastrais como CNPJ, razão social e telefone fixo para contato.

Para as compras realizadas no e-commerce, uma das formas de checar se as informações do site são criptografadas de ponta a ponta é conferir os ícones que aparecem no próprio navegador. Um dos indicativos é quando a URL do site começa com "https", em que S vem de 'segurança'.

Além disso, ao lado do campo de endereço há um ícone de cadeado, que certifica a segurança do site. Porém, o ícone do cadeado não significa uma transação comercial totalmente segura. De acordo com o especialista em segurança da informação e consultor da assessoria Daryus, Hélio Cordeiro, o cadeado dificulta o vazamento de informações, mas não significa que o comerciante envolvido na negociação seja idôneo.

Ainda que o cliente esteja realizando a compra em um site idôneo, a clonagem dos dados do cartão de crédito ainda é uma possibilidade. Por isso, é preciso se cuidar: evite comprar por meio de computadores compartilhados ou redes de wi-fi pública, em que todas as informações enviadas à rede podem ser capturadas e repassadas a terceiros. Mesmo em casa, instale no computador ferramentas como antivírus e firewall, que bloqueiam invasores, e mantenha os sistemas operacionais de computadores, smartphones e tablets atualizados.

Outra possibilidade para evitar a clonagem de dados é o uso do chamado cartão virtual. Algumas instituições financeiras oferecem a ferramenta, gerada na hora, a partir da solicitação do cliente no aplicativo ou site. "Além de poder fazer uma compra única, não fornece seu dado real", explica Hélio Cordeiro.

A compra é lançada na fatura convencional e integra o mesmo limite, mas os números do cartão e código de segurança são diferentes do cartão físico. Após o cliente efetuar a compra, os números são inutilizados. Dentre as instituições que já oferecem o cartão virtual estão Nubank, Itaú, Santander, Banco do Brasil e Caixa Econômica.

A origem da Black Friday

A origem do termo Black Friday (Sexta-feira Negra, em tradução livre) não é exata, mas não está relacionada à venda de escravos, hipótese que ganhou força nas redes sociais no ano passado.

Há teorias que indicam que a expressão surgiu no fim do século 19, em referência a um colapso da "corrida do ouro" na Bolsa de Valores norte-americana. A palavra "negra" é erroneamente utilizada na história para descrever algum evento tido como negativo.

Outra teoria que explica o termo é seu suposto uso por policiais da Filadélfia, nos anos 1960, que descreviam como "Black Friday" a data que sucede o Dia de Ação de Graças. Na ocasião, o trânsito da cidade ficava congestionado devido ao fim do feriado e os lojistas teriam aproveitado a lentidão dos veículos para expor descontos promocionais nas fachadas das lojas, com o intuito de atrair compradores. Essa origem foi descrita pelo repórter do jornal diário Philadelphia Bulletin, Joseph P. Barrett, em um artigo de 1994.

Apesar das teorias, o que se sabe é que, em relação ao período de compras, o termo ganhou popularidade nos Estados Unidos durante a década de 1990, sobretudo com o surgimento do e-commerce. Na data, diversas marcas oferecem grandes descontos para os consumidores, iniciando a temporada de compras para o Natal.

Black Friday no Brasil

A campanha chegou ao Brasil por meio do site Busca Descontos, em 2011, focado inicialmente nas promoções pela internet. O Busca Descontos surgiu em 2010 como um site de promoções via cupons e, desde então, é um dos líderes em ofertas no e-commerce. Além da Black Friday, o site promove o Cyber Monday, Brasil Day, Boxing Week, Mega Saldão e Dia do Frete Grátis - todos eventos importantes para o comércio eletrônico.

Veja também:

Amazon atrasa Black Friday para não prejudicar lojas menores
Estadão
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